O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reagiu nesta terça-feira (7) a uma ameaça do líder do PT na Câmara, o deputado Pedro Uczai (SC), no episódio mais tenso da queda de braço em torno da PEC que acaba com a escala de trabalho 6x1. Mais cedo, Uczai declarou a jornalistas no Congresso que o partido daria uma 'trégua' de uma semana ao senador e que, se a proposta não fosse encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça, Alcolumbre seria tratado como 'inimigo dos trabalhadores e da pauta'. À tarde, o presidente do Senado respondeu por nota: 'Esse tipo de ameaça e tentativa de intimidação não será mais tolerado.'
A cobertura de centro, de veículos como Poder360, CNN Brasil e Valor Econômico, relatou o embate com paridade e alinhou as datas do processo. A PEC foi aprovada pela Câmara em maio e chegou ao Senado no dia 28 daquele mês, onde aguarda desde então o despacho de Alcolumbre para a CCJ. Com o recesso parlamentar previsto para começar em 18 de julho, a expectativa relatada é de que o texto continue parado. Alcolumbre sustentou que a definição da pauta é prerrogativa constitucional da Presidência da Casa e 'não se submete a ultimatos ou pressões político-eleitorais', acrescentando que 'ameaças e constrangimentos institucionais não aceleram a tramitação; apenas afrontam a independência dos Poderes'.
Os veículos à direita, caso da Jovem Pan, enfatizaram a resposta institucional de Alcolumbre, destacando o tom de firmeza contra a tentativa de pressão do petista e a defesa do devido processo legislativo. Já pela ótica da esquerda, a cobrança de Uczai se ancora na urgência de uma pauta trabalhista já aprovada pela Câmara: o fim da escala 6x1 é tratado como avanço de direitos para milhões de trabalhadores, e a demora do Senado, como obstrução. As reportagens registram ainda que a PEC é uma das principais bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve disputar a reeleição, e que enfrenta resistência de setores produtivos e de congressistas de centro e de direita.
O que ainda não se sabe é se, e quando, Alcolumbre encaminhará a proposta à CCJ, se haverá mudanças no texto — o senador já falou em discutir a matéria 'sem pressa' e admitiu ajustes — e como o impasse se resolverá após o recesso. Também segue em aberto se a ameaça do PT terá desdobramentos práticos na relação entre a bancada e a Presidência do Senado.