A Federação PSDB-Cidadania homologou, na segunda-feira, 27 de julho de 2026, a candidatura à reeleição do senador Plínio Valério, do Amazonas. A decisão recoloca na disputa um parlamentar que, em 2025, afirmou publicamente que enforcaria a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e que, depois da repercussão do caso, classificou a declaração como brincadeira, dizendo em seguida que não se arrependia do que havia falado.
A chapa que disputará a eleição de 2026 já está definida. Grace Kelly Gonçalves Barbosa, primeira-dama do município de Tefé, será a primeira suplente, e a professora de história aposentada Judite da Silva Pinho ocupará a segunda suplência. Plínio Valério está no Senado desde 2019 e, antes disso, foi vereador em Manaus e deputado federal.
Os fatos centrais são convergentes nas coberturas disponíveis. Todos os relatos registram a data da homologação, a origem da polêmica em 2025, a repreensão pública feita pelo presidente do Congresso Nacional, o senador Davi Alcolumbre, e a ausência de punição partidária desde então. A cobertura de centro relatou o episódio em tom de nota factual: informa a decisão da federação, resume o histórico da declaração, registra que o senador chamou a fala de brincadeira e que não se arrependeu, e lista a composição da chapa, sem qualificar a gravidade do caso nem cobrar consequência institucional.
Veículos de esquerda destacaram outro ângulo. Trataram a declaração como ataque misógino e episódio de violência política de gênero, e leram a homologação sem manifestação da federação como sinal de tolerância institucional. Nessa leitura, o ponto não é a frase isolada, e sim a sequência: chamar de brincadeira uma declaração sobre enforcar uma ministra, recusar-se a se retratar e, ainda assim, receber o aval do partido para disputar a reeleição. Essa cobertura também remete a outros episódios de ofensa à ministra atribuídos ao senador e conclui que ele inicia a corrida eleitoral sem qualquer constrangimento institucional.
Veículos de direita não registraram o caso no material reunido até agora, o que por si só descreve o desequilíbrio da repercussão. A leitura provável desse campo, a partir dos mesmos fatos, enfatizaria a autonomia da federação para escolher seus candidatos, o fato de que a declaração já foi objeto de repreensão pública no Congresso e de recuo parcial do parlamentar, e o argumento de que cabe ao eleitor do Amazonas, e não a uma sanção partidária, decidir o destino do mandato nas urnas.
Ainda não se sabe se houve ou haverá representação no Conselho de Ética do Senado sobre a declaração de 2025, nem se a federação chegou a discutir internamente o episódio antes de homologar a candidatura. Também não há registro, nas coberturas disponíveis, de manifestação de Marina Silva sobre a homologação nem de resposta do próprio senador após ser confirmado candidato. O peso do caso sobre o desempenho do parlamentar entre os eleitores amazonenses segue em aberto.