A Procuradoria-Geral da República comunicou ao Supremo Tribunal Federal que rejeitou a segunda proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso desde 4 de março no âmbito da Operação Compliance Zero. A manifestação dos procuradores acompanhou o entendimento já adotado pela Polícia Federal na semana anterior, que havia recusado o material por não conter informações inéditas. Com o fim das tratativas, o destino do empresário passa às mãos do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo.
A cobertura de centro relatou que a avaliação de investigadores e procuradores foi de que a proposta não reunia elementos suficientes para justificar os benefícios de um acordo de colaboração, e que faltou um compromisso efetivo com a devolução de valores, condição fixada pela PGR para o avanço das negociações. Vorcaro é acusado de chefiar um esquema de fraudes financeiras que, segundo estimativas da Polícia Federal, pode ter provocado prejuízos de até doze bilhões de reais. Os veículos de centro também detalharam que Mendonça havia condicionado a permanência do empresário em uma cela especial na Superintendência da PF, em Brasília, ao andamento das negociações. Encerradas as tratativas, a Polícia Federal pediu sua transferência para o Complexo Penitenciário da Papuda, e a PGR se manifestou contra o pedido de prisão domiciliar feito pela defesa.
Veículos de esquerda enfatizaram a dimensão política do caso, destacando a proximidade histórica entre Vorcaro e o bolsonarismo. Reportagens progressistas lembraram que o Banco Master, apelidado por parlamentares de oposição de BolsoMaster, teria sido viabilizado durante o governo de Jair Bolsonaro, depois de resistência inicial do Banco Central, e que a família do empresário foi grande doadora de campanhas bolsonaristas em 2022. Deputados como Rogério Correia, do PT, e Tarcísio Motta, do PSOL, avaliaram que o banqueiro estaria apostando no tempo e numa eventual vitória de Flávio Bolsonaro para escapar da Justiça, preferindo proteger quem o teria enriquecido a entregar aliados poderosos.
Embora publicados por veículos de orientação progressista, parte dos textos manteve tom predominantemente factual, reproduzindo a recusa da PGR, o histórico das transferências de cela e as cifras do suposto esquema. Por um prisma de responsabilidade institucional, a recusa pode ser lida como o funcionamento regular dos órgãos de controle: benefícios de delação só se justificam diante de colaboração efetiva e da devolução de recursos, dentro do devido processo conduzido pelo relator no Supremo. A defesa de Vorcaro contesta a conclusão dos investigadores e sustenta que a proposta reformulada passou a reunir fatos inéditos e informações adicionais.
O que ainda não se sabe é qual será a decisão de André Mendonça sobre a transferência para a Papuda e sobre o pedido de prisão domiciliar, nem se as negociações de delação podem ser retomadas em outro momento. Também permanece em aberto o desfecho das apurações sobre os vínculos financeiros de Vorcaro com autoridades, incluindo o senador Ciro Nogueira e o financiamento de produções ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.