O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu início no domingo, 16 de agosto de 2026, à campanha pela reeleição em um ato no Estádio Municipal 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. O local, antes conhecido como estádio da Vila Euclides, foi palco das assembleias de metalúrgicos que Lula liderou como sindicalista no fim dos anos 1970, quando presidia o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, e que estão na origem do Partido dos Trabalhadores e da Central Única dos Trabalhadores.
O trecho de maior repercussão do discurso não foi político, e sim pessoal. Lula explicou por que estava de chapéu e disse que havia passado por radioterapia na cabeça para tratar um câncer de pele. Em seguida, retirou o chapéu diante dos apoiadores. O diagnóstico, feito em abril de 2026, é de carcinoma basocelular no couro cabeludo, o tipo mais comum de câncer de pele, associado à exposição acumulada à radiação ultravioleta e com alta taxa de cura quando tratado precocemente.
A cobertura de centro relatou o episódio de forma descritiva, nomeou o tumor, informou o mês do diagnóstico e situou o gesto dentro do lançamento de uma campanha que busca um quarto mandato, acrescentando o contexto histórico do estádio e a série de candidaturas presidenciais do petista. Veículos de direita transformaram a revelação da doença na manchete central, com tom de urgência e o verbo admitir, e registraram no corpo do texto que o presidente defendeu o legado econômico sem apresentar medidas de ajuste fiscal ou de redução de gastos. Nenhum veículo de esquerda havia publicado sobre o ato até o fechamento desta análise; a leitura provável desse campo enfatizaria o retorno simbólico ao berço sindical do presidente, o vínculo com os trabalhadores do ABC e o argumento de que investir em educação sai mais barato do que ampliar o encarceramento.
Os relatos convergem sobre os fatos do ato. Lula lançou o slogan “O Brasil pronto pra mais”, falou de improviso em parte do discurso e listou prioridades para um eventual novo mandato: a criação de um Ministério da Segurança Pública, condicionada à aprovação da PEC da Segurança pelo Congresso Nacional, a educação em tempo integral e a exploração e industrialização de terras raras e outros minerais críticos dentro do país, com produção de itens como chips e baterias. Ele afirmou que as operações contra o crime organizado precisam alcançar quem comanda as quadrilhas, e não apenas quem atua nas comunidades, e criticou a condução do governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19. Em outro momento, comparou a autorização que recebeu na ditadura militar para acompanhar o enterro da mãe com a negativa, em 2019, para ir ao velório do irmão, numa crítica indireta ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. O petista oficializou a entrada na disputa em 2 de agosto de 2026, em ato no Expo Center Norte, em São Paulo.
O que ainda não se sabe é o estágio do tratamento, quantas sessões de radioterapia estão previstas, se haverá qualquer efeito sobre a agenda de campanha e qual o prognóstico informado pela equipe médica, já que não houve boletim divulgado nas coberturas. Também faltam detalhes sobre custo, financiamento e desenho do Ministério da Segurança Pública proposto, sobre o cronograma de tramitação da PEC da Segurança no Congresso Nacional e sobre como o país pretende viabilizar, na prática, o processamento dos minerais críticos que hoje exporta em estado bruto.