A menos de três meses da eleição presidencial de 4 de outubro, as pesquisas eleitorais registradas no Tribunal Superior Eleitoral passaram a ser divulgadas em ritmo diário, e o quadro estadual da disputa começou a ganhar contornos mais nítidos. Até o momento, apenas um veículo cobriu este conjunto de matérias, que combina notas de serviço sobre quais levantamentos podem ser divulgados a cada dia da semana com uma análise agregada do mapa da corrida.
O dado central dessa cobertura de fonte única é o seguinte: um levantamento que reúne as pesquisas estaduais mais recentes indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera em 12 Estados, que somam 67,13 milhões de eleitores, o equivalente a 42,29% do eleitorado brasileiro. O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL, aparece à frente em 7 Estados, que reúnem 29,42 milhões de eleitores, ou 18,53% do total. Ronaldo Caiado mantém a dianteira apenas em Goiás, apontado como o único Estado em que uma terceira via ainda se mostra competitiva. Nas demais unidades da Federação, há empate técnico ou ausência de pesquisas recentes, como em Alagoas e Roraima.
A análise relata que a vantagem de Lula se concentra no Nordeste, reduto do PT desde 2002, onde ele venceria no primeiro turno em 8 dos 9 Estados. No Sudeste o cenário muda: o presidente lidera apenas em Minas Gerais, enquanto São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo seguem em empate técnico. Flávio Bolsonaro, por sua vez, expande a presença no Sul e no Centro-Oeste, regiões de eleitorado mais à direita, e busca se firmar como candidato do agronegócio, forte em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Como a story tem cobertura de um único veículo, de enquadramento factual e de centro, não há divergência editorial explícita entre lados a relatar. Ainda assim, os próprios números admitem leituras distintas. Uma leitura à esquerda tende a enfatizar a força territorial e popular do presidente, sustentada pelo Nordeste e pelo legado de políticas sociais. Uma leitura à direita tende a destacar que a disputa segue aberta: o maior colégio eleitoral, São Paulo, permanece indefinido, o Sudeste foi mais bolsonarista em 2022, e a vantagem de Lula seria territorial, não necessariamente de votos válidos. Pesam a favor da candidatura de direita em São Paulo o apoio do governador Tarcísio de Freitas e do prefeito Ricardo Nunes.
Minas Gerais aparece como termômetro nacional: segundo maior colégio eleitoral, o Estado reproduziu em 2022 a polarização do país, com Lula fazendo 50,20% dos votos válidos. Para 2026, o cenário mineiro segue indefinido, com os dois lados ainda negociando palanques. Em 20 de julho, o PT anunciou a pré-candidatura de Patrus Ananias ao governo estadual; em 27 de julho, o PL oficializou o deputado Domingos Sávio como candidato ao Senado por Minas.
O que ainda não se sabe é como os empates técnicos no Sudeste vão se resolver, quais pesquisas dos próximos dias podem alterar o quadro nacional, e como ficarão as alianças estaduais até o prazo de confirmação de candidaturas no TSE, marcado para 15 de agosto. Os números atuais retratam um momento da campanha, não um resultado, e dependem das definições partidárias que ainda estão em curso.