O Partido dos Trabalhadores realizou no sábado, 1º de agosto de 2026, convenções estaduais que formalizaram chapas e alianças para a disputa deste ano, com o palanque da candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como fio condutor. No Rio de Janeiro, a convenção estadual confirmou o apoio da sigla à candidatura do prefeito Eduardo Paes, do PSD, ao governo do estado, e homologou as nominatas do partido para o Congresso Nacional e para a Assembleia Legislativa fluminense. Em Salvador, o encontro do partido oficializou a candidatura do governador Jerônimo Rodrigues à reeleição, confirmou Geraldo Júnior como candidato a vice e homologou os ex-governadores Rui Costa e Jaques Wagner ao Senado, em ato que contou com a presença do próprio presidente.
O gesto mais simbólico do dia veio do Rio. O prefeito da capital anunciou um ato de campanha pela reeleição de Lula para o dia 22 de agosto e explicou que a data foi escolhida de propósito, por corresponder ao número do candidato apoiado pela oposição, Flávio Bolsonaro. Na Bahia, o tom foi o de consolidação: aliados projetaram ampliar a diferença de votos obtida pelo presidente no pleito anterior, com a meta declarada de superar cinco milhões de votos de vantagem no estado.
As duas coberturas convergem nos fatos centrais. As convenções ocorreram no mesmo dia, homologaram chapas majoritárias e proporcionais, apoiaram-se em alianças com o PSD nos dois estados e trataram a eleição estadual como parte da estratégia nacional de reeleição do presidente. Também coincidem no registro de que o partido busca ampliar sua bancada no Congresso e nas assembleias, com nomes definidos como prioridade em cada estado, entre eles Benedita da Silva, Lindbergh Farias e Jandira Feghali no Rio.
As ênfases, porém, se separam. Veículos de esquerda destacaram o conteúdo de confronto político do encontro fluminense: a data do ato como provocação deliberada ao bolsonarismo, o diagnóstico de que uma maioria conservadora no Senado atrapalhou iniciativas do governo federal, inclusive ao recusar um nome indicado ao Supremo Tribunal Federal, e a necessidade de eleger senadores comprometidos com o programa vitorioso nas urnas. A cobertura de centro relatou o episódio baiano em registro descritivo, sem enquadramento de disputa ideológica: listou os homologados, reproduziu falas de dirigentes sobre a unidade da base aliada, registrou elogios à gestão estadual e apresentou a presença do presidente como sinal do peso estratégico do estado na eleição. Já veículos de direita não haviam publicado, até o momento, cobertura sobre essas convenções, de modo que a leitura crítica ao arranjo — que costuma enfatizar o cálculo eleitoral por trás do apoio a um candidato de outro partido, a perpetuação de grupos políticos no comando estadual e a legitimidade do Senado ao barrar indicações do Executivo — não aparece no material disponível.
Restam pontos em aberto. Não há detalhamento sobre eventuais contrapartidas nacionais do PSD ao partido do presidente, nem confirmação de que o candidato apoiado ao governo do Rio declarará apoio formal à campanha presidencial. Também não estão descritas as coligações completas registradas na Justiça Eleitoral, os adversários já definidos em cada estado nem a reação da oposição às declarações feitas nas convenções.