O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), aparece com 56% das intenções de voto na primeira pesquisa Datafolha realizada no Estado depois do início da campanha de 2026, divulgada no sábado, 22 de agosto. O ex-prefeito de Picos Joel Rodrigues (PP) marca 21%. Os outros oito concorrentes somam nove pontos percentuais, o que colocaria o governador em condição de reeleição já no primeiro turno.
No cenário estimulado, em que os nomes são apresentados ao entrevistado, Dra. Lúcia Santos (PSDB) e Geraldo Carvalho (PSTU) têm 2% cada. Lourdes Melo (PCO), Professor Gisvaldo (PSOL), Professor Jurity (DC), Elizeu Aguiar (Novo) e Santiago Belizário (UP) registram 1% cada, e Ravenna Castro (Democrata) não pontuou. Brancos, nulos e eleitores que afirmam que não pretendem votar somam 10%, enquanto 5% seguem indecisos. No cenário espontâneo, quando nenhum nome é mostrado, Fonteles cai para 33%, Joel Rodrigues fica em 10% e 46% não sabem responder. O levantamento ouviu 826 eleitores de 16 anos ou mais entre 18 e 21 de agosto, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. Está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PI-06656/2026 e foi contratado por uma emissora de televisão local, ao custo de R$ 115.326,63.
A cobertura de centro foi a que abriu mais camadas do estudo. Publicou a tabela de rejeição, em que Joel Rodrigues e Lourdes Melo aparecem empatados no topo com 27% cada, seguidos por Elizeu Aguiar com 23%, Geraldo Carvalho com 22% e o próprio Fonteles com 21%. Detalhou também a avaliação da gestão estadual, com 50% de ótimo ou bom, 32% de regular e 14% de ruim ou péssimo, além da aprovação de 72% contra 23% de desaprovação. E registrou o recorte presidencial do mesmo levantamento no Estado, em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 60% das intenções de voto no primeiro turno e 68% contra 24% do senador Flávio Bolsonaro (PL) num eventual segundo turno.
Veículos de esquerda destacaram a distância entre o governador e o conjunto dos adversários, apresentando o resultado como 56% contra 30% da soma de todos os concorrentes, e fecharam a matéria com a aprovação de 72% da gestão. Nessa cobertura, a rejeição de 21% ao governador e o cenário espontâneo, com quase metade do eleitorado sem resposta definida, não foram mencionados. O enquadramento associa o desempenho à continuidade de uma administração petista e à agenda de política social no Estado.
Não houve, no conjunto de matérias analisado, cobertura de veículos de direita sobre esta pesquisa, o que caracteriza um ponto cego. A leitura provável desse campo, a partir dos mesmos dados, apontaria o peso da máquina estadual na vantagem do governador, a fragmentação de uma oposição espalhada por oito legendas sem nenhuma acima de 2% e o contraste entre a aprovação de 72% e os 32% que consideram o governo apenas regular, somados aos 14% que o avaliam como ruim ou péssimo. Nenhum texto desse espectro, porém, integrava o material examinado.
O que ainda não se sabe é como esse quadro se comporta depois da propaganda eleitoral em rádio e televisão, período em que candidatos com baixa visibilidade costumam ganhar conhecimento junto ao eleitorado. Não há teste de segundo turno estadual, nem recortes divulgados por região, renda ou escolaridade que expliquem a composição do voto. Também não se sabe para onde vão os 46% que não souberam responder no cenário espontâneo. O instituto informou que fará outros dois levantamentos no Estado, um em setembro e outro em outubro, e nenhuma das campanhas comentou os números nas matérias examinadas.