A Petrobras anunciou nesta terça-feira, 30 de junho de 2026, uma redução de R$ 0,3515 por litro no preço do diesel A de uso rodoviário vendido às distribuidoras, com vigência a partir de 1º de julho. O corte tem o mesmo valor do desconto que vinha sendo concedido no âmbito da subvenção econômica instituída pela Medida Provisória 1.358, de 13 de maio de 2026, que o governo federal retirou no mesmo dia. Na prática, os dois movimentos se anulam: o preço médio às distribuidoras permanece em R$ 3,30 por litro, sem variação líquida.
A cobertura de centro, apoiada em despachos da Reuters e do Estadão Conteúdo, detalhou a mecânica da decisão. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a retirada da subvenção cumpre compromissos assumidos anteriormente e que outras subvenções seguem em avaliação, incluindo uma de R$ 1,15 por litro do diesel e a de R$ 0,44 por litro da gasolina. O secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, já havia sinalizado à Reuters que o Brasil encerraria os subsídios a combustíveis caso a cotação do petróleo se acomodasse em torno de US$ 80 o barril. O petróleo tipo Brent fechou a US$ 72,92 nesta terça, após um pico de cerca de US$ 120 durante o auge das tensões no conflito do Irã. A Petrobras informou ainda ter recebido cerca de R$ 2 bilhões referentes aos subsídios do diesel.
Há convergência entre os lados quanto aos fatos: a redução do preço da estatal casa exatamente com a subvenção retirada, o consumidor não deve sentir mudança imediata no valor do diesel, e o pano de fundo é a queda das cotações internacionais do petróleo. Veículos de esquerda, como o ICL Notícias e o Brasil 247, enfatizaram a coordenação entre governo e estatal para evitar que a retirada do subsídio pese sobre o bolso de caminhoneiros e trabalhadores, apresentando o subsídio como um escudo social usado enquanto a guerra encarecia o petróleo, agora recolhido de forma gradual e planejada. Esses veículos também destacaram o novo mecanismo de teto e piso criado pela Petrobras para o gás natural, que reduziria de 22% para 6% o reajuste previsto para agosto, priorizando previsibilidade para os clientes ante a volatilidade internacional.
Veículos de direita, como a Jovem Pan, enfatizaram o custo fiscal do programa: os cerca de R$ 2 bilhões já drenados dos cofres públicos e a insustentabilidade de bancar preços administrados indefinidamente. Nessa leitura, a queda do preço decorre da normalização do mercado, com o Brent recuando de US$ 120 para US$ 73, e não da intervenção estatal, e o fim da subvenção representa um retorno saudável à livre formação de preços. A cobertura de centro, por sua vez, relatou a decisão sem atribuir mérito a nenhum dos lados, limitando-se a reproduzir os números e as declarações oficiais.
O que ainda não se sabe é o cronograma exato da retirada das subvenções remanescentes do diesel e da gasolina, que o governo diz estarem em avaliação, e como o repasse ao consumidor final se dará em cada estado, já que os contratos de distribuição variam: em alguns o ajuste é imediato, em outros só na data de reajuste anual das tarifas. Também não há, nas matérias, reação de setores diretamente afetados, como caminhoneiros e distribuidoras.