O instituto Nexus divulgou na segunda-feira, 24 de agosto de 2026, uma nova pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República, contratada pelo Banco BTG Pactual e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09028/2026. Foram 2.006 entrevistas por telefone, realizadas entre 21 e 23 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
No cenário estimulado com todos os candidatos registrados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, aparece com 41% das intenções de voto, contra 37% do senador Flávio Bolsonaro, do PL. A diferença de quatro pontos está no limite da margem de erro e configura empate técnico. Ronaldo Caiado, do PSD, marca 5%, enquanto Renan Santos, do Missão, e Romeu Zema, do Novo, aparecem com 3% cada. Num segundo cenário estimulado, que inclui Pablo Marçal, do PRTB, Lula sobe para 40% e Flávio Bolsonaro cai para 34%, uma vantagem de seis pontos para o presidente, com Marçal em 4%. Na pesquisa espontânea, em que nenhum nome é apresentado ao entrevistado, Lula tem 38% e Flávio Bolsonaro, 31%, com 15% que não sabem ou não responderam.
O levantamento testou ainda quatro simulações de segundo turno, todas com Lula. Contra Flávio Bolsonaro, o petista tem 46% e o senador, 45%. Contra Ronaldo Caiado, são 46% a 42%, também dentro da margem de erro. Diante de Romeu Zema, 47% a 40%, e diante de Renan Santos, 47% a 35%.
Os números e a ficha técnica são o terreno comum de toda a cobertura, mas a ênfase divide as leituras. Veículos de direita publicaram a série completa de cenários, com destaque para o quadro em que Lula abre seis pontos e para o contexto jurídico de Pablo Marçal, que obteve liminar para voltar ao PRTB e registrar candidatura mesmo seguindo inelegível por decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo até 2032. A cobertura de centro se ateve ao núcleo factual do levantamento: quem lidera, por quanto, sob qual margem de erro e com qual registro no Tribunal Superior Eleitoral, sem estender a leitura para além dos dados. Veículos de esquerda enfatizaram o empate técnico e a moldura de corrida acirrada no primeiro e no segundo turnos, publicando apenas o cenário mais apertado e o duelo direto de 46% a 45%, sem detalhar os confrontos em que a distância entre Lula e seus adversários é maior que a margem de erro.
A escolha de cenário é justamente o ponto em que a disputa de narrativa aparece. O mesmo levantamento sustenta duas frases verdadeiras e opostas em tom: Lula lidera todos os recortes testados, do voto espontâneo às quatro simulações de segundo turno, e Lula não alcança 50% em nenhum desses segundos turnos, com um adversário a um ponto de distância. Quem seleciona o cenário com Pablo Marçal encontra seis pontos de vantagem para o presidente; quem seleciona o cenário sem ele encontra quatro pontos e empate técnico. A fragmentação do campo adversário, distribuído entre Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Marçal, é lida de um lado como enfraquecimento da oposição e do outro como reserva de votos ainda por consolidar.
O que ainda não se sabe é considerável. A divulgação não traz índices de rejeição dos candidatos, recortes por região, renda, escolaridade, gênero ou faixa etária, nem comparação com rodadas anteriores do próprio instituto, o que impede afirmar se há movimento de alta ou de queda para qualquer nome. Também segue em aberto a permanência de Pablo Marçal na disputa, já que a candidatura se apoia em liminar enquanto pesa sobre ele decisão de inelegibilidade até 2032, e não há informação sobre novos cenários caso o quadro de candidaturas registradas mude até a votação.