O empresário Renan Santos foi oficializado no sábado, 1º de agosto de 2026, como candidato do partido Missão à Presidência da República, em ato realizado na Zona Leste de São Paulo. As formalidades jurídicas da convenção já haviam sido cumpridas em 20 de julho, em encontro virtual, no primeiro dia do calendário da Justiça Eleitoral; o evento presencial funcionou como lançamento político da campanha. No discurso, o candidato atacou simultaneamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o campo bolsonarista, ao afirmar que seu partido não nasce antipetista e que quem se define pelo inimigo nunca o supera, concluindo que ambos deveriam ir juntos para a lata de lixo da história.
Toda a cobertura reunida converge nos elementos estruturais da campanha. Sem ter superado a cláusula de barreira, o partido não terá propaganda gratuita em rádio e televisão e receberá cerca de R$ 3,3 milhões do fundo eleitoral, equivalente a 0,07% do total distribuído. Não haverá coligação com outras siglas. A estratégia declarada é o engajamento digital, a presença em todos os debates e viagens a cidades pequenas. A chapa tem como vice o tenente-coronel da reserva Aroldo Medina, ex-candidato ao governo do Rio Grande do Sul e à prefeitura de Canoas. No mesmo ato, o partido lançou candidaturas a governos estaduais em nove estados, apresentou uma versão atualizada do documento programático conhecido como Livro Amarelo e anunciou um centro de estudos. O candidato afirmou ter recebido ameaças de facções criminosas, incluindo grupos do Ceará, o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, e passou a contar com escolta da Polícia Federal, razão apontada para a antecipação das formalidades da convenção.
As cinco metas anunciadas dão a medida do programa: reduzir os homicídios para menos de 10 mil por ano, manter o juro abaixo de 6% com superávit nominal, garantir que nenhum estado tenha mais pessoas no Bolsa Família do que no trabalho formal, reduzir em 6.000 o número de favelas com a retirada de 8 milhões de pessoas das comunidades e alfabetizar nove em cada dez crianças. O plano de governo prevê ainda uma proposta de emenda à Constituição batizada de PEC da Transição, com ajuste fiscal de R$ 1,1 trilhão até 2031, desindexação de benefícios e desvinculação de pisos orçamentários.
A cobertura de centro concentrou-se na logística e no custo do evento, registrando ingressos que podiam ultrapassar R$ 7 mil, com open bar e acesso direto à cúpula do partido, e contrastou a convenção com a do PT, realizada no domingo seguinte, quando o presidente confirmou a sétima candidatura ao Planalto. Esses mesmos veículos registraram, dois dias depois, que o candidato do Missão associou a ausência do presidente nos debates a suspeitas de corrupção no entorno do governo, declaração reproduzida ao lado da ressalva de que os valores investigados não estão inteiramente confirmados. Veículos de direita deram relevo ao desempenho eleitoral do estreante, apresentado como terceiro colocado em pesquisas recentes, com até 10% das intenções de voto, à frente de ex-governadores com máquina consolidada, e trataram a estrutura enxuta da campanha como trunfo, não como limitação. Veículos de esquerda não aparecem entre as fontes reunidas nesta cobertura: o ponto cego está do lado esquerdo do espectro, e a crítica ao impacto social do ajuste fiscal proposto, à desvinculação de pisos orçamentários e à meta de remoção em favelas não foi formulada por nenhum dos textos disponíveis.
O que ainda não se sabe é se as ameaças relatadas foram confirmadas por autoridades policiais, quais institutos e margens sustentam os percentuais de intenção de voto citados, como o ajuste de R$ 1,1 trilhão seria repartido entre despesas e qual política habitacional acompanharia a promessa de esvaziar favelas. Também segue em aberto se o presidente participará dos debates televisivos e como o desempenho nas pesquisas se comportará depois do início oficial da propaganda eleitoral.