Três em cada dez eleitores brasileiros dizem que a escolha do voto para presidente em 2026 é movida principalmente pela vontade de impedir que outro candidato chegue ao cargo. O dado é da pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira, 21 de agosto, que ouviu 2.058 pessoas de 16 anos ou mais em 128 municípios. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04496/2026.
A maioria, porém, declara voto por adesão: 61% afirmam escolher o candidato por considerá-lo o mais preparado e por concordar com as propostas dele. Outros 7% deram respostas diferentes e 2% não souberam responder. O chamado voto negativo aparece distribuído de forma desigual entre os eleitorados. Entre quem declara voto em Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, 23% dizem votar para derrotar outro nome, contra 68% que citam preparo e propostas. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, do PL, a taxa de voto negativo sobe para 35%, com 56% apontando preparo.
Fora do eixo principal da disputa, os percentuais são maiores, e também as margens de erro. Entre os eleitores de Romeu Zema, do Novo, 37% dizem votar para evitar a eleição de outro candidato, com margem de 13 pontos. Entre os de Ronaldo Caiado, do PSD, o índice é de 31%, com margem de nove pontos. Já entre os de Renan Santos, do Missão, é de 24%, com margem de 12 pontos. A pesquisa mediu ainda o grau de definição do voto: 72% se dizem totalmente decididos, 27% admitem mudar e 1% não respondeu. Entre eleitores de Lula, os decididos somam 82%; entre os de Flávio Bolsonaro, 78%.
A cobertura de centro reproduziu os percentuais na íntegra e acrescentou leitura de contexto, atribuindo o índice elevado de voto negativo à polarização entre o presidente e os candidatos de direita. Essa cobertura registrou que Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por ter tentado um golpe de Estado e segue inelegível, o que empurra parte do campo conservador para o nome do filho, e lembrou que Ronaldo Caiado tem se apresentado como "direita raiz", citando a fundação da União Democrática Ruralista, em 1985, enquanto Lula não enfrenta concorrente de peso à esquerda. Veículos de direita publicaram os mesmos números principais, mas trataram o assunto pela chave do voto negativo como fenômeno eleitoral e deixaram de fora tanto a análise sobre a polarização quanto a menção à situação judicial de Jair Bolsonaro, fechando o texto com dados de desempenho digital de um dos presidenciáveis fora do eixo. Até o fechamento desta análise nenhum veículo de esquerda havia publicado o levantamento, e o ângulo que esse campo costuma privilegiar, o de que o eleitorado do presidente declara mais adesão a propostas do que rejeição ao adversário, não apareceu no material disponível.
Há uma divergência factual entre as versões. Parte da cobertura informa que as entrevistas foram feitas na terça e na quarta, dias 18 e 19 de agosto, enquanto outra fala em 18 a 20 de agosto. O material também não esclarece se a pergunta sobre motivação do voto foi feita a todos os entrevistados ou apenas aos que já haviam declarado candidato, nem traz série histórica que permita comparar o índice de 30% com pesquisas anteriores da mesma eleição. Não há detalhamento por região, renda ou escolaridade, e as campanhas dos candidatos citados não comentaram os números em nenhuma das versões publicadas.