O ex-governador Helder Barbalho (MDB) lidera a disputa por uma das duas vagas do Pará no Senado Federal, com 40% das intenções de voto. É o que aponta levantamento do instituto Real Time Big Data divulgado em 4 de agosto de 2026. A briga pela segunda cadeira está indefinida: o deputado federal Éder Mauro (PL) marca 16% e o ex-ministro e deputado Celso Sabino (PDT) tem 12%, diferença que fica no limite da margem de erro.
O restante do quadro paraense se distribui entre o atual senador Zequinha Marinho (Podemos), com 11%, e Chicão Melo (União Brasil), com 10%. Breno Guimarães (Novo), Gizelle Freitas (PSOL) e Livia Noronha (SDD) aparecem com 1% cada, enquanto Gal Leite (UP) e Marcelino Conti de Souza (PSOL) não pontuaram. Votos brancos e nulos somam 3% e os eleitores que não sabem ou não responderam representam 5%. O campo ouviu 1.600 pessoas com 16 anos ou mais, entre 30 de julho e 3 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o protocolo PA-08492/2026 e custou 24 mil reais, pagos com recursos próprios do instituto.
O mesmo instituto havia divulgado, um dia antes, a fotografia da corrida ao governo de Sergipe. Ali o cenário é de empate técnico: o governador Fábio Mitidieri (PSD) tem 43% contra 40% do ex-prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho (Republicanos), no primeiro turno. Na simulação de segundo turno, a diferença permanece dentro da margem, com 46% a 44%. Aparecem ainda Ricardo Marques (PL), com 6%, Emanuel Cacho (PSDB), com 2%, e Helton Monteiro (PSOL), com 1%. A pesquisa sergipana ouviu 1.600 eleitores entre 28 de julho e 1º de agosto, também com margem de dois pontos, e está registrada sob o código SE-07327/2026.
A cobertura de centro tratou os dois levantamentos como dado bruto, priorizando percentuais, tamanho de amostra, período de campo, margem de erro e número de registro na Justiça Eleitoral. Uma das matérias de centro foi além e informou o custo da pesquisa paraense e a origem do pagamento, além de disponibilizar a íntegra do levantamento. Outra matéria de centro trouxe uma inconsistência no bloco metodológico ao afirmar que as entrevistas foram feitas em Pernambuco, quando o levantamento se refere ao Pará, sem correção no texto.
Veículos de direita concentraram a atenção no quadro sergipano e destacaram dois elementos: o empate de um governador em exercício com um adversário que não dispõe da máquina estadual e a tabela de rejeição, na qual Valmir de Francisquinho é rejeitado por 48% dos entrevistados e Fábio Mitidieri por 45%, também em empate técnico. A leitura enfatizada foi a de disputa aberta e de desgaste de quem governa. Não houve, entre as matérias reunidas nesta cobertura, publicação de veículos de esquerda sobre os dois levantamentos, o que deixa sem contraponto próprio a leitura sobre a concentração das disputas majoritárias em nomes de partidos de centro e de direita e sobre os percentuais residuais das candidaturas de legendas menores.
Os pontos em que a cobertura converge são os números e a metodologia. Ninguém contesta a dianteira do ex-governador no Pará, o empate em Sergipe, o tamanho das amostras ou a margem de erro declarada. A divergência é de ênfase: enquanto a cobertura de centro se limita a reportar, a de direita organiza os dados em torno da competitividade da oposição e da rejeição aos nomes já testados no poder.
O que ainda não se sabe é considerável. Nenhuma das matérias apresenta série histórica que permita medir se os números subiram ou caíram em relação a levantamentos anteriores nos dois estados. Não há registro de reação das campanhas envolvidas. Também não está informado quem contratou a pesquisa de Sergipe nem quanto ela custou, e não foi divulgado o desempenho dos candidatos por região ou faixa de renda. Por fim, as pesquisas retratam um momento específico, a cerca de dois meses do pleito estadual, e não capturam o efeito da campanha eleitoral formal, do horário de propaganda e das coligações que ainda podem se reorganizar.