Quem vencer a eleição terá de enfrentar ajuste fiscal em 2027, avaliam grandes gestores
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O recado do Macro Day é que a aritmética das contas públicas deixou de admitir adiamento: a despesa pública cresce de forma crônica acima da receita e a dívida chegou a um arranjo que, nas palavras de Carlos Woelz, da Kapitalo Investimentos, não tem como ser pago no desenho atual. A novidade em relação ao início do ano é que o mercado deixou de apostar na troca de governo como condição do ajuste, porque a pressão da dívida cobrará resposta de qualquer eleito, inclusive de Luiz Inácio Lula da Silva em caso de reeleição. O juro real de 9% ao ano com curva ainda inclinada é descrito por Rodrigo Carvalho, da BTG Pactual Asset Management, como uma aberração e como sinal de que o país não está longe de uma dominância fiscal, ou seja, do ponto em que a política monetária perde eficácia diante do endividamento. A correção apontada não é aumento de arrecadação: é disciplina de gasto, com atenção especial ao parafiscal, o conjunto de operações fora do orçamento primário. O sinal de confiança está no fato de que, mesmo assim, os gestores seguem comprados em ativos brasileiros, o que sugere que a reancoragem fiscal ainda é vista como possível.
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No Macro Day, evento promovido pelo banco BTG Pactual em 31 de agosto de 2026, gestores de grandes fundos afirmaram que o próximo governo terá de responder à trajetória da dívida pública já em 2027, mesmo em caso de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Não há acordo sobre o tamanho do ajuste nem sobre as medidas, e o juro real perto de 9% ao ano aparece como principal sinal de alerta.
Gestores dos maiores fundos de investimento do país chegaram a um diagnóstico comum sobre o dia seguinte à eleição presidencial: quem vencer terá de adotar alguma medida para conter a deterioração das contas públicas já em 2027. A avaliação foi feita no Macro Day, evento promovido pelo banco BTG Pactual em 31 de agosto de 2026, e marca uma mudança em relação ao início do ano, quando parte do mercado financeiro apostava que apenas uma troca de governo destravaria um ajuste fiscal capaz de reduzir o risco percebido nos ativos brasileiros.
O argumento central é que a dívida pública passou a crescer num ritmo que nenhum presidente eleito conseguirá ignorar, inclusive em caso de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Rodrigo Carvalho, sócio da BTG Pactual Asset Management, afirmou que a curva de juros, com juro real de 9% ao ano e inclinação ainda positiva, é sinal de que o país talvez não esteja tão distante de uma dominância fiscal, situação em que o endividamento passa a comandar a política monetária. Carlos Woelz, sócio-fundador da Kapitalo Investimentos, comparou o arranjo atual da dívida a uma pirâmide, disse temer que um ajuste pequeno não resolva o problema e apontou o gasto parafiscal como o espaço da correção. Fabiano Rios, sócio-fundador da Absolute Investimentos, avaliou que o momento é de oportunidade e citou empresas de saneamento e energia entre as posições da casa.
Os participantes convergiram no diagnóstico e divergiram no tamanho da conta. Não houve acordo sobre a magnitude do ajuste nem sobre quais medidas seriam adotadas, e a expressão usada no encontro foi a de que a correção virá por bem ou por mal. Apesar da incerteza, nenhum dos gestores se declarou pessimista com os ativos brasileiros: a preferência relatada foi por renda fixa e por setores específicos da Bolsa, com venda de real como proteção, num ano eleitoral em que a volatilidade implícita, ao contrário do usual, está baixa.
Até aqui, o debate do Macro Day chegou ao noticiário por um único veículo, de enquadramento econômico voltado ao investidor e classificado à direita. Não há, por enquanto, cobertura de esquerda nem de centro sobre o mesmo encontro, o que impede a comparação entre versões e reduz o episódio a uma lente só. Por isso, o que segue descreve como cada campo costuma tratar esse tipo de diagnóstico, e não o que veículos de esquerda ou de centro publicaram sobre o evento.
À direita, o enquadramento presente na cobertura é o de que existe um crescimento crônico da despesa pública acima da receita e de que a correção depende de disciplina de gasto, com o parafiscal no centro do esforço, sem aumento adicional de carga tributária. À esquerda, o mesmo conjunto de números costuma ser lido de outro modo: a conta de juros aparece como parte relevante do problema, e não apenas como consequência; a palavra ajuste é tratada como eufemismo para corte em política social enquanto a lista do que será cortado não é apresentada; e o fato de o diagnóstico partir de gestores posicionados em renda fixa e vendidos em real é lido como interesse direto no próprio cenário que descrevem. No centro, a leitura tende a se limitar ao que está verificável: a percepção do mercado sobre a eleição mudou nos últimos meses, a divergência sobre o tamanho do ajuste segue aberta e os mesmos investidores que alertam para a dívida seguem comprados em ativos do país.
O que ainda não se sabe é o essencial. Nenhuma fonte apresentou qual seria o tamanho suficiente do ajuste, quais despesas entrariam na conta, nem em que prazo as medidas seriam anunciadas. Também não há resposta do Ministério da Fazenda ou de economistas fora do mercado financeiro ao diagnóstico apresentado, nem avaliação independente sobre o peso relativo do gasto primário e do custo da dívida na trajetória fiscal projetada para 2027. Sem isso, o que existe é um alerta de mercado sobre o primeiro ano do próximo mandato, ainda sem contraditório público.
No Macro Day, iQnvestidores apontam pressão da dívida sobre o próximo governo e ainda veem oportunidades na Bolsa
