Flávio Bolsonaro nos EUA: governo Trump evita reconhecê-lo como líder do Brasil
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A cobertura de centro relatou que o governo de Donald Trump, segundo fontes anônimas ouvidas pela agência Reuters, não planeja apoiar a alegação do senador Flávio Bolsonaro (PL) de ser o líder do Brasil, embora ainda possa mudar de ideia. Os textos de centro ligaram a cautela às eleições de meio de mandato dos EUA em 3 de novembro e registraram que não há indicação de fraude no resultado que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Uma reportagem analítica ouviu especialistas que descrevem Flávio como isolado no Brasil e apontam duas alas no governo americano em disputa sobre o tema.
A cobertura de direita reproduziu a apuração da Reuters de que o governo Trump não pretende apoiar a alegação de Flávio Bolsonaro de ser o líder do Brasil, e registrou que os EUA ajudaram o candidato derrotado a fugir do país.
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Veículos com viés ao centro
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Veículos com viés à direita
A cobertura de centro e a de direita relatam que, segundo fontes da Reuters, o governo Trump não pretende endossar Flávio Bolsonaro como líder do Brasil, e descrevem a mesma cronologia: intimação para entregar os passaportes, saída por Foz do Iguaçu e chegada a Miami.
O senador Flávio Bolsonaro, derrotado por Lula no segundo turno de 25 de outubro, deixou o Brasil por Foz do Iguaçu e divulgou em Miami uma carta em que se diz líder do Brasil. Segundo fontes da Reuters, o governo de Donald Trump não pretende apoiar a alegação neste momento.
O governo de Donald Trump não planeja apoiar a alegação do senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, de ser o líder do Brasil. A informação foi atribuída a fontes ouvidas em condição de anonimato pela agência Reuters, segundo as quais Trump não pretende endossar as ambições do candidato derrotado neste momento, mas ainda pode mudar de ideia. Flávio perdeu o segundo turno de 25 de outubro para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, reeleito para um quarto mandato com 51,77% dos votos válidos.
A declaração de Flávio saiu numa carta divulgada em 28 de outubro, poucas horas depois de ele desembarcar em Miami com a mulher, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas. Uma primeira versão do texto, apagada minutos depois, o apresentava como verdadeiro presidente eleito. Na versão final, ele se descreve como líder do Brasil, acusa fraude sem apresentar provas e diz ser alvo de perseguição política.
Os textos analisados convergem na cronologia. Flávio foi intimado a entregar os passaportes em até 24 horas, num inquérito do Supremo Tribunal Federal que apura suspeitas de lavagem de dinheiro. O prazo venceu, a Polícia Federal comunicou o descumprimento ao ministro Alexandre de Moraes e cancelou os documentos. Em 27 de outubro, a família saiu de carro por Foz do Iguaçu, embarcou num jato particular na Argentina e chegou a Miami na manhã seguinte. Trump disse a jornalistas que não se envolveria no caso, mas chamou a eleição brasileira de uma vergonha.
A cobertura de centro relacionou a cautela de Trump às eleições americanas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, e registrou que não há indicação de fraude: o resultado foi confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral e elogiado por observadores da Organização dos Estados Americanos e do Carter Center. Uma reportagem de centro ouviu a especialista Bruna Santos, do Inter-American Dialogue, para quem Flávio está isolado politicamente, inclusive entre lideranças da direita. O mesmo texto citou o professor Carlos Gustavo Poggio, que descreveu duas alas no governo americano, uma pragmática e outra ideológica, liderada pelo secretário de Estado Marco Rubio, e previu que Trump pode voltar à linha dura mais adiante.
Veículos de direita reproduziram a apuração da Reuters e afirmaram que os Estados Unidos ajudaram o candidato derrotado a fugir do Brasil. O texto de direita deu destaque ao detalhe dos documentos: Flávio usou o passaporte italiano para entrar na Argentina e o diplomático para entrar nos Estados Unidos, depois de a Polícia Federal já ter cancelado os brasileiros. Nenhum veículo de esquerda cobriu o caso no conjunto analisado.
Até a tarde de 30 de outubro, quando saíram as matérias analisadas, a Casa Branca não havia se manifestado formalmente sobre o resultado da eleição brasileira nem sobre a carta. Também não estava esclarecido como o passaporte diplomático, já cancelado, foi aceito na entrada dos Estados Unidos, nem se haverá pedido de extradição.
Em declarações informais, Trump tem demonstrado ambivalência; analistas dizem que secretário de Estado, Marco Rubio, parece mais inclinado a se envolver.


Fontes ouvidas pela agência internacional afirmam que o governo dos EUA não tem planos de apoiar as ambições do candidato derrotado, apesar de tê-lo ajudado a fugir do Brasil, mas consideram que o presidente americano pode mudar de ideia
