Lula começa o quarto mandato com a menor base no Congresso, aponta o Diap
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Reeleito em 25 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá a partir do próximo ano um Congresso majoritariamente de oposição. Levantamento do Departamento Intersindical de Assessoramento Parlamentar (Diap) indica a menor base de apoio de seus quatro mandatos, e a eleição das presidências da Câmara e do Senado, em 1º de fevereiro, será o primeiro teste da nova relação.
Pelo prisma do controle institucional, as urnas entregaram ao Legislativo uma maioria de direita e um papel mais independente diante do Executivo. O Congresso já derrubou quase metade dos vetos analisados entre 2023 e 2025 e rejeitou Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, e a oposição quer comandar o Senado.
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Veículos com viés à direita
Reeleito em 25 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva terá um Congresso majoritariamente de oposição. O Diap conta 124 deputados e 16 senadores de apoio consistente, a menor base de seus quatro mandatos, e a eleição das presidências da Câmara e do Senado em 1º de fevereiro será o primeiro teste.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no domingo, 25 de outubro, começará o quarto mandato diante de um Congresso Nacional majoritariamente de oposição. A relação com a Câmara dos Deputados e com o Senado aparece, na cobertura, como um dos principais desafios do governo nos próximos quatro anos.
Os números convergem. Um levantamento do Departamento Intersindical de Assessoramento Parlamentar, o Diap, indica que Lula terá a menor base de apoio de todos os seus mandatos. Na Câmara, 124 deputados são considerados de apoio consistente, 246 condicionados a cada votação e 143 de oposição. No Senado, são 16 votos consistentes, 31 condicionados e 34 de oposição. O Partido Liberal, o PL, elegeu as maiores bancadas nas duas Casas, e a direita, somada a partidos como Progressistas e Republicanos, terá quase 60% das cadeiras. Para aprovar projetos, o governo precisará, além da base aliada, do apoio do Centrão. Ao comemorar a vitória, Lula disse que é com esse Congresso que vai conversar.
O primeiro teste vem em 1º de fevereiro, quando as duas Casas elegem seus presidentes, que controlam a pauta. Hugo Motta, do Republicanos, tenta a reeleição na Câmara com apoio de partidos de centro e de esquerda. No Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil, deve enfrentar Rogério Marinho, do PL, e Teresa Cristina, do Progressistas. Os dois presidentes declararam apoio a Lula logo após o resultado. Na fila estão a proposta de emenda à Constituição da segurança pública, o fim da escala 6x1, a regulamentação do trabalho por aplicativos e as regras para as grandes empresas de tecnologia.
A cobertura de centro relatou os dados do Diap e a pauta pendente, e ouviu o cientista político Carlos Melo, para quem o presidente terá de buscar apoio também fora do Congresso, no agronegócio, no mercado financeiro e no empresariado. Veículos de direita enfatizaram o histórico de derrotas do governo: de 2023 a 2025, o Congresso derrubou quase metade dos vetos presidenciais analisados, entre eles trechos do marco temporal e do licenciamento ambiental, e rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, algo inédito em 132 anos. Esses veículos destacaram ainda a menor renovação desde a redemocratização e a promessa do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, de não apoiar Alcolumbre. Até o momento, nenhum veículo de esquerda cobriu o tema.
Ainda não se sabe quem será o candidato da oposição no Senado, nem quantos dos parlamentares condicionados votarão de fato com o governo. Também segue em aberto como o Senado tratará as ao menos quatro vagas que devem abrir no Supremo nos próximos anos.
Lula vai enfrentar Congresso mais hostil e disputa pela presidência da Câmara e do Senado

Para conseguir aprovar projetos na Câmara e no Senado superando os votos dos partidos de direita, o governo vai precisar, além da base aliada, ter o apoio do Centrão.
