A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 7 de julho de 2026, a sexta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro montado a partir de uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro. Entre os alvos está o ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado Márcio Canella, do União Brasil, além do ex-chefe da Polícia Civil fluminense Marcus Amim. Foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão na capital e em cidades como Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende, com bloqueio de bens e suspensão das atividades de empresas ligadas aos investigados.
Há convergência entre os veículos sobre os fatos centrais. A cobertura de centro relatou, de forma direta, que um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, identificou movimentações superiores a 7,6 bilhões de reais nos últimos seis anos, e que a Justiça autorizou os mandados e os bloqueios. Todos os veículos registram que a apuração trata de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis e que a ação está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
É na leitura do contexto político que as coberturas divergem. Veículos de esquerda destacaram que Márcio Canella é a aposta do senador Flávio Bolsonaro, do PL, para a disputa ao Senado pelo Rio, e que o ex-delegado Marcus Amim comandou a Polícia Civil durante a gestão do governador Cláudio Castro, também do PL. Essa cobertura enfatiza que o esquema investigado lavaria dinheiro do Comando Vermelho com participação de agentes públicos, e lembra que Canella, quando prefeito, nomeou dois condenados por práticas de milícia para secretarias municipais. O recorte cobra responsabilização não só do investigado, mas das lideranças que o apadrinham.
A cobertura de centro, por sua vez, manteve o foco no fato policial e nos números, sem enfatizar o vínculo partidário: descreve os alvos, os valores e os mandados, e omite o gancho eleitoral que a esquerda coloca no primeiro plano. A leitura de direita provável, diante desses mesmos fatos, tenderia a tratar o alvo como pré-candidato individual, sublinhando a presunção de inocência numa fase ainda de investigação e distinguindo a responsabilidade pessoal do investigado da de seu partido, ao mesmo tempo em que valorizaria a eficiência da Polícia Federal e do Coaf no rastreamento dos recursos ilícitos.
O que ainda não se sabe fecha o caso. Até a última atualização das reportagens, nem Canella nem Amim haviam se manifestado, e o ex-delegado não havia sido localizado. Não há posicionamento público de Flávio Bolsonaro sobre a manutenção da indicação após a operação, tampouco detalhamento sobre eventuais denúncias formais ou próximos passos processuais. A investigação segue em curso e, segundo a PF, outros crimes podem surgir no avanço da apuração.