O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro voltou a aparecer publicamente em um jogo da Seleção Brasileira nos Estados Unidos. Desta vez, foi visto na área VIP do NRG Stadium, em Houston, antes da partida entre Brasil e Japão pela Copa do Mundo de 2026. Imagens divulgadas por portais mostram o ex-parlamentar circulando pelo setor reservado, cumprimentando torcedores e posando para fotos. A aparição reacendeu uma pergunta que percorre toda a cobertura: quem pagou o ingresso, avaliado em torno de R$ 180 mil para os lugares mais exclusivos do setor?
A presença ocorre cerca de duas semanas após Eduardo ser condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo, em regime inicial semiaberto, além de cinquenta dias-multa. Segundo a Procuradoria-Geral da República, ele promoveu ações de intimidação contra a Justiça brasileira para tentar interferir no julgamento de seu pai, Jair Bolsonaro. Eduardo vive nos Estados Unidos desde o início de 2025, perdeu o mandato, tornou-se inelegível e teve bens bloqueados pela Justiça.
Esse é o terreno comum a todos os veículos: a condenação, o bloqueio de bens e o contraste com a cena de luxo no estádio. A cobertura de centro relatou os fatos de forma enxuta, registrando a condenação, a expectativa do próprio Eduardo por uma vitória do Brasil e o pano de fundo da disputa familiar com o irmão Flávio, pré-candidato à Presidência, e a madrasta, Michelle.
É na interpretação que os lados se separam. Veículos de esquerda destacaram a distância entre o discurso e o padrão de vida: Eduardo já afirmou viver "de aluguel", citou "renda passiva" e disse ter dificuldade para honrar parcelas de um imóvel financiado, mas aparece em um camarote de R$ 180 mil. Essa cobertura costura a aparição à apuração da Polícia Federal, que investiga se recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, bancaram a permanência do ex-deputado no exterior, suspeita que surgiu no contexto do financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro, no qual Flávio teria pedido a Vorcaro cerca de US$ 24 milhões.
Na leitura à direita, a mesma cena é vista como mais um capítulo de uma perseguição judicial à família. Para esses veículos, não há prova de que Vorcaro pagou o ingresso, e a insinuação transforma um evento esportivo em suspeita sem fato comprovado. Apoiadores lembram que Eduardo afirma manter-se com renda própria e que recebeu, de forma declarada, uma transferência de R$ 2 milhões do pai via Pix. A condenação por coação e o bloqueio de bens são contestados como excessos do STF.
O que ainda não se sabe é justamente o ponto central: quem custeou o ingresso, se foi compra, convite ou cortesia de terceiros. Tampouco há conclusão da investigação da PF sobre a origem dos recursos que sustentam a vida de Eduardo nos Estados Unidos. Os citados negam irregularidades, e a produtora do filme nega ter recebido dinheiro do banqueiro.