Data centers viram tema eleitoral nos EUA enquanto Brasil debate o Redata
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A rejeição de moradores a data centers virou tema das eleições de novembro nos Estados Unidos, país que concentra 4.767 dessas instalações, contra 376 na China e 218 no Brasil, sendo 59 na cidade de São Paulo. Pesquisa do Gallup mostra oposição de 75% dos democratas e 63% dos republicanos à construção de centros de dados perto de suas casas, e levantamento do Annenberg Public Policy Center registrou alta de 12 pontos percentuais desde março na oposição local, que chegou a 61%. No Brasil, o Regime Especial para Serviços de Data Center, o Redata, perdeu validade em fevereiro porque a medida provisória não foi convertida em lei, e as empresas passaram a usar Zonas de Processamento de Exportação e o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura como alternativa. O Projeto de Lei nº 278/2026 tramita no Congresso Nacional sem data de votação.
O Brasil está perdendo a janela de investimento em infraestrutura digital por incapacidade legislativa. O Regime Especial para Serviços de Data Center, que suspendia PIS, Cofins, IPI e Imposto de Importação na compra de equipamentos, caducou em fevereiro porque a medida provisória não foi convertida em lei no prazo constitucional.
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Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: viés de esquerda.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Todos os lados registram que data centers demandam muita energia e água, que a expansão do setor depende de incentivo público e que o Brasil está sem marco tributário próprio desde que o Redata caducou em fevereiro. Há convergência também sobre o dado de que o estímulo a centros de dados é um dos poucos pontos em que os candidatos à Presidência concordam.
Nos Estados Unidos, a oposição de moradores a data centers cresceu o suficiente para virar tema das eleições de novembro, com rejeição registrada entre democratas e republicanos. No Brasil, onde o Redata perdeu validade em fevereiro e o setor se apoia em regimes criados para outros fins, o estímulo a centros de dados é um dos poucos pontos em que os candidatos à Presidência concordam.
A oposição de moradores e eleitores à instalação de data centers virou um dos temas das eleições de novembro nos Estados Unidos e chegou ao debate brasileiro em um momento em que o país está sem regime tributário próprio para o setor. Os Estados Unidos concentram 4.767 dessas instalações, segundo a contagem do Data Center Map, contra 376 na China e 218 no Brasil, das quais 59 na cidade de São Paulo.
A cobertura de centro relatou que a rejeição americana é bipartidária. Pesquisa do Gallup apontou que 75% dos entrevistados democratas e 63% dos republicanos são contrários à construção de centros de dados perto de suas casas. Levantamento de agosto do Annenberg Public Policy Center, da Universidade da Pensilvânia, registrou alta de 12 pontos percentuais desde março no número de adultos que se opõem a essas instalações em suas regiões, chegando a 61%. As queixas se repetem: ruído constante, poluição visual, pressão sobre o abastecimento de água e aumento da conta de luz.
Veículos de esquerda enfatizaram o custo social e ambiental dessa expansão. Nessa leitura ganharam destaque os dados do Centro de Orçamento e Prioridades Políticas, segundo o qual 40 estados americanos oferecem algum tipo de subsídio a data centers, com perda anual de receita estimada em mais de US$ 1 bilhão apenas no Texas e na Virgínia, e o estudo da Environmental Data and Governance Initiative, que identificou que os 4 milhões de moradores que vivem a menos de 1,6 quilômetro de 550 instalações tendem a ser não brancos em comparação com a média nacional. O senador Bernie Sanders e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez pediram moratória para novos data centers de inteligência artificial, o Estado de Nova York suspendeu por até um ano a emissão de licenças ambientais ao setor e, segundo o gabinete de Sanders, mais de uma centena de comunidades já aprovaram suspensões locais.
Veículos de direita enfatizaram o outro lado da equação, o do investimento. Nessa cobertura, o ponto central é o fim da validade do Regime Especial para Serviços de Data Center, o Redata, em fevereiro. O regime suspendia PIS, Cofins, IPI e Imposto de Importação na compra de equipamentos de tecnologia, mas a medida provisória que o criou não foi convertida em lei dentro do prazo constitucional. Um levantamento da PwC descreve o arranjo que restou como uma colcha de retalhos jurídica: as empresas passaram a se apoiar nas Zonas de Processamento de Exportação, com projetos bilionários em Pecém, no Ceará, Bacabeira, no Maranhão, e Uberaba, em Minas Gerais, no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura, usado para desonerar geração e transmissão de energia limpa, e em debêntures incentivadas para baratear o custo de capital.
A divergência de enquadramento fica clara no que cada lado trata como problema principal. Para a cobertura de direita, o risco é a insegurança jurídica travar investimento e competitividade, e a saída passa pelo Projeto de Lei nº 278/2026, em tramitação no Congresso Nacional, que integraria o regime do Redata ao das Zonas de Processamento de Exportação. Para a cobertura de esquerda, o risco é o Brasil repetir um modelo em que o subsídio público antecede a contrapartida, com a conta de energia e de água recaindo sobre a comunidade vizinha. A cobertura de centro registra que o estímulo a centros de dados é um dos raros consensos entre os candidatos à Presidência e que, entre os três primeiros colocados nas principais pesquisas de intenção de voto, apenas Lula e Ronaldo Caiado apresentam propostas menos genéricas, com previsão de contrapartidas sociais e ambientais.
O que ainda não se sabe é quando o Projeto de Lei nº 278/2026 será votado, já que não há data prevista, nem que desenho de contrapartidas o texto adotaria. Também não há, nas reportagens, medição do efeito dos data centers já instalados no Brasil sobre tarifas de energia e consumo de água, nem detalhamento de como os programas de governo pretendem cobrar as contrapartidas que prometem. Nos Estados Unidos, resta saber se as moratórias estaduais e municipais se sustentam depois das eleições de novembro e se o debate sobre subsídios chega ao Congresso americano, onde a proposta de moratória nacional tem, por ora, pouca chance de avançar.
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