A Câmara dos Deputados aprovou em primeiro turno a Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6x1, modelo em que o trabalhador cumpre seis dias seguidos e folga apenas um. A proposta reduz a jornada de trabalho e amplia os dias de descanso semanal. O texto havia sido aprovado antes pela comissão especial da Casa e foi pautado pela presidência da Câmara para votação no plenário. Se confirmada em segundo turno, a medida pode reduzir a jornada para até 40 horas semanais já em 2026.
A cobertura de centro relatou o fato de forma direta: a Casa fez mais uma rodada de votação da proposta de redução da jornada e de aumento dos dias de descanso, após o parecer favorável da comissão especial. A etapa marca o avanço de uma das pautas trabalhistas mais discutidas dos últimos anos, embora ainda dependa de nova votação para se tornar definitiva.
Veículos de esquerda enfatizaram o caráter de conquista para os trabalhadores. Para essa cobertura, o fim da escala 6x1 corrige um modelo que sobrecarrega as classes populares e abre caminho para mais tempo de descanso e convívio familiar. O tom foi de avanço histórico de direitos, com destaque para a possibilidade de o Brasil reduzir a jornada para 40 horas semanais ainda neste ano.
Veículos de direita, por sua vez, enfatizaram as críticas de instituições ligadas ao setor produtivo ao avanço da proposta. Nessa leitura, a redução da jornada por via constitucional eleva custos, engessa a relação entre empregador e empregado e pode pressionar especialmente os pequenos negócios, com risco para a competitividade e a geração de empregos. Esses críticos defendem que o tema seja tratado por negociação, e não por imposição na Constituição.
O que ainda não se sabe é o resultado da votação em segundo turno, necessária para que a PEC seja promulgada, nem o cronograma definitivo de tramitação e o eventual período de transição para empresas e trabalhadores. Também permanece em aberto como ficariam regras setoriais e o impacto concreto sobre folha de pagamento e contratações caso a medida seja aprovada em definitivo.