O instituto Quaest divulgou nesta segunda-feira, 24 de agosto de 2026, pesquisa sobre a sucessão no governo do Rio Grande do Sul que coloca o deputado Luciano Zucco, do PL, com 26% das intenções de voto, e Juliana Brizola, do PDT, com 23%. A distância de três pontos percentuais é igual à margem de erro do levantamento, o que caracteriza empate técnico entre os dois. Gabriel Souza, do MDB, atual vice-governador e nome apoiado pelo grupo do governador Eduardo Leite, aparece com 9%. Marcelo Maranata, do PSDB, tem 2%, Priscila Voigt, da UP, tem 1%, e Cesar Pontes, do PCO, e Rejane de Oliveira, do PSTU, não pontuam. Indecisos somam 27% e brancos e nulos, 12%.
A Quaest ouviu 900 eleitores gaúchos de 16 anos ou mais entre os dias 20 e 23 de agosto, com nível de confiança de 95%. O trabalho foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número RS-06875/2026. A pesquisa também simulou três cenários de segundo turno: Juliana Brizola tem 36% contra 33% de Luciano Zucco, tem 32% contra 24% de Gabriel Souza, e num confronto sem a candidata do PDT, Zucco marca 33% contra 22% de Souza.
Os dois blocos de cobertura que trataram do levantamento convergem no essencial: o empate técnico no primeiro turno, o desempenho fraco do candidato ligado ao governo estadual e o volume alto de eleitores ainda indecisos a menos de dois meses da votação. Divergem, porém, em qual número merece o primeiro parágrafo. Veículos de esquerda abriram o texto pela vantagem numérica de Juliana Brizola nas simulações de segundo turno e trataram o dado do primeiro turno como empate, sem apresentar os índices de rejeição, a pesquisa espontânea nem a avaliação do governo estadual. A cobertura de centro publicou o questionário completo, informou que o levantamento foi encomendado por um grupo de comunicação do estado e deu o mesmo espaço aos dados que desfavorecem cada candidatura.
É nesse material adicional que aparece o quadro mais duro para os dois primeiros colocados. Juliana Brizola é a candidata mais rejeitada, com 36% de eleitores que dizem não votar nela de jeito nenhum, contra 19% de Luciano Zucco, que por sua vez é desconhecido por 53% dos entrevistados. Na pesquisa espontânea, sem lista de nomes, Zucco tem 13% e Brizola, 7%, com 74% de indecisos. O governo de Eduardo Leite é desaprovado por 45% e aprovado por 42%, e 56% dizem que o governador não merece eleger um sucessor. Saúde e enchente empatam como o principal problema do estado, com 22% cada.
Até o fechamento desta reportagem, veículos de direita não haviam publicado análise própria do levantamento. Pelos números divulgados, é o campo que tende a enfatizar a liderança no primeiro turno, a rejeição menor do candidato do PL e o espaço de crescimento entre a maioria que ainda não o conhece, além do bloco em que 39% dos eleitores dizem que o apoio de Lula diminui a chance de votarem num candidato, contra 31% que dizem o mesmo sobre o apoio de Flávio Bolsonaro. Nesse mesmo bloco, 32% preferem um governador aliado de Flávio Bolsonaro, 25% preferem um aliado de Lula e 39% querem um governador independente.
O que ainda não se sabe é como se comporta o quarto do eleitorado que não escolheu candidato: 27% aparecem como indecisos no primeiro turno, e 39% dizem que podem mudar de voto até a eleição. A pesquisa é a fotografia de um único instituto e não traz comparação com rodadas anteriores, o que impede afirmar tendência de alta ou de queda para qualquer candidatura. Também não há, no material divulgado, medição do efeito do anúncio de Edegar Pretto, do PT, como vice na chapa do PDT, nem reação das campanhas aos números. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.