A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira, 7 de julho de 2026, a sexta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro montado por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo a corporação, um relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, aponta que o grupo movimentou cerca de 7,6 bilhões de reais nos últimos seis anos. Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense, além de medidas de sequestro de bens e de suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo.
Entre os alvos está Márcio Corrêa de Oliveira, conhecido como Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo, atual presidente do diretório estadual do União Brasil no Rio e pré-candidato ao Senado. Também é investigado o delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do estado, exonerado em 2024 em meio a uma onda de confrontos e operações no Rio. A cobertura de centro relatou de forma descritiva a trajetória dos dois: Amim coordenou o Departamento de Segurança da Assembleia Legislativa até dezembro de 2025, enquanto Canella se aliou ao ex-governador Cláudio Castro e apareceu ao lado de Flávio Bolsonaro na oficialização de candidaturas para o Rio.
Os dois relatos convergem nos fatos centrais: o valor de 7,6 bilhões de reais, o uso de postos de combustíveis como plataforma de lavagem, a participação de agentes públicos e os crimes em apuração, que incluem organização criminosa, lavagem de dinheiro e contratação direta ilegal. Ambos também registram que a operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II e que as fases anteriores já atingiram nomes de peso da política fluminense, como o ex-presidente da Assembleia Legislativa Rodrigo Bacellar.
A divergência aparece no enquadramento. Veículos de esquerda destacaram que a operação nasce de uma decisão do Supremo Tribunal Federal na ADPF 635, a chamada ADPF das Favelas, que obrigou a Polícia Federal a investigar vínculos entre agentes públicos e organizações criminosas no Rio, e enfatizaram a existência de uma suposta rede de proteção institucional ao crime organizado, com Canella descrito como aposta do bolsonarismo no estado. A cobertura de centro manteve o foco nos dados da operação e nas carreiras dos investigados, sem atribuir a ação a um campo político. Uma leitura de direita, ainda que não tenha sido produzida por veículos desse campo neste caso, tenderia a lembrar que os alvos são investigados e não condenados, cobrando o contraditório e o devido processo legal, sobretudo por atingir um pré-candidato ao Senado em plena pré-campanha.
O que ainda não se sabe: nenhum dos relatos traz a versão das defesas dos investigados nem a manifestação oficial do União Brasil, que declararam ter sido procurados sem resposta até a publicação. Também permanece em aberto o desdobramento judicial da operação, se haverá novas prisões, o alcance final do sequestro de bens e como as apurações sobre o jogo do bicho e os repasses a agentes políticos, abertas na quinta fase, se conectam a esta etapa.