O primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República na eleição de 2026 foi realizado na noite de domingo, 23 de agosto, em São Paulo, e abriu o calendário de confrontos televisivos que antecede o primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Seis candidatos haviam sido convidados: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). Lula e Flávio Bolsonaro, que lideram as pesquisas de intenção de voto, decidiram não comparecer, e Zema anunciou a desistência de última hora. O encontro acabou travado entre Caiado, Cury e Renan Santos, com os púlpitos reservados aos ausentes deixados vazios, conforme a regra combinada previamente entre partidos e organizadores.
Restam três debates presidenciais até a votação. O próximo está marcado para 14 de setembro, às 22h, organizado por um consórcio de 11 veículos de comunicação, com sorteio já realizado que coloca Lula e Flávio Bolsonaro lado a lado no palco e define a ordem das considerações finais. Em 27 de setembro, às 21h, ocorre o terceiro encontro, e em 1º de outubro, três dias antes da votação, o último antes do primeiro turno. As regras desses dois últimos ainda não foram divulgadas. Caso a eleição vá a segundo turno, a votação ocorre em 25 de outubro, e ao menos um organizador já prevê novo debate em 18 de outubro.
Os pontos legais são idênticos em toda a cobertura. Pela legislação eleitoral, têm participação garantida nos debates de rádio e televisão os candidatos filiados a partidos, federações ou coligações com pelo menos cinco representantes no Congresso Nacional, desde que o registro de candidatura esteja deferido. Hoje esse critério alcança Lula, Flávio Bolsonaro, Caiado e Cury; os demais dependem de convite dos organizadores. Ao todo, 13 candidaturas foram registradas no Tribunal Superior Eleitoral. Pablo Marçal (PRTB) está proibido pela Corte de participar de debates e do horário eleitoral em rádio e televisão enquanto aguarda o julgamento de seu registro, por estar inelegível. No primeiro turno, os debates podem ser realizados até as 7h da sexta-feira anterior à eleição; no segundo, até a meia-noite da sexta-feira anterior ao pleito.
A divergência aparece no enquadramento. A cobertura de centro concentrou-se na mecânica e no serviço: sorteio das posições, dois minutos para cada resposta programática, um minuto para formular perguntas e quatro minutos para resposta com réplica e tréplica, divisão em blocos e prazos legais de realização. Nessa abordagem, a ausência dos dois primeiros colocados nas pesquisas é registrada como fato apurado, sem julgamento. Veículos de direita deram relevo à ausência em si e ao efeito dela sobre o eleitor, destacando que Flávio Bolsonaro condicionava a própria presença à do adversário e emoldurando a noite com a leitura de que candidato que não vai ao debate se furta ao escrutínio. Veículos de esquerda não integram o conjunto de matérias analisado, de modo que não há framing desse campo para reportar; a partir apenas dos fatos disponíveis, a leitura provável desse lado recairia sobre o critério dos cinco representantes no Congresso Nacional, que restringe o acesso ao palco a partidos já estruturados, e sobre o direito do eleitor à comparação entre projetos de governo em um espaço de concessão pública.
O que ainda não se sabe é o essencial para o próximo encontro. Nenhuma das campanhas confirmou se Lula e Flávio Bolsonaro estarão no debate de 14 de setembro, apesar de já constarem do sorteio. As regras dos debates de 27 de setembro e de 1º de outubro não foram divulgadas. Também não há data anunciada para o julgamento do registro de Pablo Marçal no Tribunal Superior Eleitoral, nem definição pública sobre quais candidatos fora do critério legal receberão convite dos organizadores.