Uma pesquisa do instituto AtlasIntel, divulgada em parceria com a agência Bloomberg, colocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dois retratos distintos na mesma semana. No recorte de avaliação de governo, divulgado em 28 de julho de 2026, 51,2% dos entrevistados afirmam desaprovar o desempenho do presidente, enquanto 47,6% aprovam e 1,2% não sabem responder. No recorte eleitoral, divulgado no dia seguinte, o petista aparece na liderança da corrida ao Palácio do Planalto com 44,9% das intenções de voto no cenário de primeiro turno.
O segundo colocado é o senador Flávio Bolsonaro, do PL, com 35,8%. A diferença entre os dois é de nove pontos percentuais, exatamente a mesma registrada no levantamento anterior, feito no fim de junho. Na sequência aparecem Renan Santos, do Missão, com 7,8%; Ronaldo Caiado, do PSD, com 3,1%; Romeu Zema, do Novo, com 2,8%; Samara Martins, da UP, com 2,1%; e Augusto Cury, do Avante, com 1,6%. Cabo Daciolo e Hertz Dias marcam 0,1% cada, enquanto Rui Costa Pimenta e Edmilson Costa não pontuam. Votos nulos e brancos somam 0,6%, e 1% dos entrevistados dizem não saber em quem votar.
A ficha técnica é a mesma para os dois recortes. A coleta foi feita entre 22 e 27 de julho, com 5 mil entrevistados. A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08602/2026.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, com duas matérias que tratam separadamente a avaliação de governo e a intenção de voto. Nenhuma delas traz reação de aliados do presidente, de adversários ou de analistas eleitorais. Por isso não há, neste momento, contraste de enquadramento entre coberturas de esquerda, de centro e de direita sobre os mesmos números: o que existe é o dado bruto e a ficha técnica que o acompanha.
Os números admitem leituras diferentes conforme a ênfase. Em relação ao levantamento do fim de junho, a aprovação subiu 1,6 ponto percentual e a desaprovação caiu 0,8 ponto, o que aponta melhora na avaliação do presidente no intervalo de um mês. Ao mesmo tempo, a desaprovação segue majoritária, acima da marca dos 50%, e a diferença de 3,6 pontos entre reprovação e aprovação está fora da margem de erro. No terreno eleitoral, a liderança de nove pontos convive com um percentual de 44,9%, abaixo do patamar que permitiria vitória em turno único, e a soma dos demais nomes testados supera o do presidente, ainda que percentuais de primeiro turno não se transfiram automaticamente para um eventual segundo turno.
Há também uma inconsistência interna no material divulgado. O texto sobre avaliação de governo cita a pesquisa anterior com 52,3% de desaprovação e 45,9% de aprovação, mas as variações informadas na tabela, de menos 0,8 ponto e mais 1,6 ponto, correspondem aos números arredondados de 52% e 46%, também citados no mesmo texto. A diferença não é explicada.
O que ainda não se sabe é considerável. A cobertura disponível não apresenta o cenário de segundo turno da mesma pesquisa, não detalha os resultados por região, faixa de renda ou escolaridade, e não descreve o método de recrutamento da amostra. Também não há explicação para a distância em relação a outro levantamento citado nas próprias matérias, que apontou 47% de aprovação e 49% de rejeição ao governo. Por fim, os textos não esclarecem quais dos nomes testados já têm candidatura confirmada para a eleição de outubro, nem registram manifestação das campanhas sobre os resultados.