O Grupo Fictor, holding que atua em setores como alimentos, serviços financeiros, infraestrutura e energia, tornou-se um dos nomes centrais do que vem sendo descrito como a maior fraude bancária da história do país. A empresa anunciou, em novembro de 2025, a compra do Banco Master, de Daniel Vorcaro, por cerca de 3 bilhões de reais. No dia seguinte ao anúncio, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master e a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que levou à prisão o empresário e outros integrantes da cúpula do banco, sob suspeita de fraudes financeiras.
Com a intervenção do Banco Central, a negociação entre Fictor e Master ruiu, e a holding foi arrastada para o centro do escândalo. A partir daí, a companhia enfrentou uma onda de pedidos de resgate de investimentos por parte de clientes, atrasos de pagamento a funcionários, perda de crédito junto a bancos e dúvidas sobre a sustentabilidade do negócio. Em fevereiro de 2026, o grupo pediu recuperação judicial, aceita pela Justiça em abril.
Até o momento, apenas um veículo cobriu esta etapa específica do caso, ao divulgar o áudio de uma reunião interna gravada em 15 de janeiro de 2026, duas semanas antes do pedido de recuperação judicial. No encontro, que durou cerca de 33 minutos, dois executivos tentaram acalmar funcionários pressionados pelos clientes. Segundo o relato, um ex-diretor pediu desculpas e responsabilizou o mercado e os concorrentes pela derrocada da empresa, afirmando que a companhia estava sendo massacrada e que rivais teriam se unido para destruí-la. Ele negou que a Fictor fosse ligada ao Master e disse que a empresa havia escolhido lutar e não baixar a cabeça.
Na mesma reunião, os executivos prometeram que os ativos do grupo seriam suficientes para cobrir o passivo e que os recursos dos clientes seriam devolvidos de forma ordenada, caso uma venda de ativos avaliada em cerca de 3 bilhões de reais não se concretizasse até o fim de janeiro. O CEO classificou a crise como um ataque reputacional e projetou meses de reconstrução da confiança. A venda anunciada aos funcionários não se concretizou, e o pedido de recuperação judicial foi apresentado semanas depois.
A cobertura tem caráter de fonte única e enfoque investigativo, apoiada em áudio e em mensagens de um grupo de trabalho obtidas pela reportagem. Por ora, não há cobertura de veículos de outros campos editoriais sobre este recorte específico, o que limita a checagem cruzada das falas atribuídas aos executivos.
O que ainda não se sabe: se os clientes serão de fato ressarcidos e em que prazo, qual o real valor dos ativos disponíveis frente às dívidas, se houve venda posterior de participações e como avança a recuperação judicial aceita em abril. Também permanece em aberto o desdobramento das investigações da Operação Compliance Zero e a eventual responsabilização dos executivos citados.