Edson Fachin pode ter voto de qualidade no STF em empate sobre caso Moraes
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O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) ficou dividido sobre a questão de ordem do decano Gilmar Mendes para julgar em conjunto a petição que aponta Alexandre de Moraes como interlocutor de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o pedido de investigação contra André Mendonça. O pedido de vista de Flávio Dino deixou o placar proclamado em 4 a 3 a favor da separação defendida pelo presidente Edson Fachin. Se Dino confirmar o voto, haverá empate, e juristas divergem sobre como resolvê-lo.
Pela cobertura disponível, o foco está em como o racha do Supremo Tribunal Federal pode definir se Alexandre de Moraes será investigado por suposta ligação com Daniel Vorcaro, do Banco Master, enquanto André Mendonça também é questionado. A dúvida sobre o voto de desempate de Edson Fachin expõe regras internas pouco usadas e o risco de uma saída que pese duas vezes a posição de um só ministro.
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Toda a cobertura registra que o placar ficou em 4 a 3 pela separação dos casos após o pedido de vista de Flávio Dino, que um empate de 4 a 4 é provável na retomada e que o regimento do STF não resolve com clareza qual regra de desempate se aplica.
O pedido de vista de Flávio Dino deixou em 4 a 3 a votação do STF sobre julgar juntos os casos de Alexandre de Moraes e André Mendonça. Se houver empate, juristas divergem: parte defende o voto de qualidade de Edson Fachin, parte diz que a dúvida deve favorecer o investigado.
O Supremo Tribunal Federal, o STF, está dividido sobre uma questão preliminar que pode definir o rumo do pedido de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. A petição aponta Moraes como interlocutor de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Na sessão de terça-feira, 15 de setembro, o decano Gilmar Mendes propôs julgar esse caso junto com o pedido de investigação contra o ministro André Mendonça, acusado de irregularidades na condução das apurações do caso Master.
O presidente da corte e relator do caso de Moraes, Edson Fachin, votou contra a união. Foi acompanhado por Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin votaram a favor. O ministro Flávio Dino também se manifestou pela análise conjunta, mas pediu vista, ou seja, mais tempo para analisar. Seu voto deixou de ser computado, e o placar proclamado ficou em 4 a 3. Dias Toffoli se declarou suspeito, e Kassio Nunes Marques se disse impedido por presidir o Tribunal Superior Eleitoral.
Toda a cobertura converge num ponto: se Dino mantiver o voto, haverá empate de 4 a 4, e o regimento interno não dá resposta inequívoca sobre o desfecho. O artigo 13 prevê que o presidente profira um voto de qualidade, o chamado voto de Minerva, em empates sem outra solução prevista. O artigo 146 estabelece que, em certos casos, prevalece a solução contrária à proposta. Em matéria penal, a regra é favorecer o acusado. O pedido de vista dá até 90 dias para a retomada.
A cobertura de centro concentrou a maior parte das reportagens e ouviu juristas com leituras opostas. Um grupo, que inclui Lenio Streck e Georges Abboud, sustenta que discutir a abertura de investigação é matéria processual penal, e que o empate deve favorecer Moraes. Outro grupo, com Eduardo Carnelós e Marcelo Semer, entende que a questão é regimental e que Fachin pode desempatar. Oscar Vilhena Vieira, da Fundação Getulio Vargas, avalia que o empate simplesmente não derruba o encaminhamento de Fachin. Uma análise de centro afirmou que Fachin nunca usou o voto de Minerva desde que assumiu a presidência e lembrou que Moraes não é réu. Outra reportagem de centro recuperou precedentes: no mensalão, em 2012, empates em acusações criminais beneficiaram os réus; em 2023, numa extradição, a corte esperou o voto do ministro ausente.
O veículo de esquerda que cobriu o caso reproduziu texto de agência. Destacou que o voto de qualidade caiu em desuso e que uma ala da corte vê no desempate um peso duplo, capaz de subverter a igualdade entre os ministros. Registrou ainda mensagens extraídas pela Polícia Federal que apontam contatos de Vorcaro com o filho de Kassio Nunes Marques. Não houve cobertura de veículos de direita sobre este desdobramento até o momento, o que deixa o ângulo do controle sobre ministros da corte sem voz própria no conjunto.
Ainda não se sabe quando Dino devolverá o processo, nem se manterá o voto. Também está em aberto se o plenário tratará a questão como penal ou regimental, e se Fachin, pouco simpático à prerrogativa, aceitará usá-la. O julgamento do caso de Mendonça está marcado para o dia 23, e a discussão sobre abrir ou não uma investigação contra Moraes ainda não entrou no mérito.
Presidente pode exercer poder de desempate caso placar do julgamento de Moraes fique 4 a 4

O possível empate no STF pode forçar o voto de minerva e Fachin ou favorecer Alexandre em um cenário indefinido, dizem especialistas

(Folhapress) - Um dispositivo do regimento do STF (Supremo Tribunal Federal) estabelece que o presidente da corte, Edson Fachin, poderá decidir sobre o pedido
