Polícia Federal indicia João Carlos Mansur, fundador da Reag, e mais 12 pessoas
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Resumo da cobertura
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Briefing
O que importa para você
- Mansur responde por lavagem de dinheiro, organização criminosa e gestão fraudulenta de instituição financeira.
- A delação cita propinas de Daniel Vorcaro, do Banco Master, a autoridades públicas, e pode ampliar o caso.
- Sem homologação no Supremo, a delação não vale como prova.
Onde os lados concordam
- A Polícia Federal indiciou Mansur e mais 12 pessoas por lavagem de dinheiro e organização criminosa.
- O dinheiro viria de sonegação no setor de combustíveis ligada a Beto Louco.
- A delação de Mansur com a Procuradoria-Geral da República ainda não foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal.
O que ainda está incerto
- Quais autoridades teriam recebido propinas segundo a delação.
- Quando o Supremo Tribunal Federal decidirá sobre a homologação.
- Se o Ministério Público apresentará denúncia contra os 13 indiciados.
A Polícia Federal indiciou João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag, e outras 12 pessoas por lavagem de dinheiro e organização criminosa no inquérito da Operação Quasar. A delação de Mansur, que cita propinas do Banco Master, aguarda homologação no Supremo Tribunal Federal.
A Polícia Federal indiciou o empresário João Carlos Mansur, fundador e ex-dono da gestora Reag, e outras 12 pessoas por crimes financeiros ligados a um esquema de sonegação no setor de combustíveis. Mansur é acusado de lavagem de dinheiro, organização criminosa e gestão fraudulenta de instituição financeira. O inquérito integra a Operação Quasar, da Polícia Federal em São Paulo, que tem relação com os fatos apurados na Operação Carbono Oculto.
Segundo o relatório da Polícia Federal, apresentado na semana passada, recursos de sonegação fiscal e de outros ilícitos praticados pelo grupo econômico formado pelas empresas Aster Petróleo e Copape foram introduzidos no sistema financeiro nacional. A entrada se deu por uma instituição de pagamento que operava contas bolsão, sem identificação dos titulares, e depois por fundos de investimento encadeados em cascata, administrados por três distribuidoras de títulos. O grupo é associado ao empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e à facção criminosa Primeiro Comando da Capital, o PCC. Gestores da Trustee Distribuidora e da BK Instituição de Pagamento também foram indiciados.
A cobertura de centro relatou que Beto Louco, considerado foragido desde o ano passado, não era alvo deste inquérito. A Reag era uma das maiores gestoras independentes do país e foi um dos principais alvos da Carbono Oculto, que investigou a infiltração do PCC na economia formal. Mansur deixou a presidência do conselho de administração da empresa em setembro de 2025. Em janeiro deste ano, ele foi alvo de buscas na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura os escândalos do Banco Master, mas não foi preso. A defesa de Mansur, representada pelo advogado Aloisio Medeiros, não quis se pronunciar, e a defesa de Beto Louco também não comentou.
Os veículos convergem num ponto central: Mansur fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. Nele, afirma que fundos geridos pela Reag serviram para ocultar o pagamento de propinas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a autoridades públicas, e relata irregularidades ligadas ao caso de São Paulo. A delação foi enviada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, mas ainda não foi homologada e, por isso, não tem validade jurídica como prova.
A diferença de ênfase é pequena. Do lado da direita, a cobertura chegou por texto de agência, sem enquadramento próprio, e destacou o vínculo do esquema com o PCC e o impasse no Supremo, onde há dúvidas sobre os processos que estavam sob relatoria de Mendonça. A cobertura de centro deu mais peso ao histórico da Reag e à ligação com o caso Banco Master. Até o momento, nenhum veículo de esquerda cobriu o indiciamento.
Ainda não se sabe quem são as autoridades que teriam recebido propinas segundo a delação, nem quando o Supremo vai decidir sobre a homologação. Também não foram divulgados os nomes de todos os indiciados nem o valor total movimentado pelo esquema. O próximo passo cabe ao Ministério Público, que decide se apresenta denúncia.
Fontes

A corporação indicou que Mansur e outros teriam integrado esquema em postos de combustíveis vinculados ao Beto Louco e ao PCC

Inquérito sobre irregularidades tributárias no setor de combustíveis se refere à Operação Quasar, que tem relação com os fatos apurados na Carbono Oculto