Alcolumbre destrava PEC do fim da escala 6x1 após retomar diálogo com Lula
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, assinou o despacho que envia à Comissão de Constituição e Justiça a proposta de emenda à Constituição que extingue a escala 6x1 e fixa jornada de 40 horas semanais. A liberação ocorreu depois de o senador retomar o diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, interrompido desde a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. No mesmo movimento, foram destravadas a PEC da Segurança Pública e o projeto sobre minerais críticos e terras raras. O presidente da comissão, Otto Alencar, afirmou ter votos para aprovar o texto no colegiado, mas não no plenário. O Congresso tem esforço concentrado marcado para o período de 31 de agosto a 4 de setembro.
A pauta que mais mobiliza trabalhadores urbanos voltou a andar no Senado depois de meses parada na gaveta da presidência da Casa. A proposta acaba com a escala 6x1, que obriga seis dias de trabalho para um de descanso, e fixa a jornada em 40 horas semanais sem redução de salário.
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Todas as coberturas registram os mesmos fatos: Davi Alcolumbre despachou a PEC do fim da escala 6x1 para a Comissão de Constituição e Justiça, o gesto veio após a retomada do diálogo com Lula, e no mesmo movimento foram liberadas a PEC da Segurança Pública e o projeto sobre minerais críticos. Nenhuma cobertura afirma que há votos garantidos no plenário do Senado.
O Senado retomou a tramitação da proposta que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada semanal para 40 horas. O despacho de Davi Alcolumbre para a Comissão de Constituição e Justiça veio depois da reaproximação com Lula, a menos de dois meses das eleições, e colocou a votação no radar do esforço concentrado do Congresso marcado para o fim de agosto.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, assinou em 18 de agosto de 2026 o despacho que envia à Comissão de Constituição e Justiça a proposta de emenda à Constituição que extingue a escala de trabalho 6x1 e fixa a jornada em 40 horas semanais. O texto já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados e estava parado na Mesa Diretora. No mesmo movimento, Alcolumbre destrancou a PEC da Segurança Pública e o projeto de lei sobre minerais críticos e terras raras, as três pautas que o governo federal quer levar aprovadas ao debate eleitoral.
A liberação veio dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Alcolumbre retomarem o diálogo, rompido desde 29 de abril, quando o Senado rejeitou a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. A reaproximação foi selada em um jantar oferecido pelo ministro Alexandre de Moraes. Em paralelo, Lula divulgou nas redes sociais um vídeo em que cobra nominalmente Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta, pela aprovação da medida provisória que derruba o imposto sobre compras internacionais de até 50 dólares, apelidado de taxa das blusinhas.
A cobertura de centro relatou o episódio como um acerto pragmático entre dois interesses simultâneos. De um lado, o Palácio do Planalto quer aprovar as propostas antes do pleito, e uma fonte do governo admitiu que a votação depois da eleição fica mais difícil, porque os senadores deixariam de sentir a pressão dos eleitores. Do outro, Alcolumbre precisa do apoio federal nas eleições do Amapá, onde o governador aliado Clécio Luís enfrenta reeleição disputada, e calcula seu próprio futuro no comando do Senado em 2027, cenário em que teria pela frente o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Os mesmos veículos registraram que Marinho é autor de uma PEC alternativa, com jornada flexível baseada em remuneração por hora trabalhada e em acordos individuais ou coletivos.
Veículos de esquerda destacaram o lado trabalhista da proposta e o papel da articulação presidencial no destravamento. Nessa cobertura, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Otto Alencar, afirma ter votos para aprovar o fim da escala 6x1 no colegiado, embora reconheça não saber o desfecho no plenário. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão, projeta votação nas próximas semanas, e a deputada Daiana Santos, autora de projeto de igual teor na Câmara, defende a jornada de 40 horas sem redução de salário e avalia que a votação só deve ocorrer depois das eleições, razão pela qual pede pressão contínua sobre os senadores. Não houve, até o momento, cobertura de veículos de direita neste conjunto de matérias, e os argumentos contrários à proposta aparecem apenas de forma indireta, pela menção à PEC alternativa e à resistência do setor varejista ao fim da taxação de importados, que alega concorrência desleal de produtos chineses.
A divergência de fundo não está nos fatos, mas no que cada cobertura coloca em primeiro plano. A leitura de esquerda trata o despacho como avanço de direitos e mede o sucesso pela votação em si. A leitura de centro trata o mesmo despacho como moeda de troca eleitoral e mede o sucesso pela capacidade do Executivo de atribuir ao Congresso a responsabilidade caso a proposta não passe. Há inclusive discordância sobre o calendário: enquanto o governo trabalha para votar até 2 de setembro, mantendo o texto da Câmara para seguir direto à promulgação, parlamentares da própria base já falam em votação apenas após o pleito.
O que ainda não se sabe é se existe maioria no plenário do Senado, onde nem o presidente da comissão arrisca previsão. Também não está definido se os senadores manterão o texto aprovado pelos deputados ou apresentarão mudanças que obriguem o retorno à Câmara, nem se a medida provisória da taxação de compras internacionais será analisada antes de perder a validade. Não houve acordo, no jantar, sobre a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, e nenhuma das partes se comprometeu publicamente com a aprovação de qualquer matéria. O esforço concentrado do Congresso está marcado para o período de 31 de agosto a 4 de setembro.
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