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A Procuradoria-Geral da República, por Paulo Gonet, manifestou-se ao STF nesta quinta-feira (18) contra a suspensão cautelar da Lei da Dosimetria, norma que altera o cálculo de penas e a progressão de regime em crimes contra o Estado Democrático de Direito e pode beneficiar condenados pelo 8 de janeiro, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para a PGR, não há plausibilidade jurídica nas alegações de inconstitucionalidade que justifique suspender a norma antes do julgamento do mérito.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (18 de junho de 2026), um parecer contrário à suspensão imediata da chamada Lei da Dosimetria. A norma, identificada como Lei 15.402/2026, altera os critérios de cálculo de penas e de progressão de regime para crimes contra o Estado Democrático de Direito, e pode beneficiar os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro, sentenciado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
No documento dirigido ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, o procurador-geral Paulo Gonet pediu o indeferimento das medidas cautelares. Para ele, não há plausibilidade jurídica nas alegações de inconstitucionalidade que justifique suspender a norma antes de o STF julgar o mérito. As ações (ADIs 7.966 a 7.969) foram movidas pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e por partidos como PSOL, Rede, PT, PV e PCdoB. A norma havia sido vetada integralmente pelo presidente Lula, mas parte do veto foi derrubada pelo Congresso, que promulgou a lei. Em 9 de maio, Moraes já havia suspendido sua aplicação.
A cobertura de centro, como a do G1 e da coluna do Metrópoles, manteve o foco no fato: relatou que o parecer trata apenas da cautelar, e não do mérito, e detalhou o rito do veto derrubado e a suspensão anterior de Moraes, sem juízo de valor. Os veículos de centro também esclareceram a distinção técnica entre suspender a lei agora e julgar sua validade depois.
A partir desse fato comum, os enquadramentos divergem. Veículos de esquerda, como a Carta Capital, deram peso aos argumentos dos autores das ações: sustentam que houve violação do bicameralismo, porque o Senado teria alterado substancialmente o projeto sem devolvê-lo à Câmara, e que criar redução de pena para crimes praticados em contexto de multidão banaliza os ataques às instituições e enfraquece a tutela do Estado Democrático de Direito. Para esse lado, a lei foi talhada para beneficiar especificamente os condenados pelo 8 de janeiro, e a Advocacia-Geral da União (AGU) reforça a tese de inconstitucionalidade ao apontar usurpação de competência do Executivo.
Veículos de direita, como a Veja e a Jovem Pan, enfatizaram a tese central de Gonet: a de que a lei usa categorias abstratas e gerais, não individualiza beneficiários, não menciona pessoas ou fatos específicos e, por isso, não pode ser considerada inconstitucional apenas por permitir a redução de penas. Essa cobertura destacou ainda que o Congresso tem competência para rejeitar parcialmente um veto total e que as mudanças do Senado foram apenas aperfeiçoamento técnico, sem desfigurar o texto aprovado pela Câmara.
O que ainda não se sabe é quando o STF marcará o julgamento. A data não foi definida, e o mérito das ações, que decidirá em definitivo sobre a validade da norma e o destino dos pedidos de redução de pena dos condenados pelo 8 de janeiro, segue pendente de análise pelo plenário.
Todos os lados relatam o mesmo fato central: a PGR, por Paulo Gonet, manifestou-se contra a suspensão cautelar da Lei da Dosimetria, que pode beneficiar condenados pelo 8 de janeiro, incluindo Bolsonaro, e o caso agora pode ir ao plenário do STF.
5 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículo de viés à esquerda. Detalha com mais peso os argumentos dos autores das ações (PSOL, PT, Rede, PV, PCdoB, ABI): violação do bicameralismo, banalização de ataques às instituições, enfraquecimento da tutela do Estado Democrático de Direito. Vocabulário de defesa das instituições e da democracia típico do enquadramento à esquerda, ainda que reporte fielmente a posição da PGR.
Veículos com viés ao centro
Cobertura neutra de agência (G1). Resume o fato central, o histórico do veto de Lula derrubado pelo Congresso e a suspensão por Moraes, sem vocabulário valorativo. Padrão factual de referência.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Cobertura amplamente factual de veículo de viés à direita. Dá destaque ao argumento de Gonet de que a lei não individualiza beneficiários, enquadramento favorável à validade da norma que beneficia Bolsonaro, citando a posição da AGU de forma resumida.
Perspectivas omitidas
Nova norma foi suspensa por Alexandre de Moraes em maio. Lei alterou critérios de progressão de regime para crimes contra o Estado Democrático de Direito.

Parecer foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF)

A norma alterou critérios de progressão de regime para crimes contra o Estado Democrático de Direito e pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)

Paulo Gonet deu parecer somente da cautelar, não trata do mérito. Neste momento, a PGR é contra a suspensão da lei aprovada pelo Congresso

A medida, que foi aprovada no Congresso Nacional, beneficia os condenados do 8 de Janeiro
Reporte para que a equipe revise. Sua contribuição ajuda a melhorar a cobertura.
Coluna do Metrópoles com enquadramento factual e técnico. Esclarece que o parecer trata apenas da cautelar e não do mérito, lista as quatro ADIs por número. Tom neutro, sem vocabulário valorativo carregado.
Perspectivas omitidas
Veículo de viés à direita. Reporta o parecer com citação direta de Gonet defendendo que não houve desfiguração da proposição, enquadramento favorável à validade da lei. Dá peso ao contexto da suspensão de Moraes e aos dez pedidos de redução de pena dos condenados do 8 de janeiro, sem desenvolver o lado dos autores das ações.
Perspectivas omitidas



