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A convenção nacional do Partido Liberal, em São Paulo, oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência e exibiu um vídeo produzido com inteligência artificial que simula um pronunciamento de Jair Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar. O episódio abriu duas frentes judiciais: PT, PCdoB e PV acionaram o Tribunal Superior Eleitoral, onde a ação ficou sob relatoria do presidente da corte, Kassio Nunes Marques, e o PT apresentou notícia de fato no Supremo Tribunal Federal, encaminhada ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes. Especialistas em direito eleitoral avaliam que a peça pode configurar infração à norma que proíbe conteúdo sintético capaz de substituir imagem ou voz de pessoa viva, com sanções que iriam da multa à vedação do recurso na campanha. Nenhuma das duas cortes decidiu até agora.
A convenção nacional do Partido Liberal, realizada em São Paulo no sábado, 25 de julho, oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República e exibiu ao público um vídeo produzido com inteligência artificial que simula um pronunciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar. Na gravação, o personagem sintético afirma estar “preso e calado por uma decisão arbitrária”, diz que “nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança” despertado por seu movimento e pede aos apoiadores que recebam Flávio “de braços abertos” como candidato. Nos dias seguintes, o episódio virou caso jurídico em duas frentes: uma ação protocolada por PT, PCdoB e PV no Tribunal Superior Eleitoral, que ficou sob relatoria do presidente da corte, Kassio Nunes Marques, e uma notícia de fato apresentada pelo PT no Supremo Tribunal Federal, encaminhada ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator da execução penal do ex-presidente.
A cobertura de centro relatou o núcleo factual e o enquadramento jurídico com apoio de especialistas em direito eleitoral. A regra do TSE proíbe o uso de conteúdo sintético para substituir imagem ou voz de pessoa viva, mesmo quando há autorização, e o ex-presidente está impedido de divulgar manifestações de conteúdo político-eleitoral por qualquer meio, por decisão judicial, enquanto cumpre pena de 27 anos e 3 meses. Segundo advogados ouvidos por essa cobertura, o fato de o vídeo ter sido identificado como produção artificial não afasta a infração, e as consequências possíveis vão da multa à proibição do uso do recurso durante a campanha, com risco maior caso a prática se repita depois de considerada irregular.
Neste conjunto de reportagens, veículos de esquerda não aparecem entre as fontes, e a leitura da esquerda chega pelo texto da própria ação dos partidos que acionaram TSE e STF. Ali, o argumento é que o vídeo funcionou como forma de contornar as restrições impostas ao ex-presidente quanto ao uso das redes sociais e à comunicação com o público, com menção direta ao cargo em disputa e pedido explícito de voto. A petição sustenta que o discurso gerado por inteligência artificial foi planejado para alcançar as milhares de pessoas presentes no evento e um público muito maior pelas transmissões ao vivo hospedadas nas páginas do partido e do candidato, e compara o episódio ao caso da chamada Carta aos Brasileiros, quando o senador leu ao vivo um texto assinado pelo pai e a Justiça suspendeu por 90 dias suas visitas ao ex-presidente, prazo que só se encerra depois do primeiro turno.
Veículos de direita se dividiram entre o relato procedimental e a crítica política. O relato descreveu a movimentação do PT como pedido de apuração, registrou que o ministro ainda não se manifestou e lembrou que o partido não definiu candidato a vice nem alianças para a disputa. A crítica veio de coluna de opinião que leu o ato como a convenção de Jair, e não de Flávio: nesse enquadramento, o candidato está ali pelo sobrenome, depende do pai para ir a algum lugar e chega isolado, sem presidentes de outros partidos no palco, num arranjo descrito como dinástico. Para essa leitura, a exibição do vídeo é menos uma questão de regra eleitoral e mais o sintoma de uma candidatura sem autonomia própria.
Ainda não se sabe como TSE e STF vão decidir, nem em que prazo. Não há informação pública sobre quem produziu e autorizou a peça de inteligência artificial, se o partido pretende repetir o recurso ao longo da campanha e qual será a resposta formal da legenda e da defesa do ex-presidente às duas ações em curso.
Toda a cobertura confirma os mesmos fatos: o vídeo feito com inteligência artificial simulando Jair Bolsonaro foi exibido na convenção do PL, no dia 25, no ato que lançou Flávio Bolsonaro à Presidência; o ex-presidente cumpre prisão domiciliar e está proibido de divulgar manifestações político-eleitorais; e o episódio já é objeto de questionamento no TSE e no STF, sem decisão até agora.
4 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
Texto procedimental: informa quem relata a ação no TSE (Kassio Nunes Marques), quem a propôs (PT, PCdoB e PV) e o argumento central (referência ao cargo em disputa, pedido explícito de voto e vedação a conteúdo sintético). Não adjetiva os envolvidos, não toma partido sobre a legalidade e apenas atribui a tese aos autores, o que caracteriza enquadramento de centro.
Perspectivas omitidas
Estrutura factual clássica: descreve o que foi exibido, transcreve as falas do personagem sintético, expõe a regra do TSE que veda a substituição de imagem ou voz de pessoa viva, informa a pena e a proibição de manifestações político-eleitorais, e delega o juízo jurídico a um especialista identificado, que fala em multa e vedação do recurso. Não há vocabulário valorativo do redator.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial direita.
Apesar do perfil editorial do veículo, o texto se mantém no registro processual: descreve o protocolo da notícia de fato, cita trecho literal da petição do PT, explica o que é deepfake, recupera o precedente da chamada Carta aos Brasileiros e fecha registrando que o relator ainda não se manifestou. A tese acusatória é atribuída ao partido, não encampada. O tilt à direita aparece apenas na omissão do contexto da condenação, insuficiente para reclassificar o artigo.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, será o relator da ação que questiona o vídeo produzido com inteligência artificial para simular um pronunciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, exibido durante a convenção nacional do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. A ação de autoria do PT, PCdoB e PV, argumenta que o vídeo fez referência direta ao cargo em disputa e fez pedido explícito de voto, além de reforçar que as regras do TSE proíbem o uso de conteúdo sintético para favorecer uma candidatura. No Central Meio de hoje, o advogado especialista em Direito […]

O Partido dos Trabalhadores (PT), por meio de seu presidente nacional, Edinho Silva, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um

Vídeo de IA de Bolsonaro em convenção do PL motiva ações no TSE e STF, com especialistas alertando para riscos de multas e revogação da prisão domiciliar.

Condição de ser o escolhido do pai oferece base firme para ir ao segundo turno, mas obstáculo para que o candidato se constitua como uma persona política singular
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Perspectivas omitidas
Coluna que critica a candidatura pelo prisma do mérito individual, da autonomia pessoal e do repúdio ao arranjo dinástico e familiar, além de cobrar accountability sobre a relação do senador com um banqueiro. É crítica ao bolsonarismo feita de dentro do campo liberal-conservador, sem qualquer vocabulário de proteção social, desigualdade ou direitos coletivos, o que a distancia do enquadramento de esquerda. A carga retórica e a ironia elevam o índice de manipulação emocional.
Perspectivas omitidas
Falácias identificadas



