A definição de quem será o candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro à Presidência em 2026 dominou as articulações do PL nos últimos dias, com prazo apertado: o senador tem até 5 de agosto, quando terminam as convenções partidárias, para fechar a composição. Enquanto isso, nomes entram e saem do noticiário, e a cúpula do partido tenta administrar expectativas em meio a uma disputa interna que já provocou atrito na família Bolsonaro.
A cobertura de centro relatou os fatos com atribuição direta às fontes. A senadora Tereza Cristina, do PP de Mato Grosso do Sul, admitiu pela primeira vez, em publicação nas redes sociais, que conversou com Flávio Bolsonaro sobre a possibilidade de ser sua vice. O encontro teria ocorrido em Brasília, mas a própria senadora ressalvou que nenhuma decisão foi tomada e que uma eventual aliança dependeria de negociações entre os partidos. Até a publicação das reportagens, Flávio não havia comentado a reunião. Nos bastidores, aliados avaliam que uma composição com Republicanos ou com a federação União Brasil-PP ampliaria o tempo de propaganda no rádio e na televisão e reduziria a percepção de isolamento da candidatura.
Outro nome que circulou foi o da vereadora Priscila Costa, de Fortaleza, vice-presidente nacional do PL Mulher e aliada próxima da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O presidente do PL classificou como 'bobagem' a possibilidade de ela assumir o posto. A própria parlamentar afirmou se sentir 'honrada' com as menções, mas disse manter o foco na eleição no Ceará, onde disputará uma vaga na Câmara. Priscila foi apontada como pivô da crise entre Flávio e Michelle: a ex-primeira-dama defendia seu nome para o Senado, enquanto o PL optou por apoiar Alcides Fernandes numa aliança com Ciro Gomes no estado.
Veículos de direita enfatizaram o esforço de montagem de uma chapa competitiva e institucional, dentro do prazo legal, com uma opção de peso como a senadora ligada ao agronegócio, e leram a acomodação da disputa cearense como sinal de coesão em torno da candidatura presidencial. Já veículos de esquerda pouco noticiaram o tema, mas tenderiam a enfatizar que a escolha do vice aparece como cálculo de poder e de tempo de TV, marcado por barganhas entre legendas e pela concentração das decisões em poucas lideranças partidárias, mais do que por um debate de propostas.
O que ainda não se sabe é o essencial: Flávio Bolsonaro não confirmou nenhum nome, e o desfecho depende das conversas com União Brasil, PP e Republicanos, siglas que até aqui sinalizaram intenção de manter neutralidade e autonomia dos diretórios estaduais. Também não há resposta pública de Michelle Bolsonaro nem da própria Priscila Costa à fala de 'bobagem'. A definição, portanto, segue em aberto até o prazo final das convenções.