A pouco mais de dois meses do primeiro turno, marcado para 4 de outubro de 2026, a disputa presidencial brasileira passou a ser medida em ritmo quase diário por levantamentos registrados no Tribunal Superior Eleitoral. Nesta quarta-feira, 29 de julho, dez estudos ficaram liberados para divulgação, reunindo uma leitura do cenário nacional e pesquisas estaduais na Bahia, no Maranhão, no Paraná, em Pernambuco, no Piauí, no Rio Grande do Norte e em São Paulo. Na segunda-feira, 27 de julho, haviam sido treze levantamentos, com recortes para governos estaduais e para o Senado nas cinco regiões do país. Na terça-feira, outro bloco trouxe a corrida ao Planalto e projeções em sete Estados. A liberação segue os prazos legais e as regras de transparência da legislação eleitoral, que condicionam a divulgação ao registro prévio na Justiça Eleitoral e à metodologia declarada.
Até o momento, apenas um veículo cobriu esse conjunto de informações. Não há, portanto, contraste entre coberturas de esquerda, de centro e de direita sobre o mesmo material: o que existe é uma apuração de perfil factual, que lista os estudos autorizados e compila os resultados estaduais mais recentes registrados no tribunal.
Essa compilação desenha o mapa da disputa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, aparece à frente em doze Estados, que somam 67,13 milhões de eleitores, ou 42,29% do eleitorado nacional: Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL, lidera em sete Estados, que reúnem 29,42 milhões de eleitores, ou 18,53% do total: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rondônia e Acre. Em Goiás, o ex-governador Ronaldo Caiado, do PSD, mantém a dianteira e sustenta a única terceira via competitiva, num Estado que responde por 3,2% do eleitorado. Nas demais unidades da Federação há empate técnico ou ausência de pesquisas recentes, como em Alagoas e em Roraima. Em dez Estados, o candidato à frente já ultrapassa a marca de 50% dos votos válidos.
A leitura regional explica a diferença entre os dois desempenhos. A vantagem do presidente se concentra no Nordeste, reduto do PT desde 2002, onde ele venceria no primeiro turno em oito dos nove Estados. No Sudeste, lidera apenas em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país e Estado que escolheu o vencedor nacional em doze das treze eleições realizadas entre 1945 e 2022. São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo seguem em empate técnico. Já o senador consolidou presença no Sul e no Centro-Oeste, regiões de eleitorado mais à direita, e tem buscado se apresentar como candidato do agronegócio, setor forte nos dois Estados do Mato Grosso. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, ele conta com o apoio do prefeito da capital, Ricardo Nunes, e do governador Tarcísio de Freitas.
O mesmo conjunto de números admite leituras opostas conforme o recorte escolhido. Contado por número de Estados e por volume de eleitores, o quadro é de vantagem territorial do presidente. Contado pelo peso das regiões ainda em disputa e pelo empate técnico nos maiores colégios do Sudeste, o quadro é de eleição aberta, em que o desempenho em São Paulo e em Minas Gerais decide o resultado. Nenhuma das duas leituras aparece contestada na cobertura disponível, porque não há um segundo veículo acompanhando o mesmo material.
Falta informação relevante. A relação dos levantamentos liberados a cada dia não é detalhada: não há identificação de institutos, contratantes, margens de erro nem datas de campo das pesquisas estaduais. Alagoas e Roraima ficaram fora do mapa por não haver íntegras registradas disponíveis. Os palanques também seguem indefinidos em Minas Gerais, onde o PT anunciou Patrus Ananias para o governo estadual em 20 de julho e o PL oficializou o deputado Domingos Sávio para o Senado em 27 de julho, sem que as alianças locais estejam fechadas. O prazo para confirmar candidaturas no tribunal vai até 15 de agosto, o que significa que parte dos nomes hoje medidos pelas pesquisas ainda pode mudar.