O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, deu cinco dias para que a Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo explicasse falhas registradas na tornozeleira eletrônica de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como "Débora do Batom". A cobrança, tornada pública na segunda-feira, 27 de julho, questionava se as interrupções no sinal de GPS decorreram de problema operacional do equipamento ou de descumprimento das medidas cautelares impostas pela Corte. Na terça-feira, 28, a Secretaria respondeu que os registros vieram "exclusivamente de intercorrências técnicas inerentes ao funcionamento da tecnologia de geolocalização por satélite" e afirmou que não houve violação.
Débora cumpre prisão domiciliar com monitoramento eletrônico desde março de 2025 e foi condenada pelos atos de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos três Poderes em Brasília pedindo intervenção federal. A pena é de 14 anos, por crimes como golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada. Segundo a Polícia Federal, foi ela quem escreveu com batom a frase "perdeu, mané" na estátua "A Justiça", em frente ao Supremo. A defesa pede agora a progressão para o regime semiaberto e a remição de pena por estudo e trabalho.
A cobertura de centro relatou o vaivém processual sem adjetivação: o despacho do ministro, o teor da resposta oficial e o histórico da condenação apareceram lado a lado, com a explicação de que o sistema depende de comunicação contínua entre o dispositivo e satélites em órbita e pode sofrer interrupções momentâneas por fatores externos. Esses veículos também registraram a manifestação do advogado de defesa, para quem "os registros de ausência de sinal de GPS não indicam qualquer tentativa de evasão ou descumprimento deliberado das condições impostas", e mantiveram no texto a lista completa dos crimes pelos quais ela foi julgada.
Veículos de direita deram peso maior ao desfecho favorável à condenada. A ênfase recaiu sobre o detalhamento técnico do ofício, que lista garagens, túneis, prédios de concreto armado, baixa cobertura de telecomunicações e interferências atmosféricas entre as causas da perda de sinal, e sobre o critério oficial para caracterizar violação, que exige ato deliberado como rompimento da cinta, uso de bloqueador ou desligamento proposital do aparelho. Um desses veículos concluiu que os esclarecimentos corroboram a versão apresentada pela defesa. Outro tratou o caso pelo ângulo do benefício penal, destacando que a Procuradoria-Geral da República já se manifestou a favor do reconhecimento de 212 dias de remição por leitura, trabalho interno e aprovação no Exame Nacional do Ensino Médio, sem mencionar em momento algum o 8 de janeiro nem a pena de 14 anos em execução.
Veículos de esquerda não publicaram sobre o episódio até o momento, de modo que a leitura que cobra fiscalização rigorosa e tratamento uniforme na execução penal dos condenados pelos atos golpistas ficou fora do noticiário desses dois dias.
Há convergência num ponto central: nenhuma fonte aponta indício objetivo de fuga ou de rompimento do equipamento, e a Central de Monitoramento não expediu o ofício específico que costuma acompanhar violações reais. A divergência está no enquadramento: se o episódio é apenas um ruído técnico irrelevante, como sugere a cobertura à direita, ou mais um passo na execução de uma pena de 14 anos por ataque ao Estado Democrático de Direito, contexto que a cobertura de centro preserva.
Ainda não se sabe quando Moraes decidirá sobre a progressão de regime e sobre os 212 dias de remição. Também está pendente a resposta da Penitenciária Feminina de Tremembé sobre se os cursos do programa "Reescrevendo Minha História" têm autorização ou convênio com o poder público e integram o projeto político-pedagógico da unidade, informação que o ministro considera necessária para evitar contagem duplicada de benefícios. As coberturas ainda divergem sobre a data de assinatura do despacho, situada por parte delas em 23 de julho e por outra em 27.