Banco Central corta Selic a 13,75%, e juro real de 8,45% segue líder global
Resumo da cobertura
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, na quarta-feira, 16 de setembro, em decisão unânime. Foi a quinta redução consecutiva. Mesmo assim, o Brasil segue com o maior juro real do mundo, de 8,45%, segundo ranking das consultorias MoneYou e Lev Intelligence. Na véspera, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o país não pode continuar com a maior taxa de juros do mundo.
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Alguém precisa ver os dois lados disso?

Como cada lado cobriu
3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
- CartaCapitalCopom corta a Selic para 13,75%, mas Brasil segue com a maior taxa real de juros do mundoA taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional, servindo de referência para as demais taxas da economia
Análise editorial
O corpo é majoritariamente factual (comunicado do Copom, votos unânimes, IPCA de 4,22% em 12 meses, histórico de decisões), mas a manchete constrói o contraste 'corta, mas segue com a maior taxa real do mundo' e o texto usa 'o chamado mercado', marcando distância crítica da leitura de mercado. Framing crítico ao juro alto, alinhado à esquerda, com intensidade moderada.
- Qualidade argumentativa
- 65/100
- Manipulação emocional
- 20/100
- Clickbait
- 25/100
- Fontes citadas
- 4
Perspectivas omitidas
- Não ouve economistas de mercado nem justificativas para a cautela do Banco Central além do comunicado
- Não menciona a posição do Brasil no ranking de juros nominais
- Chama o colegiado de Conselho de Política Monetária, quando o nome é Comitê
Veículos com viés ao centro
- Notícias ao Minuto BrasilDurigan diz que Brasil não pode continuar com a maior taxa de juros do mundo
Análise editorial
Relato de agência que reproduz a entrevista de Dario Durigan com aspas extensas e contextualiza com a pesquisa Projeções Broadcast (75 de 78 casas esperando corte para 13,75%). Não adere ao argumento do ministro nem o contesta; o espaço dado às defesas do governo Lula vem das próprias falas, sem voz contrária.
- Qualidade argumentativa
- 55/100
- Manipulação emocional
- 10/100
- Clickbait
- 20/100
- Fontes citadas
- 3
Perspectivas omitidas
- Não traz economistas ou o Banco Central contestando o diagnóstico do ministro sobre as causas do juro alto
- Não detalha a trajetória da dívida pública citada como fator de credibilidade fiscal
Veículos com viés à direita
- InfoMoneyCom Selic em 13,45%, Brasil tem maior juro real do mundoO ranking dos juros reais foi calculado pela MoneYou e Lev Intelligence, e tem a coordenação do economista-chefe Jason Vieira.Matéria: Centro
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial direita.
Análise editorial
Texto descritivo do ranking elaborado por MoneYou e Lev Intelligence, com a fala de Jason Vieira sobre revisão de expectativas de inflação no mundo. Sem vocabulário valorativo sobre governo ou Banco Central, apesar do veículo de perfil pró-mercado. A manchete fala em Selic de 13,45%, mas o corpo registra o corte para 13,75%, e o número errado reaparece no ranking nominal.
- Qualidade argumentativa
- 52/100
- Manipulação emocional
- 10/100
- Clickbait
- 20/100
- Fontes citadas
- 3
Perspectivas omitidas
- Não traz a justificativa do Copom para o ritmo de corte
- Não explica a divergência entre 13,45% e 13,75% citados no texto
O Banco Central reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano, o quinto corte seguido de 0,25 ponto. Mesmo assim, o juro real brasileiro, de 8,45%, continua o maior do mundo. Na véspera, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o país não pode seguir com a maior taxa de juros do planeta.
O Comitê de Política Monetária do Banco Central, conhecido como Copom, reduziu a taxa básica de juros, a Selic, de 14% para 13,75% ao ano na quarta-feira, 16 de setembro. A decisão foi unânime e marcou o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual. É o menor nível da Selic desde março de 2025.
Mesmo com a sequência de reduções, o Brasil segue com o maior juro real do mundo. Pelo ranking das consultorias MoneYou e Lev Intelligence, coordenado pelo economista Jason Vieira, a taxa real brasileira é de 8,45%, calculada descontando a inflação projetada para os próximos 12 meses. Rússia e Colômbia aparecem logo atrás. Segundo Vieira, a posição do país não mudaria nem com a manutenção da taxa nem com um corte maior, porque as expectativas de inflação subiram em boa parte dos países comparados.
No comunicado, o Copom afirma que a redução é compatível com a convergência da inflação para a meta. O texto menciona a incerteza sobre os conflitos no Oriente Médio, a moderação gradual da atividade econômica e o mercado de trabalho aquecido, e pede serenidade e cautela diante da desancoragem das expectativas. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo acumula 4,22% em 12 meses, abaixo do teto da meta, depois de recuar 0,32% em agosto. O corte era amplamente esperado: 75 de 78 instituições financeiras consultadas projetavam 13,75%.
Na véspera, foi divulgada uma entrevista do ministro da Fazenda, Dario Durigan, concedida em 26 de agosto. Ele reconheceu que o quadro fiscal influencia os juros, mas disse que não explica tudo, e afirmou que o Brasil não pode continuar com a maior taxa do mundo. Citou a concentração da negociação de títulos públicos em poucos bancos, o hábito do brasileiro de aplicar em renda fixa com alta remuneração e a falta de credibilidade fiscal de longo prazo.
A cobertura de centro relatou a decisão e a fala do ministro de forma descritiva, com dados da pesquisa de mercado e as declarações de Durigan sobre o ajuste de 2% do Produto Interno Bruto negociado com o Congresso. Veículos de esquerda destacaram o contraste entre o corte e a permanência do Brasil no topo do ranking de juro real, lembrando que a inflação está abaixo do teto, e registraram que a diretoria do Banco Central segue com duas vagas, cujas indicações pelo presidente Lula devem ficar para depois das eleições. Veículos de direita, voltados ao mercado financeiro, concentraram a cobertura no ranking internacional e na explicação técnica do economista sobre as expectativas de inflação, sem enquadrar a decisão como insuficiente.
O que ainda não se sabe é se o Copom manterá o ritmo de 0,25 ponto nas reuniões de 3 e 4 de novembro e de 8 e 9 de dezembro. Também não há data para as indicações às diretorias vagas, nem detalhes de como o governo pretende repetir o ajuste fiscal prometido pelo ministro.
Briefing
O que importa para você
- Selic em 13,75% ao ano tende a baratear aos poucos crédito e financiamentos
- Renda fixa, CDB e títulos do Tesouro passam a render um pouco menos
- Próximas decisões do Copom saem em 4 de novembro e 9 de dezembro
Onde os lados divergem
- Esquerda enfatiza que o corte é pequeno diante da inflação de 4,22%, abaixo do teto da meta
- Cobertura de mercado trata a liderança no ranking como efeito técnico das expectativas de inflação no mundo, que não mudaria com outra decisão
Onde os lados concordam
Todas as coberturas registram o corte da Selic para 13,75% e que, mesmo assim, o Brasil mantém o maior juro real do mundo, de 8,45%, pelo ranking de MoneYou e Lev Intelligence.
O que ainda está incerto
- Se o Copom manterá o ritmo de 0,25 ponto nas próximas reuniões
- Quando o presidente Lula indicará os dois diretores que faltam no Banco Central
- Como o governo pretende repetir o ajuste fiscal de 2% do PIB citado por Dario Durigan
Fontes


A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional, servindo de referência para as demais taxas da economia

O ranking dos juros reais foi calculado pela MoneYou e Lev Intelligence, e tem a coordenação do economista-chefe Jason Vieira.



