Daniel Vorcaro bancou viagens de servidores do Banco Central, aponta PF
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Relatórios da Polícia Federal enviados ao Supremo Tribunal Federal afirmam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, custeou viagens e jantares de dois servidores do Banco Central, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, que teriam atuado para favorecer o banco. Parte do sigilo foi levantada pelo ministro André Mendonça. As defesas negam irregularidades.
A investigação da Polícia Federal mostra servidores do Banco Central repassando a Daniel Vorcaro informações sobre uma reunião com policiais que apuravam o Banco Master, enquanto o ex-banqueiro buscava apoio no alto escalão para conter as apurações. A cobrança recai sobre a integridade das instituições e sobre a responsabilização individual dos envolvidos.
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A Polícia Federal afirma, em relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal, que Daniel Vorcaro custeou jantares em Paris e ajudou a pagar uma viagem à Disney para Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, servidores do Banco Central afastados sob suspeita de atuar pelo Banco Master. As defesas negam.
Relatórios da Polícia Federal enviados ao Supremo Tribunal Federal afirmam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, custeou viagens e jantares internacionais para dois servidores do Banco Central. Segundo os investigadores, Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária, e seu adjunto, Paulo Sérgio Neves de Souza, atuaram de forma recorrente na defesa de interesses privados do conglomerado. Os dois estão afastados das funções.
A cobertura de centro e a de direita convergem nos pontos principais. De acordo com a Polícia Federal, Vorcaro organizou pessoalmente um jantar e um almoço em restaurantes de Paris durante viagem de Belline e da esposa à França, e há indícios de que ajudou a custear uma viagem de Paulo Sérgio e da família à Disney, nos Estados Unidos. O relatório também afirma que os servidores ofereciam orientação técnica, revisavam minutas de documentos destinados ao próprio Banco Central e participavam de reuniões extraoficiais com o banco.
A cobertura de centro relatou ainda que, segundo a investigação, Belline receberia R$ 500 mil por mês do Banco Master, com comprovantes de repasses que somam R$ 3,8 milhões. Os envolvidos alegaram que o dinheiro se destinava a um programa de treinamento financeiro de jovens. O sigilo de parte dos documentos foi levantado em 10 de setembro pelo ministro André Mendonça, por determinação do presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, na preparação de uma sessão do plenário sobre o caso. Essa cobertura deu espaço às defesas: a de Paulo Sérgio afirma que ele pagou integralmente a viagem e que aceitou uma vaga em um pacote de acesso aos parques mediante pagamento de US$ 8.000 em espécie, e diz que ele desconhecia um pagamento de US$ 38 mil feito por Vorcaro a um agente de viagens. A defesa de Belline sustenta que ele agiu de forma institucional e nega influência do ex-banqueiro.
Veículos de direita enfatizaram outro trecho do relatório: os dois servidores teriam repassado a Vorcaro informações sobre uma reunião com policiais federais realizada em 17 de outubro de 2025, em vez de colaborar com a apuração. A Polícia Federal chegou a eles após encontrar no celular do ex-banqueiro um arquivo com os nomes de cinco policiais presentes no encontro. Essa cobertura destacou que Vorcaro chamava os servidores de amigos no Banco Central e que, depois de receber as informações, buscou apoio de autoridades superiores, com um rascunho que menciona o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O enfoque recaiu sobre a vulnerabilidade das instituições de controle, sem registrar a versão das defesas.
Até o momento, veículos de esquerda não haviam publicado cobertura própria sobre esse relatório.
Ainda não se sabe quais despesas da viagem a Paris foram efetivamente pagas por Vorcaro, nem os valores envolvidos, já que o próprio relatório não os indica. A defesa de Belline não se manifestou especificamente sobre a viagem à França. Também não está claro se os servidores responderão a processo criminal ou administrativo, nem qual será o desdobramento da análise do caso pelo plenário do Supremo.
Documentos da investigação sobre o Banco Master tornados públicos na quinta-feira, mostram, segundo PF, como dois funcionários do Banco Central defendiam interesses de banco de Daniel Vorcaro dentro da autarquia e recebiam vantagens em contrapartida.


Belline Santana e Paulo Sérgio Neves participaram de reunião com investigadores do caso Master
