Dark Horse obtém registro na Ancine enquanto Polícia Federal apura verbas
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A Agência Nacional do Cinema (Ancine) concedeu em 7 de agosto o Registro de Obra Estrangeira para Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro estrelada por Jim Caviezel e dirigida por Cyrus Nowrasteh. O registro é a primeira etapa do trâmite: a distribuidora Europa Filmes ainda precisa do Certificado de Registro de Título e a obra depende de classificação indicativa do Ministério da Justiça antes de entrar em cartaz. Em paralelo, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Civil de São Paulo compartilhe com a Polícia Federal, em cinco dias, o material apreendido na Operação Wi-Fi contra Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment. O governador Tarcísio de Freitas afirmou que a decisão será cumprida.
No enquadramento de direita, o que salta é a quantidade de aparatos estatais mobilizados contra um único filme. A Agência Nacional do Cinema levou um mês e meio para conceder um registro de rotina, manteve uma apuração paralela sobre as filmagens e ainda chamou a distribuidora Europa Filmes para dar explicações.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Veículos com viés à direita
Todas as coberturas registram que o Registro de Obra Estrangeira foi concedido em 7 de agosto, que ele não autoriza a exibição comercial e que há apuração aberta na Agência Nacional do Cinema sobre filmagens feitas no Brasil sem comunicação prévia. Também há acordo de que a decisão de Flávio Dino determinando o compartilhamento de provas com a Polícia Federal está em vigor e será cumprida.
O filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, obteve o Registro de Obra Estrangeira na Agência Nacional do Cinema em 7 de agosto, mas ainda não pode entrar em cartaz. Ao mesmo tempo, decisões de dois ministros do Supremo Tribunal Federal abriram caminho para a Polícia Federal investigar o financiamento da produção e possíveis repasses de emendas parlamentares.
A Agência Nacional do Cinema (Ancine) concedeu o Registro de Obra Estrangeira ao filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro estrelada pelo ator norte-americano Jim Caviezel e dirigida por Cyrus Nowrasteh. O registro saiu em 7 de agosto, cerca de um mês e meio depois de a distribuidora Europa Filmes protocolar o pedido, em 22 de junho. O documento é apenas a primeira etapa do caminho regulatório: para entrar em cartaz, a obra ainda depende do Certificado de Registro de Título, que a distribuidora diz não ter prazo para pedir, e da classificação indicativa do Ministério da Justiça.
Enquanto a via administrativa avança, três frentes de investigação correm em paralelo. A própria agência reguladora apura uma denúncia de que a produção estrangeira teria filmado em território brasileiro sem a comunicação prévia exigida pela regulamentação, procedimento separado do que resultou no registro. No Supremo Tribunal Federal, o ministro André Mendonça autorizou em julho que a Polícia Federal investigue o financiamento do longa. Na semana passada, o ministro Flávio Dino determinou que a Polícia Civil de São Paulo compartilhe com a Polícia Federal, no prazo de cinco dias, todo o material apreendido na chamada Operação Wi-Fi, deflagrada em junho contra Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment e do Instituto Conhecer Brasil. O inquérito investiga se emendas parlamentares dos deputados Mário Frias, Marcos Pollon e Bia Kicis abasteceram entidades ligadas à empresária, que também figura em um contrato de R$ 108 milhões por ano de wi-fi público com a Prefeitura de São Paulo, sob suspeita de fraude.
Há convergência sobre os fatos duros. Todas as coberturas registram que o registro foi concedido, que ele não autoriza a exibição, que existe apuração aberta na agência sobre as filmagens e que a decisão judicial de compartilhamento de provas está em vigor. O governador Tarcísio de Freitas afirmou publicamente que a Polícia Civil vai cumprir a ordem, e o secretário estadual de Segurança Pública confirmou que o material seria remetido a Brasília no mesmo dia.
As divergências aparecem no recorte. Veículos de direita concentraram a narrativa no trâmite regulatório e na denúncia sobre as filmagens, tratando o caso como pendência burocrática de uma produção privada acompanhada de perto por órgãos públicos, e deixaram de fora as investigações sobre financiamento e emendas parlamentares. A cobertura de centro fez o movimento oposto: manteve a explicação técnica das etapas, mas encadeou o registro com as decisões dos dois ministros do Supremo Tribunal Federal, com a operação policial em São Paulo e com o valor do contrato municipal sob suspeita, além de registrar que os produtores esperam estrear em novembro, depois do período eleitoral, quando a veiculação poderia ser enquadrada como propaganda política irregular. Veículos de esquerda não aparecem neste conjunto de fontes, e a ausência é ela própria informativa: o ângulo do uso de dinheiro público em uma obra de exaltação a um ex-presidente circula na cobertura apenas de forma indireta, pela acusação atribuída a adversários do governador de que os investigadores paulistas estariam represando diligências por causa do calendário eleitoral. Tarcísio de Freitas rebateu, chamou a acusação de desrespeito às instituições policiais e disse que a Polícia Civil é polícia de Estado, não de governo.
O que ainda não se sabe é substancial. Não há data para o pedido do Certificado de Registro de Título nem previsão oficial de estreia. Não se conhece o resultado da apuração da agência sobre as filmagens. Não se sabe quanto das emendas parlamentares citadas chegou de fato às entidades investigadas, nem qual foi a origem efetiva dos recursos da produção. A produtora e a empresária investigada não tiveram sua versão apresentada nas reportagens, e nenhuma acusação formal foi apresentada até agora contra elas.
O governador afirmou que a Polícia Civil cumprirá a ordem de Flávio Dino para compartilhar as provas com a PF e rebateu acusações de que as apurações sobre suspeitas de desvio de recursos para financiar o filme “Dark Horse” estejam sendo atrasadas.

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) concedeu o Registro de Obra Estrangeira (ROE) para Dark Horse, filme que retrata a

Agência Nacional do Cinema, órgão que autoriza projetos cinematográficos no país, catalogou o registro da obra sobre a vida de Jair Bolsonaro; etapa é inicial no processo até a exibição ao público
