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A parcela de profissionais do setor de infraestrutura que considera o cenário favorável a novos investimentos caiu de 54,2% no segundo semestre de 2025 para 37,8% no primeiro semestre de 2026, recuo de 16,4 pontos percentuais, enquanto a avaliação desfavorável subiu de 20,4% para 30,9%. Os dados são da 15ª edição de uma pesquisa semestral feita por uma associação do setor em parceria com uma consultoria, que ouviu 233 gestores, investidores e especialistas entre 8 e 23 de junho de 2026. A queda de humor contrasta com o desempenho dos aportes: em 2025 os investimentos públicos e privados somaram R$ 280,4 bilhões, maior valor da série iniciada em 2010.
A percepção favorável a novos investimentos em infraestrutura caiu de 54,2% para 37,8% entre o segundo semestre de 2025 e o primeiro de 2026, segundo pesquisa semestral do setor. O recuo vem logo depois de um ano recorde de aportes, e os entrevistados apontam eleições, juros, reforma tributária e instabilidade externa como as principais fontes de incerteza.
O otimismo do setor de infraestrutura brasileiro com novos investimentos recuou de forma acentuada no primeiro semestre de 2026. A parcela de gestores, investidores e especialistas que considera o cenário favorável a novos aportes caiu de 54,2% no segundo semestre de 2025 para 37,8%, uma redução de 16,4 pontos percentuais, enquanto a avaliação desfavorável subiu de 20,4% para 30,9%. Os dados integram a 15ª edição do Barômetro da Infraestrutura, pesquisa semestral de uma associação do setor em parceria com uma consultoria de estratégia, que ouviu 233 profissionais entre 8 e 23 de junho de 2026 e foi divulgada nesta quarta-feira.
O recuo contrasta com o desempenho recente dos aportes. Em 2025, os investimentos públicos e privados em infraestrutura somaram R$ 280,4 bilhões, o maior valor da série histórica iniciada em 2010, acima dos R$ 271,7 bilhões de 2024 e dos R$ 235,5 bilhões de 2023. O capital privado respondeu por R$ 220,5 bilhões, ou 78,6% do total, ante R$ 59,9 bilhões de recursos públicos. A piora, portanto, está na expectativa sobre as condições para novos projetos nos próximos seis meses, e não no volume já executado. Mesmo com o recorde, a associação sustenta que o país precisaria investir cerca de R$ 500 bilhões por ano, durante dez anos, para fechar o déficit acumulado.
A cobertura de centro relatou o resultado em chave descritiva, apresentando um segmento em modo de cautela diante de riscos externos e internos logo depois de um ano recorde, sem atribuir responsabilidade a nenhum ator específico. Veículos de direita enfatizaram as causas apontadas pelos próprios entrevistados e o peso do calendário político: eleições, inflação, juros, preço do petróleo, custos de logística, protecionismo comercial e reforma tributária. Nesse enquadramento ganha destaque o trecho em que a pesquisa pergunta sobre o resultado da votação de outubro. Diante da hipótese de vitória de um candidato de oposição ao atual governo, 43,8% dos participantes disseram esperar impacto positivo sobre o volume de investimentos, 26,2% projetaram impacto negativo e 23% acreditam que o patamar se manteria. No cenário de continuidade, 31% entendem que uma reeleição poderia ter efeito negativo sobre os investimentos.
Nenhum veículo de esquerda cobriu o levantamento até o momento, o que configura um ponto cego. A leitura previsível desse campo partiria da própria composição dos números: 78,6% do investimento em 2025 veio do setor privado, e as prioridades listadas pelos entrevistados são ampliação de concessões e parcerias público-privadas do governo federal, com 26,2%, maior segurança jurídica nos contratos, com 24,6%, e novas alternativas de financiamento, com 20,9%. É uma agenda de garantias ao investidor, num levantamento cuja amostra é formada por agentes com interesse direto nessa expansão e que declara maioria favorável à alternância no comando do Executivo.
Os dados setoriais completam o quadro. Saneamento básico lidera a expectativa de aumento das intenções de investimento nos próximos três anos, com 50,4% das menções, seguido por rodovias, com 45,7%. Ferrovias registraram o maior avanço, de 32,8% para 40,9%, assumindo a terceira posição, enquanto energia elétrica recuou de 38,5% para 35,7%. A avaliação sobre o aproveitamento do potencial federal para concessões teve leve melhora, de 53,2% para 54,6% de avaliações positivas agregadas, mas os municípios seguem como principal gargalo: 74% dos entrevistados consideram o potencial municipal pouco ou nada aproveitado. Sobre a reforma tributária, 62% afirmaram que suas empresas já estudam os efeitos das mudanças nos contratos. A instabilidade externa também pesa: 64,2% relataram grau relevante de exposição aos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre petróleo e logística, e 58,9% apontaram impacto médio ou alto do protecionismo comercial.
O que ainda não se sabe é se essa cautela declarada vai se converter em queda efetiva de aportes, já que a série mostra oscilações fortes de percepção sem correspondência imediata no volume investido. Também não há, no material disponível, detalhamento do perfil dos 233 respondentes nem margem de erro do levantamento, nem manifestação do governo federal ou de gestores municipais sobre o diagnóstico de gargalo apontado pelo setor.
Toda a cobertura registra os mesmos dois fatos e não os disputa: o investimento em infraestrutura bateu recorde em 2025, com R$ 280,4 bilhões, e mesmo assim a confiança do setor em novos aportes caiu no primeiro semestre de 2026. Também há convergência de que a piora está na expectativa sobre os próximos seis meses, não no volume já realizado.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
O trecho disponível é descrição neutra do resultado da pesquisa, sem vocabulário valorativo e sem enquadramento ideológico. O contraste entre recorde de aportes e queda de otimismo é apresentado como fato, não como acusação. A leitura fica limitada porque o texto se encerra na convocação de assinatura, então a confiança é moderada.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial direita.
O texto é relato de dados com atribuição explícita: identifica a associação e a consultoria responsáveis, nomeia as fontes e chega a sinalizar quando a informação vem do release distribuído à imprensa. Não editorializa nem adjetiva o governo. O único sinal de inclinação pró-mercado é de seleção: dá espaço ao cenário eleitoral favorável à oposição (43,8%) e à agenda de segurança jurídica e PPPs sem contraponto de quem defende investimento público direto. Insuficiente para deslocar o artigo para RIGHT.

Percepção favorável aos investimentos recuou de 54,2% para 37,8% em seis meses, apesar do recorde de R$ 280,4 bilhões investidos em 2025

Segmento está em ‘modo cautela’ frente a riscos externos e internos
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Perspectivas omitidas


