A Quaest divulgou na segunda-feira, 24 de agosto de 2026, pesquisas de intenção de voto para o primeiro turno da eleição presidencial em seis estados, e o retrato que sai delas é o de um país partido em duas metades geográficas. No Maranhão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, aparece com 58% das intenções de voto, contra 20% do senador Flávio Bolsonaro, do PL. No Rio Grande do Norte, a vantagem do petista é de 56% a 19%, e em Alagoas, de 44% a 29%. A direção se inverte no Sul: Flávio Bolsonaro tem 45% em Santa Catarina, contra 20% de Lula; 41% no Paraná, contra 23%; e 34% no Rio Grande do Sul, contra 28%.
O levantamento ouviu entre 804 e 900 eleitores por unidade da federação, em entrevistas presenciais feitas em domicílio entre os dias 20 e 23 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%, e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral. Nenhum outro candidato passa de 5% em qualquer um dos seis estados: Ronaldo Caiado, do PSD, chega a 5% no Paraná; Renan Santos, do Missão, a 4% em Santa Catarina; Romeu Zema, do Novo, a 3%. Os índices de indecisos são mais altos justamente onde a disputa é menos assimétrica, com 18% no Rio Grande do Sul e 17% no Paraná.
A cobertura de centro relatou os números estado a estado sem enquadramento adicional, tratando o resultado como confirmação de uma geografia eleitoral já conhecida, e acompanhou o momento da campanha por um segundo ângulo: a reorganização do entorno do presidente, em que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, passou a concentrar funções de campanha e a atuar como um dos principais porta-vozes da equipe. A avaliação, atribuída a aliados, é a de que ele reúne confiança do chefe do Executivo e trânsito sem ruído junto ao mercado financeiro.
Veículos de esquerda destacaram o desdobramento estadual do mesmo levantamento, com atenção à disputa pelo governo do Rio Grande do Norte. Ali, o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra, do União Brasil, lidera com 25%, seguido por Cadu de Lula, do PT, com 21%, e por Álvaro Dias, do PL, com 19%, os dois últimos empatados dentro da margem de erro. Na pesquisa espontânea, sem lista de nomes, a ordem se mantém. Nos cenários de segundo turno, Allyson Bezerra e Cadu de Lula aparecem em empate técnico, 35% a 34%, e o candidato do PT fica à frente de Álvaro Dias por 36% a 31%.
Veículos de direita não produziram cobertura própria das pesquisas no conjunto de matérias reunidas. O argumento desse campo aparece na reprodução da fala do próprio Flávio Bolsonaro, que justificou a ausência no primeiro debate presidencial, realizado no domingo, 23, afirmando que só pretende debater com quem chama de único adversário, o presidente. No vídeo, o senador atribuiu ao governo a perda de poder de compra, o endividamento das famílias e o aumento dos pedidos de recuperação judicial, prometeu reduzir impostos, decretos e atos normativos, defendeu o enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas e disse que, se eleito, decretará que o país pertence a Jesus Cristo. Também explorou os três inquéritos da Polícia Federal sobre Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, que apuram suspeitas de tráfico de influência e corrupção. O investigado nega atuação irregular, e Lula afirmou no domingo que não interfere no trabalho da corporação e que defende a apuração das suspeitas.
O que ainda não se sabe é como esse mapa se traduz em voto nacional. Não há, no material disponível, pesquisa presidencial agregada divulgada junto com os seis recortes estaduais, nem cenário de segundo turno para a Presidência em nenhum deles. Também não há medição do efeito da ausência de Lula, de Flávio Bolsonaro e de Romeu Zema no primeiro debate, nem dados sobre as outras vinte e uma unidades da federação.