O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, restabeleceu a prisão preventiva de Douglas de Azevedo Carvalho, conhecido como 'Mancha', apontado pelas investigações como fundador e líder da organização criminosa Tropa do Douglas, com vínculos ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho. Com a decisão, tomada no sábado, 4 de julho, o traficante permanece preso no sistema prisional de Minas Gerais.
A medida atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República, que sustentou haver risco concreto à ordem pública e à aplicação da lei penal. Fachin derrubou uma decisão do Superior Tribunal de Justiça, proferida em 1º de julho pelo ministro Messod Azulay Neto, que havia substituído a prisão preventiva por medidas cautelares, como tornozeleira eletrônica, entrega do passaporte e proibição de deixar o país. Antes que o alvará de soltura fosse cumprido, a Justiça de Minas Gerais decretou uma prisão temporária de 30 dias em outra investigação, por homicídio qualificado, de modo que Mancha já estava sob custódia quando a PGR acionou o Supremo.
A cobertura de centro, como a do g1 e da Itatiaia, relatou de forma detalhada o histórico do investigado: preso em março deste ano em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, após anos foragido; o rompimento de tornozeleira eletrônica em 2023; o uso de passaporte italiano falso; e um esquema de tráfico transnacional que teria enviado mais de 300 quilos de cocaína escondidos em carga de açaí para Portugal, além de lavagem de dinheiro estimada em mais de R$ 500 milhões. Fachin citou como precedente o caso de André do Rap, integrante do PCC solto por decisão judicial que permaneceu foragido, para justificar a excepcionalidade da medida.
Veículos de esquerda, como a CartaCapital, enfatizaram o trâmite institucional da decisão e destacaram que a liminar ainda passará pelo referendo do Plenário do Supremo, em sessão virtual marcada para o período de 14 a 21 de agosto, reforçando que a palavra final cabe ao colegiado, e não a uma decisão individual. A leitura de veículos de direita tende a enfatizar o argumento de segurança pública e ordem, tratando a soltura concedida pelo STJ como falha institucional e a reversão de Fachin como resposta necessária diante da periculosidade do acusado e do risco de reorganização da facção.
Os enquadramentos convergem no fato central: a Justiça manteve Mancha preso e reconheceu elementos concretos de risco. Ainda não se sabe qual será a decisão do Plenário no referendo de agosto, nem o desfecho da investigação por homicídio que embasou a prisão temporária em Minas Gerais.