O Tesouro Nacional ampliou a oferta de títulos prefixados de curto prazo no leilão realizado no fim de julho de 2026, repetindo um comportamento já observado duas semanas antes. Foram vendidos 15,65 milhões de Letras do Tesouro Nacional, das quais 15 milhões tinham vencimento em 2028. A estratégia, segundo participantes do mercado, responde a um cenário adverso: a demanda por títulos atrelados à inflação está praticamente inexistente, mesmo com os juros reais em níveis elevados.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso em detalhe, com enquadramento de centro e foco técnico no mercado de renda fixa. A cobertura relata que o Tesouro tem acelerado a emissão de Letras Financeiras do Tesouro, atreladas à Selic, e evitado forçar a venda de Notas do Tesouro Nacional Série B para não piorar as condições de mercado. A leitura predominante entre os profissionais ouvidos é favorável à cautela do órgão.
Entre os fatores que sustentam a estratégia, a reportagem aponta um chamado 'vale de vencimentos' de prefixados em 2028: há cerca de R$ 446 bilhões em títulos com vencimento em 2027 e apenas R$ 136 bilhões em 2028. Isso abre espaço para o Tesouro concentrar emissões nesse vértice. Do lado da demanda, gestores enxergam nos papéis de 2028 uma forma de apostar na continuidade do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central sem grande exposição aos riscos fiscais, que se manifestam com mais força em prazos mais longos.
Um gestor afirmou que a entidade precisa 'rolar uma dívida grande' e faz isso num momento sem apetite por títulos de inflação, de modo que ofertar papéis indexados à Selic e prefixados curtos 'faz sentido'. Outro lembrou que o órgão não conseguiu vender integralmente um lote pequeno de NTN-Fs, prefixados mais longos, sinal de demanda apenas pontual por esses papéis.
Nem toda a avaliação é elogiosa. Um dos profissionais alertou que o Tesouro estaria 'construindo uma armadilha para ele mesmo' ao encurtar demais o prazo médio da dívida, o que aumenta o risco de refinanciamento adiante. Esse mesmo gestor reconhece que a concentração em vencimentos curtos não deve ser a estratégia permanente, mas pondera que incertezas à frente podem obrigar o Tesouro a manter as ofertas em papéis atrelados à Selic e prefixados de curto prazo.
O que ainda não se sabe é por quanto tempo o Tesouro sustentará essa postura. A própria reportagem indica que a aposta dos investidores é de continuidade ao menos até as eleições, mas não há confirmação oficial sobre o horizonte da estratégia nem sobre como o órgão pretende reverter o encurtamento da dívida quando as condições de mercado melhorarem. Tampouco há, na cobertura disponível, manifestação de fontes ligadas ao governo ou ao Banco Central sobre os riscos apontados pelos gestores.