Justiça suspende demissões na Casas Bahia após recuperação judicial bilionária
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O Grupo Casas Bahia protocolou na noite de 16 de agosto um pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, declarando dívidas de R$ 17,3 bilhões e cerca de 19,4 mil credores, um dia depois de as empresas que controlam as Lojas Marabraz pedirem o mesmo instituto na 3ª Vara, com R$ 140,19 milhões em créditos sujeitos ao processo. As duas petições apontam o crédito caro e a taxa básica de juros em 15% ao ano como fator central, somados, no caso da Marabraz, a uma ruptura societária na família controladora. A Casas Bahia registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre, fechou cerca de 298 lojas e demitiu funcionários; em 18 de agosto, a Justiça do Trabalho suspendeu essas demissões a pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio. Até 20 de agosto, o pedido da varejista ainda não havia sido deferido e uma perícia foi determinada antes da decisão.
Duas redes tradicionais do varejo quebraram sob o peso de juros que ficaram no patamar de 15% ao ano, e a conta chegou primeiro para quem trabalha nas lojas. O Grupo Casas Bahia fechou cerca de 298 unidades e demitiu funcionários no mesmo movimento em que pediu proteção judicial para R$ 17,3 bilhões de dívida, com R$ 754 milhões devidos a trabalhadores e R$ 154 milhões a micro e pequenas empresas fornecedoras.
O colapso simultâneo do Grupo Casas Bahia e das Lojas Marabraz expõe o preço de operar num país onde o dinheiro custa 15% ao ano. A Casas Bahia montou seu plano de digitalização quando a Selic estava em 2%, dependia de capital de giro, risco sacado com fornecedores e crédito direto ao consumidor, e viu a estrutura financeira desmontar com a escalada dos juros, chegando a prejuízo de R$ 10,1 bilhões no trimestre e patrimônio líquido negativo em R$ 8,1 bilhões.
8 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: falácia identificada.
Todos os lados atribuem as duas quebras ao mesmo pano de fundo: juros básicos no patamar de 15% ao ano por período prolongado, restrição de crédito e endividamento das famílias, que encareceram o capital de giro e derrubaram o consumo. Há acordo também de que as lojas seguem operando durante o processo e de que os pedidos se inserem num recorde de recuperações judiciais no varejo brasileiro.
Em menos de 48 horas, dois dos maiores nomes do varejo de móveis do país pediram proteção da Justiça: o Grupo Casas Bahia, com R$ 17,3 bilhões em dívidas, e as Lojas Marabraz, com R$ 140 milhões. As duas petições apontam o mesmo gargalo, o crédito caro num país com juros de 15% ao ano, e a Justiça do Trabalho já suspendeu as demissões em massa.
O Grupo Casas Bahia protocolou, no fim da noite de domingo, 16 de agosto, um pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, declarando dívidas de R$ 17,3 bilhões distribuídas entre cerca de 19,4 mil credores. Um dia antes, em 15 de agosto, cinco empresas que controlam as Lojas Marabraz haviam entrado com pedido semelhante na 3ª Vara da mesma comarca, envolvendo R$ 140,19 milhões em créditos sujeitos ao processo. Em menos de 48 horas, duas redes tradicionais de móveis e eletrodomésticos recorreram ao mesmo instrumento legal, que permite renegociar dívidas sob supervisão judicial enquanto a empresa continua funcionando.
No caso da Casas Bahia, a petição atribui a crise aos investimentos pesados em tecnologia, logística e lojas digitais iniciados em 2019, aos choques da pandemia e, sobretudo, ao custo do dinheiro. O documento registra que o plano de digitalização começou com a taxa básica de juros na mínima histórica de 2% ao ano, entre o fim de 2020 e o início de 2021, e que a escalada até o patamar de 15% ao ano desorganizou a estrutura financeira de um modelo dependente de capital de giro, financiamento de estoques, risco sacado com fornecedores e crédito direto ao consumidor. A companhia informou prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre, 18 vezes maior que a perda de R$ 555 milhões de um ano antes, patrimônio líquido negativo em R$ 8,1 bilhões, o fechamento de cerca de 298 lojas e a demissão de milhares de funcionários. Do passivo total, R$ 16,4 bilhões são de credores sem garantia, R$ 754 milhões de credores trabalhistas e R$ 154 milhões de micro e pequenas empresas.
A Marabraz apresenta um enredo distinto. Segundo a petição, imóveis comerciais e centros de distribuição usados como garantia pertenciam a uma sociedade patrimonial da família controladora e, após uma ruptura societária e familiar, os administradores perderam o controle desses ativos. Sem as garantias, os bancos exigiram novas contrapartidas, reduziram limites, encareceram o custo e deixaram de renovar linhas de capital de giro, o que travou o abastecimento das lojas. O grupo entrou em juízo sem parte das demonstrações contábeis exigidas por lei, alegando não conseguir acessar o sistema de uma fornecedora de tecnologia, e pediu prazo de 60 dias para o plano e suspensão de execuções por 180 dias. A rede chegou a operar 135 lojas em São Paulo e já teve a falência de uma das empresas decretada, decisão hoje suspensa por efeito suspensivo do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Os dois casos se somam a uma fila crescente. Levantamento da Serasa Experian citado na cobertura aponta 977 pedidos de recuperação judicial em 2025, recorde da série histórica, e 268 nos quatro primeiros meses deste ano, em movimento que já alcançou Americanas, o Grupo Toky, dono de Mobly e Tok&Stok, e a CVLB, de Casa & Video e Le Biscuit.
Há convergência entre todos os lados sobre o diagnóstico básico: juro alto por período prolongado, restrição de crédito e endividamento das famílias formam o pano de fundo das quebras. A divergência aparece no que cada cobertura escolhe destacar. Veículos de esquerda deram peso à preservação dos empregos e ao passivo trabalhista, tratando as varejistas como vítimas de um ciclo de juros que comprime a renda popular antes de atingir o capital financeiro, e omitindo a falência já decretada contra uma das empresas da Marabraz. A cobertura de centro relatou o processo pelos números do balanço e pelo andamento judicial, detalhando a composição do passivo por classe de credor, as medidas de urgência pedidas contra o vencimento antecipado de mais de R$ 10 bilhões em contratos e a decisão da 11ª Vara do Trabalho do Distrito Federal que, em 18 de agosto, suspendeu as demissões em massa a pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio, com prazo de cinco dias para restabelecer os vínculos e 48 horas para os benefícios. Veículos de direita enfatizaram a ótica do acionista e do credor, com o fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários, as renúncias na diretoria, o ambiente macroeconômico e a estrutura de garantias, tratando o fechamento de lojas como evento contábil e a intervenção judicial sobre as demissões como fator adicional de insegurança para quem opera no país.
O que ainda não se sabe é decisivo.
A Justiça do Trabalho determina a suspensão das demissões em massa na Casas Bahia, exigindo o restabelecimento de vínculos e benefícios dos funcionários demitidos.

Uma perícia será feita em contratos e dados da companhia antes de se avançar num eventual deferimento da recuperação

Taxa de juros elevada e freio no consumo das famílias agrava situação financeira de varejistas

Marabraz pediu recuperação judicial em São Paulo para reorganizar dívidas de cerca de R$ 140 milhões; empresa diz manter lojas abertas

Rede de móveis e eletrodomésticos afirma que lojas seguirão funcionando normalmente durante o processo; empresa atribui decisão ao cenário difícil do varejo, à dificuldade de acesso ao crédito e a questões familiares.


Varejista acumula passivo de R$ 17,3 bilhões e 19,4 mil credores; prejuízo de R$ 10,1 bilhões no 2º trimestre levou à decisão tomada neste domingo

Empresas responsáveis pelo controle da Marabraz, tradicional rede varejista de móveis, entraram com pedido de recuperação judicial na 3ª Vara
