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A Procuradoria-Geral da República pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que a investigação sobre a chamada 'Abin Paralela' seja transferida para a primeira instância da Justiça Federal. O procurador-geral Paulo Gonet argumenta que Jair Bolsonaro era a única autoridade com foro privilegiado no caso e que sua conduta já foi analisada na ação penal da trama golpista, em que foi condenado.
A Procuradoria-Geral da República pediu nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026, que a investigação sobre a chamada 'Abin Paralela' deixe o Supremo Tribunal Federal e passe a tramitar na primeira instância da Justiça Federal. A manifestação, assinada pelo procurador-geral Paulo Gonet, foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, e pode alterar o rumo das apurações que atingem aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No parecer, Gonet argumenta que Bolsonaro era a única autoridade com foro privilegiado vinculada ao inquérito e que sua conduta já foi analisada na ação penal da trama golpista, na qual o ex-presidente foi condenado. Segundo o procurador-geral, os fatos que ainda permanecem sob investigação não guardam relação imediata com autoridade detentora de foro especial nem com a finalidade antidemocrática que justificou a atuação da Corte em etapas anteriores. Caso Moraes acolha o pedido, as investigações sairão das mãos do relator e passarão a um juiz de primeira instância, alcançando investigados como o ex-vereador Carlos Bolsonaro e o ex-diretor da Abin e ex-deputado Alexandre Ramagem.
A cobertura de centro relatou os fatos com distanciamento, detalhando o conteúdo do relatório final da Polícia Federal apresentado em 2025. Segundo a PF, existiu uma estrutura clandestina dentro da Abin destinada a monitorar autoridades, jornalistas e adversários políticos entre 2019 e 2022, sob o comando de Ramagem, então diretor-geral da agência. Os investigadores apontam o uso do sistema de geolocalização First Mile para monitoramentos ilegais e sustentam que Bolsonaro e Carlos Bolsonaro integrariam o núcleo político responsável por definir os alvos.
Veículos de esquerda destacaram que o esquema operou durante o governo Bolsonaro e enquadraram o caso como o desvio da inteligência pública para perseguição de opositores e disseminação de desinformação. Essa cobertura também enfatizou um dado que tende a ser lido como proteção institucional ao governo atual: a investigação alcançou o diretor-geral da Abin na gestão Lula, Luiz Fernando Corrêa, indiciado pela PF por obstrução, mas a PGR entendeu que os fatos relacionados a ele devem ser examinados na primeira instância e não apresentou denúncia formal.
Veículos de direita tendem a enfatizar o argumento central do próprio parecer da PGR: o de que o STF não tem mais base legal para manter o caso, já que os fatos remanescentes se concentram em ilícitos contra a administração pública decorrentes de violação de deveres funcionais, e não em crimes contra a democracia. Sob esse prisma, a remessa à primeira instância representa o retorno ao juízo natural e o esvaziamento de uma competência excepcional da Suprema Corte concentrada em um único relator.
O que ainda não se sabe é se Moraes acolherá o pedido e quando decidirá, qual juízo de primeira instância assumiria o caso e como a defesa dos investigados reagirá à nova manifestação. Também permanece em aberto o desfecho dos fatos remanescentes apontados pela PF e a situação do atual diretor-geral da Abin diante do indiciamento por obstrução.
Centro e esquerda reconhecem que a PGR pediu a transferência do caso para a primeira instância, que Bolsonaro era a única autoridade com foro investigada e que a PF documentou uma estrutura de monitoramento ilegal na Abin entre 2019 e 2022.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
O corpo é majoritariamente factual e atribui as afirmações à PGR, citando o parecer de Gonet. O enquadramento é de veículo de esquerda: enfatiza que o esquema operou 'durante o governo de Jair Bolsonaro' e destaca o indiciamento e a não denúncia do atual diretor da Abin no governo Lula, sinalizando proteção institucional do governo atual.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Texto factual, atribui as afirmações à PGR e à PF, cita o parecer de Gonet com citação literal e descreve o conteúdo do relatório da PF sem vocabulário valorativo. Apresenta os fatos da apuração com distanciamento, característico de cobertura de centro.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.
Pedido foi apresentado um ano após conclusão do inquérito da PF sobre esquema de espionagem ilegal

Paulo Gonet defendeu o envio do caso à primeira instância e afirmou que apenas Jair Bolsonaro tinha foro privilegiado no processo
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