O PL definiu nesta semana as últimas peças do palanque eleitoral do senador Flávio Bolsonaro e fechou chapas compostas apenas por quadros do próprio partido. No Rio de Janeiro, na terça-feira, dia 4 de agosto, a legenda anunciou o deputado federal Carlos Jordy como candidato ao Senado e a vereadora de Niterói Fernanda Louback como candidata a vice-governadora, na chapa encabeçada pelo presidente da Assembleia Legislativa fluminense, Douglas Ruas. Na quarta-feira, dia 5, o senador anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar, de Alagoas, como candidato a vice-presidente na chapa nacional.
As duas definições vieram depois de a federação formada por União Brasil e PP comunicar, na segunda-feira, que não integraria a aliança do PL no estado do Rio. Com isso, a base eleitoral do senador fica sem alianças formais, situação que a candidatura presidencial também tende a enfrentar. A chapa fluminense havia sido a primeira apresentada por Flávio Bolsonaro, em fevereiro, e três dos quatro aliados de então deixaram o grupo desde a montagem original.
A cobertura de centro relatou a cronologia dessas baixas com detalhamento. O ex-governador Cláudio Castro desistiu de concorrer ao Senado em maio, depois de ser alvo de duas operações da Polícia Federal e já com a pré-candidatura fragilizada por uma condenação a inelegibilidade imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral. O ex-deputado Márcio Canella anunciou na segunda-feira que também deixava a disputa pelo Senado, após operação da Polícia Federal que apura suspeita de lavagem de dinheiro em postos de gasolina, e vai tentar novo mandato estadual. Rogério Lisboa, ex-prefeito de Nova Iguaçu, havia desistido da vaga de vice na chapa estadual cerca de uma semana antes. Antes de todos eles, o plano inicial do partido era lançar Rodrigo Bacellar ao governo, substituído após prisão sob acusação de vazar informação sobre operação contra um deputado ligado ao Comando Vermelho. Os textos de centro registram ainda um efeito prático da falta de aliados: a redução do tempo de propaganda de televisão, decisiva para um candidato ao governo estadual pouco conhecido fora de sua base em São Gonçalo.
Os pontos factuais são os mesmos nas diferentes coberturas. Todas registram que a federação saiu, que os nomes escolhidos são do próprio PL, que Jordy vai ao Senado, que Louback assume a vaga de vice-governadora e que Gaspar foi anunciado como vice na chapa presidencial. Também há convergência sobre o histórico do escolhido para vice: deputado federal de primeiro mandato, ex-promotor e ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas, ex-secretário de Segurança Pública do estado, hoje relator da comissão parlamentar mista de inquérito que apura descontos indevidos em benefícios do INSS. Ele deixou o União Brasil em março para se filiar ao PL a convite do próprio senador.
A divergência aparece na interpretação. Veículos de esquerda descreveram a definição como novo revés e como confirmação do isolamento da candidatura: sem conseguir atrair partidos do Centrão nem ampliar alianças regionais, o partido teria recorrido a uma solução interna que preserva o protagonismo da família e abre mão da vaga de vice como instrumento de coalizão. Esses textos também questionam a tentativa de projetar o candidato a vice a partir da relatoria da comissão do INSS, tratando-a como esforço de dar densidade nacional a um nome de alcance estadual. Já a cobertura de centro descreve o mesmo quadro sem atribuir intenção, apresentando o resultado como consequência encadeada de desistências, operações policiais e decisões judiciais. Veículos de direita não aparecem entre as fontes que cobriram este episódio no conjunto analisado, de modo que o argumento de que uma chapa sem o Centrão representa coerência programática, e não fragilidade, não está representado diretamente nas reportagens reunidas.
O que ainda não se sabe é como esse desenho afeta a campanha na prática. Não há informação sobre quanto tempo de propaganda de televisão a chapa fluminense terá de fato, sobre a existência de negociações em curso com outros partidos em âmbito nacional, nem sobre o desfecho das investigações que atingiram integrantes do palanque original. Também não está claro se o modelo de chapa própria adotado no Rio será repetido nos demais estados.