Escolta de Flávio Bolsonaro na campanha é sigilosa e Senado gasta R$ 7,4 milhões
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Veículos de esquerda leem o caso como uso de estrutura pública em benefício de uma candidatura, agravado pela recusa de prestar contas. Um poder da República destaca policiais para acompanhar um candidato pelo país, a conta com missões de proteção salta para cerca de R$ 7,4 milhões em 2026, e o contribuinte que paga não pode saber quanto custa a operação, porque o Senado nega os dados até quando acionado pela Lei de Acesso à Informação. O contraste com a Câmara dos Deputados, que negou o mesmo benefício ao candidato a vice, reforça a leitura de privilégio concedido a um sobrenome específico.
O Senado Federal mantém sob sigilo o custo, o efetivo e os destinos da escolta policial que acompanha o senador Flávio Bolsonaro, do PL, na campanha à Presidência. Pedidos feitos à assessoria da Casa e pela Lei de Acesso à Informação foram negados.
Pela chave da direita, o núcleo do caso é a ameaça concreta à vida de um candidato e a desconfiança institucional em relação à Polícia Federal. Flávio Bolsonaro exerce mandato de senador e tem escolta autorizada desde 2019 após análise de risco, condição que a candidatura não revoga.
4 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés ao centro
Veículos com viés à direita
As duas leituras aceitam os mesmos fatos: o Senado nega informar o custo, o efetivo e os destinos da escolta; as despesas gerais com missões de proteção somam cerca de R$ 7,4 milhões até agosto de 2026, mais de três vezes o total de 2022; a proteção foi autorizada em 2019 após análise de risco; e Flávio Bolsonaro recusou a escolta da Polícia Federal.
O senador Flávio Bolsonaro percorre o país na campanha à Presidência protegido por policiais do Senado, e a Casa se recusa a dizer quanto isso custa, quantos agentes atuam e quais destinos foram cobertos. Os números gerais mostram cerca de R$ 7,4 milhões em diárias e passagens para missões de proteção até agosto de 2026, mais de três vezes o gasto do ano eleitoral de 2022.
O Senado Federal mantém sob sigilo quanto custa a escolta policial que acompanha o senador Flávio Bolsonaro, do PL, na campanha à Presidência da República. Pedidos feitos à assessoria da Casa e também pela Lei de Acesso à Informação foram recusados: o Senado não informa o tamanho da equipe, os destinos das viagens nem o valor gasto especificamente com o candidato. A campanha, procurada, também não abriu a conta.
Os números gerais, porém, mostram uma escalada. Até o fim de agosto de 2026, a Casa havia desembolsado cerca de R$ 4 milhões em diárias e R$ 3,3 milhões em passagens aéreas para missões de proteção e escolta, um total aproximado de R$ 7,4 milhões. É mais de três vezes o gasto de todo o ano eleitoral de 2022, quando a soma foi de R$ 2,33 milhões, e o ano ainda não terminou. O salto não veio do preço das passagens, que se manteve em torno de R$ 2,2 mil por bilhete, e sim do volume: os pagamentos passaram de 325, entre janeiro e agosto de 2022, para 1.518 no mesmo intervalo deste ano, enquanto as diárias saltaram de 420, em 2025, para 898.
Policiais do Senado ouvidos pela reportagem atribuem a maior parte da alta à proteção de Flávio Bolsonaro e classificam como peculiar o uso da estrutura da Casa para acompanhar um candidato pelo país. Uma parcela menor do gasto estaria ligada a outros senadores que disputam eleições, como Sergio Moro, candidato ao governo do Paraná, mas os registros públicos, com nomes e destinos suprimidos, não permitem confirmar essa divisão.
Em nota, o Senado sustentou que a candidatura não altera a condição de senador e que a escolta, autorizada em 2019 após pedido do parlamentar e análise de risco, pode ser mantida. A Casa afirmou ainda que divulgar efetivo, avaliações de risco e procedimentos poria em perigo agentes e protegido, sem explicar por que os valores também ficam em sigilo. A Câmara dos Deputados adotou entendimento oposto: o presidente Hugo Motta negou o uso de policiais legislativos para Alfredo Gaspar, candidato a vice na chapa, sob o argumento de que a candidatura é situação distinta do exercício do mandato e de que a lei atribui à Polícia Federal a segurança de presidenciáveis.
A cobertura de centro concentrou-se na apuração documental: a série histórica de despesas desde 2022, a negativa ao pedido feito pela Lei de Acesso à Informação e o contraste institucional entre as duas Casas. Veículos de esquerda deram destaque ao uso de dinheiro público e à opacidade, enfatizando que a estrutura de um poder da República acompanha um candidato enquanto o contribuinte não pode saber o valor da conta. Veículos de direita não publicaram cobertura própria do caso no conjunto analisado; o contraponto disponível vem da própria campanha e de coordenadores da Polícia do Senado, que descrevem ameaça continuada e defendem a manutenção da proteção enquanto durar o mandato.
O caso tem ainda um capítulo de segurança. Em agosto, um morador de Minas Gerais passou a ser investigado depois de publicar mensagem com dois emojis de facas em uma postagem sobre visita do candidato a Juiz de Fora, e a Justiça autorizou a apreensão de aparelhos eletrônicos e proibiu o investigado de se aproximar a menos de 500 metros dele. A agenda acabou cancelada por causa do mau tempo. Os advogados lembram que Jair Bolsonaro foi esfaqueado na mesma cidade durante a campanha de 2018. Mesmo assim, Flávio Bolsonaro recusou a proteção da Polícia Federal, prevista em decreto para candidatos à Presidência mediante solicitação da campanha, dizendo não confiar no comando da corporação, hoje chefiada por Andrei Rodrigues.
O que ainda não se sabe é o essencial: quanto custa a escolta do candidato, quantos agentes estão nela, quais destinos foram cobertos e qual fatia dos R$ 7,4 milhões pertence a outros parlamentares em campanha. Também não há explicação oficial para o sigilo sobre os valores, nem manifestação de órgãos de controle ou da Justiça Eleitoral sobre a legalidade do arranjo.
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