A entidade palestina encarregada de administrar provisoriamente a Faixa de Gaza classificou como 'altamente produtivas' as reuniões realizadas em Chipre, encerradas na quarta-feira, 1º de julho de 2026, após dois dias de discussões voltadas à reconstrução do território. Os encontros reuniram especialistas e conselheiros do 'Conselho da Paz', criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do gabinete do Alto Representante para Gaza, Nikolai Mladenov, e do Instituto Tony Blair. Todos integram o Comitê Nacional para a Administração de Gaza, o NCAG, formado no âmbito do plano norte-americano para encerrar a guerra e reconstruir o enclave.
Segundo o comitê, os participantes trataram dos esforços para aliviar o sofrimento dos habitantes, dos planos de reconstrução, de segurança e governança, e de um mecanismo para garantir transparência e prestação de contas aos doadores internacionais. O grupo reafirmou seu compromisso com o plano de 20 pontos apresentado por Trump e disse continuar pronto para assumir suas responsabilidades em coordenação com o 'Conselho da Paz'. As novas etapas de implementação serão anunciadas, segundo o comitê, 'quando as condições adequadas estiverem reunidas', mas nenhum calendário foi definido e os detalhes das reuniões não foram divulgados.
A cobertura de centro relatou que o pacote de medidas foi validado pelo Conselho de Segurança da ONU e permitiu um cessar-fogo precário em outubro de 2025. A segunda fase prevê uma retirada israelense progressiva de Gaza, o desarmamento do Hamas e o envio de uma força internacional de estabilização, medidas anunciadas e discutidas, mas que nunca se concretizaram. O Hamas, que controla o território desde 2007, declarou-se favorável à presença dessa força, desde que ela não interfira nos assuntos internos do enclave. No fim de maio, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou que o Exército ampliasse seu controle sobre 70% do território, e as duas partes se acusam quase diariamente de violar o cessar-fogo.
Os veículos de direita enfatizaram a origem do conflito, lembrando que a guerra foi desencadeada em 2023 pelo ataque do movimento islamista Hamas contra Israel, e destacaram a arquitetura institucional do processo de paz, com seus mecanismos de transparência e a exigência de desarmamento do grupo como condição para o avanço. Já os veículos de esquerda enfatizaram o custo humano e descreveram a destruição do território como um genocídio iniciado em 7 de outubro de 2023. Essa cobertura deu voz aos moradores: 'Temos muito mais medo do que antes. É horrível ter de abandonar a própria casa', contou uma moradora. Mohamed el Najjar, ex-prefeito de Maghazi, relatou que a ameaça é permanente e que a população não consegue mais circular entre vilarejos.
Um ponto sensível é a chamada linha amarela, uma demarcação materializada por blocos de concreto que separa as áreas sob controle militar israelense daquelas onde os palestinos podem circular. A cobertura de esquerda destacou que essa linha, apresentada como temporária, avança para o oeste e é cercada por fortificações, o que caracteriza, segundo esses veículos, uma violação do direito internacional e dos próprios termos do plano de Trump.
O que ainda não se sabe é substancial: nem os detalhes concretos discutidos em Chipre, nem o calendário de implementação, nem a resposta oficial de Israel às reuniões foram divulgados. Também permanece indefinido quando e como a força internacional de estabilização será enviada e se o desarmamento do Hamas, condição central da segunda fase, chegará de fato a ocorrer.