Fernando Cerimedo, investigado na trama golpista, é preso na Bolívia
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A prisão de Fernando Cerimedo na Bolívia expõe, para a leitura de esquerda, a face concreta de uma rede transnacional da extrema direita que industrializou a desinformação eleitoral. O argentino não é um consultor qualquer: montou empresas de publicidade e tecnologia em Buenos Aires, fundou um portal ultradireitista, foi peça da campanha de Javier Milei, recebeu Eduardo Bolsonaro na Argentina e, dias após a derrota de Jair Bolsonaro em 2022, transmitiu ao vivo um suposto relatório que semeou dúvida sobre as urnas eletrônicas brasileiras e serviu de combustível para a mobilização golpista. Documentos da Polícia Federal o situaram no Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral. Agora, o mesmo operador aparece como suspeito de encomendar um ataque a tiros contra uma mulher com quem se relacionou, num país onde assessorava informalmente o presidente Rodrigo Paz. Para essa leitura, o caso mostra que a violência simbólica contra as instituições e a violência real contra pessoas nascem do mesmo ecossistema, e que o país segue sem resposta para quem lucra com a destruição da confiança no voto.
O consultor político argentino Fernando Cerimedo foi preso na terça-feira, 18 de agosto de 2026, no Aeroporto Internacional Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, quando embarcaria para Buenos Aires.
Para a leitura de direita, o caso precisa ser lido em duas camadas que a cobertura mais militante embaralha. A primeira é criminal e estrangeira: Fernando Cerimedo foi detido pela polícia boliviana como suspeito de envolvimento em um ataque a tiros contra uma ex-companheira, num episódio que a própria autoridade local trata como conflito pessoal e sobre o qual ainda trabalha com várias hipóteses.
4 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: falácia identificada.
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Todos os lados registram os mesmos fatos: Fernando Cerimedo foi preso no aeroporto de Santa Cruz de la Sierra sob suspeita de envolvimento no ataque a tiros contra uma mulher com quem se relacionou; ele fundou o portal La Derecha Diario e trabalhou na campanha de Javier Milei; a live de 2022 sobre as urnas eletrônicas foi refutada pelo Tribunal Superior Eleitoral; e a Polícia Federal o indiciou no inquérito da tentativa de golpe.
O argentino Fernando Cerimedo, ex-estrategista digital da campanha de Javier Milei e aliado de Eduardo Bolsonaro, foi preso na Bolívia sob suspeita de envolvimento em um ataque a tiros contra uma ex-companheira. No Brasil, ele foi indiciado pela Polícia Federal por difundir informações falsas sobre as urnas eletrônicas, mas não chegou a ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República.
O consultor político argentino Fernando Cerimedo foi preso na terça-feira, 18 de agosto de 2026, no Aeroporto Internacional Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, quando se preparava para embarcar em um voo com destino a Buenos Aires. Ele é suspeito de envolvimento em um ataque a tiros ocorrido na véspera contra uma mulher com quem manteve relacionamento, atingida por três disparos em via pública por dois homens que chegaram de motocicleta vestidos como entregadores. O comandante da Polícia de Santa Cruz, David Gómez, afirmou que os investigadores trabalham com várias hipóteses e que a primeira delas é a de um desentendimento de natureza afetiva entre os dois. Cerimedo nega qualquer participação no crime.
O nome do argentino não é novo no noticiário político brasileiro. Fundador do portal La Derecha Diario, ele atuou na estratégia digital e na organização de fiscais de voto da campanha presidencial de Javier Milei, em 2023, e já havia se aproximado do entorno de Jair Bolsonaro antes disso. Em novembro de 2022, poucos dias depois da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, fez uma transmissão ao vivo em que apresentou um suposto relatório técnico sugerindo irregularidades nas urnas eletrônicas. O Tribunal Superior Eleitoral refutou o material, e a transmissão acabou suspensa. Em 2024, a Polícia Federal o indiciou como integrante do chamado Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral, no inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado. A Procuradoria-Geral da República, sob o comando do procurador-geral Paulo Gonet, decidiu não denunciá-lo: para o órgão, ficou comprovada a divulgação de informações infundadas, mas não a adesão consciente ao projeto golpista.
Esses fatos aparecem em todos os lados da cobertura, assim como a prisão no aeroporto, a investigação boliviana ainda em curso, a ligação com Javier Milei e a amizade com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Há convergência também sobre um episódio recente: em julho de 2026, o ex-deputado fez uma nova transmissão ao vivo com Cerimedo levantando suspeitas sobre a integridade da votação brasileira, meses antes do pleito de outubro.
As ênfases, porém, se separam. Veículos de esquerda trataram o caso como retrato de uma rede transnacional da extrema direita, descrevendo o argentino como articulador de desinformação que conecta Argentina, Brasil e Bolívia, país onde atuava como assessor externo do presidente Rodrigo Paz; parte dessa cobertura apresentou a suspeita como tentativa de assassinato encomendada contra a mulher e associou o consultor à família Bolsonaro já no título, sem registrar que ele nega o crime. A cobertura de centro concentrou-se na reconstituição do ataque, com a dinâmica dos atiradores e as falas literais da polícia boliviana, e tratou a conexão brasileira como contexto documentado. Veículos de direita deram peso à decisão da Procuradoria-Geral da República de não oferecer denúncia por falta de provas de adesão ao golpe e mantiveram o vocabulário restrito à suspeita, sem rótulos ideológicos.
O que ainda não se sabe é o essencial do caso criminal. A polícia boliviana não identificou os autores dos disparos, não formalizou acusação contra Cerimedo e não descartou outras linhas de apuração. A própria cobertura diverge sobre a vítima, ora descrita como esposa, ora como ex-mulher ou ex-namorada, e identificada por nomes diferentes. Não há informação sobre eventual pedido de extradição, sobre o estado de saúde da mulher baleada ou sobre efeitos do episódio nos inquéritos brasileiros, dos quais o argentino já havia ficado de fora na fase de denúncia.
O argentino Fernando Cerimedo, apontado como um dos principais estrategistas digitais da direita e da extrema direita latino-americana, foi detido nesta terça-feira (18) na Bolívia…

Detido na Bolívia, o marqueteiro foi promovido pela família Bolsonaro em 2022 ao espalhar acusações falsas sobre as urnas eletrônicas

Influenciador argentino entrou na mira do MP e da Justiça brasileira após fazer transmissões ao vivo, em 2022. Ele foi preso na Bolívia por suspeita de envolvimento em ataque a tiros contra a ex-mulher

Fernando Cerimedo é ex-estrategista de Javier Milei, presidente da Argentina, e já fez lives descredibilizando o sistema eleitoral brasileiro junto ao ex-deputado federal
