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A ex-deputada federal Silvia Waiãpi teve o nome deixado de fora da nominata do PL no Amapá para a Câmara dos Deputados e acusou o partido de racismo estrutural, além de chamar de traidor o pré-candidato ao governo estadual Dr. Furlan. A legenda afirma que a exclusão decorre de inelegibilidade: ela foi condenada pelo TRE do Amapá por uso irregular de R$ 9 mil do fundo eleitoral em uma harmonização facial na campanha de 2022, decisão mantida pelo TSE em abril de 2026.
A ex-deputada federal Silvia Waiãpi teve o nome deixado de fora da nominata do Partido Liberal no Amapá para a disputa à Câmara dos Deputados e reagiu acusando a legenda de racismo estrutural. A decisão veio à tona na convenção estadual realizada na segunda-feira, 20 de julho de 2026, que oficializou a coligação do PL com PSD, Novo e Podemos em torno da pré-candidatura de Dr. Furlan ao governo do estado. No local, a ex-parlamentar gravou vídeos chamando Furlan de traidor e afirmando que seu nome foi retirado por preconceito contra uma mulher indígena, conservadora e de direita. Ela também questionou o fato de o ex-prefeito de Macapá ter nascido na Costa Rica.
O partido apresenta outra versão. A direção nacional sustenta que a exclusão não tem relação com a origem da ex-deputada, e sim com sua situação eleitoral. Waiãpi foi condenada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amapá por uso irregular de cerca de 9 mil reais do fundo eleitoral, destinados a um procedimento de harmonização facial durante a campanha de 2022. Em abril de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral manteve a decisão. Um parecer da assessoria jurídica do partido, encaminhado à imprensa pelo presidente nacional da legenda, afirma que a condenação implica oito anos de inelegibilidade contados a partir da eleição de 2022, conforme a Lei da Ficha Limpa.
Os dois lados da cobertura convergem nos fatos centrais. A ex-deputada afirma ter entregado a documentação exigida ao diretório em 17 de julho e diz que só foi comunicada da exclusão durante a convenção, três dias depois. Sustenta ainda que esteve com a cúpula nacional do partido em 25 de maio, quando teria recebido garantias de que seu nome constaria da lista. Também alega que o diretório se recusou a entregar cópia da ata da convenção e que outros nomes mantidos na chapa respondem a processos judiciais, o que, na sua leitura, caracterizaria tratamento seletivo. Nenhum dos relatos contesta que a condenação existe nem que ela foi confirmada pela instância superior.
A diferença está na ênfase. Veículos de esquerda destacaram o ângulo do racha interno no campo bolsonarista e deram o palco principal à denúncia de racismo, apresentando a exclusão da primeira mulher indígena eleita deputada federal como sintoma de uma barreira que atravessa o próprio partido que a elegeu. A cobertura de centro relatou o episódio com paridade entre as versões, detalhou o parecer jurídico do partido, ouviu o presidente nacional da legenda, registrou o histórico da condenação e informou que procurou o pré-candidato ao governo e o presidente estadual do PL sem obter resposta. Veículos de direita ainda não trataram o caso; a leitura provável desse lado enfatizaria a inelegibilidade declarada pela Justiça Eleitoral, o desvio de dinheiro público de campanha para um procedimento estético e o direito do partido de montar sua própria chapa, tratando a acusação de racismo como deslocamento do debate sobre responsabilização individual.
O caso também toca a biografia da ex-deputada. Silvia Nobre Waiãpi foi eleita em 2022, foi a primeira indígena a se tornar oficial do Exército e integrou a equipe de transição do governo de Jair Bolsonaro, de quem é aliada. Essa trajetória é justamente o que torna a disputa incômoda para o partido: a acusação de preconceito parte de uma quadro do próprio campo conservador, e não de adversários.
Vários pontos seguem em aberto. Não há manifestação pública do pré-candidato Dr. Furlan nem do presidente estadual do PL sobre a acusação. Não se sabe se a ata da convenção será entregue à ex-deputada nem se ela pretende recorrer na Justiça Eleitoral ou nas instâncias internas do partido. Também não foi verificada de forma independente a alegação de que outros integrantes da nominata respondem a processos, nem se há decisão colegiada em algum desses casos. Por fim, permanece indefinido se o prazo de troca de partido, já encerrado, deixa a ex-parlamentar sem alternativa para disputar a eleição de 2026.
Toda a cobertura registra os mesmos fatos duros: a exclusão do nome da ex-deputada da nominata do PL no Amapá, a acusação pública de racismo feita por ela, e a existência de condenação do TRE do Amapá por uso de 9 mil reais do fundo eleitoral em harmonização facial, mantida pelo TSE em abril de 2026.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial esquerda.
Apesar do perfil progressista do veículo, o texto é curto e essencialmente factual: reproduz as aspas da ex-deputada ('racismo estrutural', 'traidor'), informa a justificativa do partido (inelegibilidade) e o histórico da condenação do TRE-AP confirmada pelo TSE. O único resíduo de enquadramento está em dar o palco principal à acusação sem checagem com o acusado, o que puxa levemente para o lado da denunciante, mas não há vocabulário valorativo do redator.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Texto de agência: apresenta a acusação de racismo, a réplica documentada do partido (parecer da assessoria jurídica citando a Lei da Ficha Limpa e oito anos de inelegibilidade a partir de 2022), aspas do presidente nacional da legenda e registro explícito de que os acusados foram procurados e não responderam. Vocabulário descritivo, paridade entre as versões e contexto biográfico ao final. Sem enquadramento ideológico do redator.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.

A ex-deputada afirma que Dr. Furlan (PSD), pré-candidato ao governo do Amapá, é 'traidor'

PL Nacional fala em inelegibilidade por condenação no TSE. Ex-deputada diz ser vítima de racismo
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