Dois levantamentos divulgados na mesma semana de agosto de 2026 deixaram em aberto as disputas pelas duas vagas ao Senado em São Paulo e no Paraná. Em São Paulo, o instituto Paraná Pesquisas ouviu 1.680 eleitores entre 16 e 18 de agosto e registrou, no cenário estimulado, Simone Tebet (PSB) com 31,1%, Marina Silva (Rede) com 30,1% e Guilherme Derrite (PP) com 28,2%. Como a margem de erro é de 2,4 pontos percentuais, os três aparecem tecnicamente empatados na briga pelas duas cadeiras do estado. Logo atrás vêm Ricardo Salles (Novo), com 19,7%, e André do Prado (PL), com 16,8%. O levantamento tem registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número SP-08913/2026, nível de confiança de 95% e foi contratado pelo próprio instituto.
No Paraná, a Real Time Big Data entrevistou 1.600 pessoas entre 13 e 17 de agosto e apontou Deltan Dallagnol (Novo) numericamente à frente, com 19%, seguido por Alexandre Curi (Republicanos) e Filipe Barros (PL), com 17% cada, Gleisi Hoffmann (PT) com 15% e Cristina Graeml (PSD) com 13%. A margem de erro é de 2 pontos, o registro na Justiça Eleitoral é o PR-09262/2026 e o estudo custou 24 mil reais, pagos com recursos próprios. Nos dois estados, o eleitor escolhe dois nomes, e ambas as pesquisas consolidam primeiro e segundo voto numa mesma soma.
Os pontos de convergência entre as coberturas são os dados duros. Nenhuma das duas apresenta um favorito isolado, as duas informam amostra, período de campo, margem de erro e número de registro no Tribunal Superior Eleitoral, e as duas explicitam que os institutos bancaram os próprios levantamentos, sem contratante externo. Também coincidem no efeito prático: com duas vagas por estado e diferenças estreitas no topo, a definição depende de como o eleitor distribui o segundo voto.
A cobertura de centro relatou o caso paranaense de forma descritiva, transcrevendo a pergunta feita ao entrevistado e enfatizando a aritmética das chances: como a margem é de 2 pontos, todos os cinco primeiros colocados apareceriam em condição de disputar uma das duas cadeiras. O título, porém, foi além do que o corpo sustenta ao falar em empate entre os cinco, já que a distância entre o primeiro e o quinto colocado supera a margem declarada. Veículos de direita enfatizaram o cenário paulista e acrescentaram uma ressalva metodológica extensa, lembrando que levantamentos publicados em 2022 apresentaram discrepâncias relevantes em relação ao resultado das urnas e sustentando que pesquisa é leitura de momento, não previsão, ainda que influencie decisões de partidos, de lideranças e o humor do mercado financeiro. Esse mesmo lado deu relevo ao desempenho de Guilherme Derrite e à presença de Ricardo Salles e André do Prado num segundo pelotão competitivo.
Não houve, nesta rodada, cobertura de veículos de esquerda sobre nenhum dos dois levantamentos. Pelo enquadramento habitual desse lado, o dado que tenderia a ganhar relevo é o do cenário espontâneo em São Paulo, em que 77,4% dos entrevistados não souberam ou não quiseram indicar um nome, o que sugere uma disputa ainda decidida por reconhecimento e exposição, além da posição de Gleisi Hoffmann como única candidata da esquerda entre os cinco primeiros no Paraná.
O que ainda não se sabe é considerável. As candidaturas não estão homologadas, e as listas apresentadas ao entrevistado podem mudar até o registro definitivo. Nenhum dos dois levantamentos divulgou recortes por região, renda, escolaridade ou faixa etária, nem série histórica que permita medir movimento em relação a sondagens anteriores. Não há, no material divulgado, cenário espontâneo para o Paraná nem detalhamento do método de coleta das entrevistas em São Paulo. Também não se sabe como se comportará a transferência do segundo voto, variável que, em disputas com duas vagas, costuma decidir quem fica com a cadeira restante.