O ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel anunciou no sábado, 1º de agosto de 2026, que desistiu da pré-candidatura ao governo fluminense e passou a apoiar o também ex-governador Anthony Garotinho, pré-candidato pelo Republicanos ao Palácio Guanabara. A decisão foi oficializada durante a convenção estadual do Democrata, partido pelo qual Witzel havia lançado seu retorno à disputa poucas semanas antes, depois de recuperar os direitos políticos ao fim do período de inelegibilidade imposto pelo impeachment de 2021.
A justificativa apresentada por Witzel tem duas camadas. A primeira é eleitoral: evitar a divisão de candidaturas no mesmo campo político e aumentar as chances de o grupo chegar ao segundo turno, num cenário em que o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, aparece como principal nome da disputa. A segunda é estrutural: o Democrata, segundo ele, ainda passa por reorganização e não tem acesso ao fundo partidário, enquanto o Republicanos já dispõe de estrutura montada para uma campanha estadual. Witzel disse que não será candidato a vice, mas que seu partido indicará o nome para a vaga, aberta depois que o coronel Venâncio Moura deixou a chapa quando sua legenda decidiu apoiar Paes. Ele também descartou apoiar o presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas, por associá-lo ao grupo político do governador que assumiu após o impeachment.
A cobertura de centro foi a mais detalhada e trouxe a nota oficial, a explicação sobre o fundo partidário e as propostas que Witzel afirma ter apresentado a Garotinho em reunião na sexta-feira, 31 de julho, entre elas a criação de um banco de desenvolvimento estadual e ações de segurança pública que teriam sido aceitas no programa de governo. Foi também essa cobertura que registrou a frase em que Witzel define a dupla como candidatura antissistema, sustentando que ambos foram perseguidos. Veículos de direita relataram o mesmo movimento de forma mais enxuta e enfatizaram o objetivo declarado de unir o campo da centro-direita para forçar um segundo turno, sem discutir o histórico judicial dos envolvidos. Até o fechamento desta reportagem, veículos de esquerda não haviam publicado cobertura própria sobre a aliança fluminense.
O mesmo sábado registrou um movimento simétrico em outro estado. No Ceará, a Federação PSOL/Rede desistiu de lançar candidatura própria ao governo estadual e homologou, em convenção, a deputada federal Luizianne Lins como candidata ao Senado. A resolução aprovada orienta voto crítico ao governador Elmano de Freitas e condiciona a participação na coligação governista à manutenção da indicação ao Senado, ao mesmo tempo em que define como prioridade a reeleição presidencial e o fortalecimento das bancadas estadual e federal. Um nome cogitado para disputar o governo do estado acabou sem candidatura lançada. A cobertura de centro apresentou a decisão a partir do texto da resolução, reproduzindo entre aspas as expressões usadas pelo próprio documento partidário.
O ponto de convergência entre as duas frentes é factual e pouco disputado: às vésperas do prazo de fechamento de chapas, siglas menores estão trocando candidaturas majoritárias próprias por posição em alianças maiores, seja por falta de estrutura financeira, seja por cálculo de segundo turno e de bancada.
Ainda não se sabe quem o Democrata indicará para a vaga de vice na chapa de Garotinho, nem se a federação cearense confirmará entrada formal na coligação do governador. Nenhuma das reportagens registrou manifestação pública de Garotinho, de Eduardo Paes, de Douglas Ruas ou do governo estadual do Ceará sobre os anúncios, e não há informação sobre eventuais obstáculos jurídicos ao registro das candidaturas envolvidas.