Senado aprova pauta-bomba da aposentadoria de agentes de saúde
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O Senado aprovou nesta terça-feira a PEC que cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias, com placar de 73 votos a favor, 1 contrário e 1 abstenção nos dois turnos, realizados no mesmo dia via quebra de interstício.
Veículos de esquerda destacaram a vitória de uma categoria essencial da linha de frente da saúde pública, que mobilizou apoio quase unânime no Senado mesmo diante da resistência da equipe econômica do governo.
Veículos de direita enfatizaram o risco fiscal da PEC, aprovada mesmo diante da oposição da equipe econômica, que já avalia acionar o Supremo Tribunal Federal caso o Congresso não indique fonte de receita para bancar a despesa.
4 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Todos os lados confirmam que o Senado aprovou a PEC por 73 votos a 1 (abstenção de Eduardo Girão), com o único voto contrário de Hamilton Mourão; que o governo Lula resistiu à paridade e integralidade sem sucesso; e que o texto segue para promulgação após já ter passado pela Câmara.
O Senado Federal aprovou, nesta terça-feira, 14 de julho, em dois turnos realizados no mesmo dia, a Proposta de Emenda à Constituição que cria aposentadoria especial para os agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias. A votação foi arrasadora: 73 votos favoráveis, apenas um contrário e uma abstenção nos dois turnos. O único voto contrário partiu do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS); o senador Eduardo Girão (Novo-CE) se absteve. Como a proposta já havia passado pela Câmara dos Deputados, o texto segue agora para promulgação pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre.
A PEC garante aposentadoria a partir de 25 anos de contribuição e efetivo exercício na função, com idade mínima escalonada por regras de transição até 2041, quando a regra final passa a exigir 57 anos para mulheres e 60 para homens. O texto também efetiva vínculos temporários e proíbe novas contratações terceirizadas para a categoria, que reúne cerca de 345 mil profissionais segundo levantamento do Dieese com base em dados da Rais.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificava a proposta como pauta-bomba e tentou, sem sucesso, negociar a retirada dos mecanismos de paridade e integralidade, que garantem aos aposentados o mesmo salário e reajustes de quem está na ativa. Apesar da resistência do Palácio do Planalto, a bancada governista liberou o voto, e oito dos nove senadores do PT presentes na sessão apoiaram o texto. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que não poderia votar de forma diferente da maioria, mas destacou a necessidade de responsabilidade fiscal nas contas previdenciárias.
A cobertura de centro, representada por Folhapress e G1, concentrou-se nos números da votação e nos mecanismos técnicos da PEC, detalhando como cada partido e senador votou, sem atribuir intenções políticas às partes. Já a cobertura de direita, com destaque para o InfoMoney, enfatizou o impacto fiscal da medida: segundo o Ministério da Previdência Social, o custo projetado é de R$ 27,9 bilhões em dez anos, podendo superar R$ 54 bilhões em oitenta anos, e citou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmando que o governo pode acionar o Supremo Tribunal Federal caso o Congresso não indique fonte de receita para a despesa. Por outro lado, veículos de esquerda, como a CartaCapital, relataram o mesmo placar de votação, mas contextualizaram a aprovação dentro de um cenário político mais amplo, associando o episódio ao avanço de forças conservadoras no Congresso às vésperas das eleições de 2026.
Os relatores da proposta, deputado Antonio Brito (PSD-BA) e senador Irajá (PSD-TO), contestaram a estimativa do governo, afirmando que o custo real seria de cerca de R$ 2,5 bilhões ao ano, equivalente a 1% do orçamento do SUS. Irajá defendeu a medida como um reconhecimento histórico a uma categoria que atua na linha de frente do combate a doenças como dengue e leishmaniose. Os agentes de saúde acompanharam a votação nas galerias do Congresso e chegaram a ocupar o gabinete de Irajá em semanas anteriores para pressionar pela liberação do relatório na Comissão de Constituição e Justiça.
Ainda não está claro se o governo federal de fato recorrerá ao Supremo Tribunal Federal para contestar a emenda, nem qual será a data efetiva de promulgação do texto. Também não há confirmação sobre eventuais mudanças de rota depois da pressão de prefeitos e governadores, que tentaram, sem sucesso, transferir para a União o custeio integral da medida.

Aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde é aprovada no Senado com 73 votos a favor, incluindo o apoio da base governista e de senadores do PT.

A votação em primeiro turno ocorreu nesta terça-feira 14

Apesar da resistência da equipe econômica, o governo liberou os senadores aliados para votarem como quiserem
