Banco Central corta Selic a 13,75%; juro real de 8,45% ainda é o maior do mundo
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Mesmo após o quinto corte seguido, que levou a Selic a 13,75% ao ano, o Brasil continua com a maior taxa real de juros do planeta. A cobertura de esquerda trata o patamar como entrave ao desenvolvimento e ao crédito, lembra as críticas do presidente Lula ao Banco Central comandado por Gabriel Galípolo e registra a defesa do ministro da Fazenda, Dario Durigan, de que o país não pode seguir com os maiores juros do mundo.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, na quarta-feira, 16 de setembro. Foi o quinto corte consecutivo e a decisão foi unânime. Mesmo assim, o Brasil segue com o maior juro real do mundo, de 8,45%, segundo ranking das consultorias MoneYou e Lev Intelligence. O mercado se divide sobre a próxima reunião, em novembro.
O Banco Central manteve a disciplina ao cortar a Selic em apenas 0,25 ponto, para 13,75% ao ano, em um cenário de expectativas desancoradas e incerteza externa. A leitura voltada à responsabilidade fiscal destaca que a deflação de agosto teve efeito temporário do bônus de Itaipu, que o próprio ministro da Fazenda reconhece o peso do quadro fiscal nos juros e que o Copom sinaliza cautela para as próximas reuniões.
5 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: falácia identificada.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Nesta matéria: viés de centro.
Nesta matéria: viés de centro.
O Banco Central reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo de 0,25 ponto. Mesmo assim, o juro real brasileiro, de 8,45%, continua o maior do mundo. A decisão reacendeu críticas do governo aos juros altos, e o mercado se divide sobre o que o Copom fará na reunião de novembro.
O Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, reduziu a taxa básica de juros, a Selic, de 14% para 13,75% ao ano na quarta-feira, 16 de setembro. Foi o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual desde março, quando a taxa deixou o patamar de 15% ao ano. A decisão foi unânime e já era esperada pelo mercado financeiro.
Mesmo com a série de reduções, o Brasil continua com o maior juro real do mundo. Segundo ranking das consultorias MoneYou e Lev Intelligence, que desconta a inflação projetada para os próximos 12 meses, a taxa real brasileira é de 8,45%, à frente de Rússia e Colômbia. O economista Jason Vieira, que coordena o levantamento, afirmou que a posição do país não mudaria nem com a manutenção da taxa nem com um corte maior.
No comunicado, o Copom disse que a decisão é compatível com a convergência da inflação para a meta, mas descreveu um cenário de significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados, que exige serenidade e cautela. No exterior, o colegiado citou os conflitos no Oriente Médio e a política monetária de economias avançadas. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, registrou deflação de 0,32% em agosto e acumula 4,22% em 12 meses, abaixo do teto da meta. O Banco Central segue com duas diretorias vagas, e as indicações do presidente Lula ao Senado só devem ocorrer depois das eleições.
Na véspera da decisão, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse em entrevista que o Brasil não pode continuar com a maior taxa de juros do mundo. Ele reconheceu que o quadro fiscal influencia os juros, mas afirmou que isso não explica tudo, e citou a concentração bancária e a cultura de rendimentos altos.
As coberturas divergem na ênfase. Veículos de esquerda destacaram que o corte não tira o Brasil do topo do ranking de juros reais, trataram os juros altos como entrave ao desenvolvimento e lembraram as críticas de Lula ao Banco Central, comandado por Gabriel Galípolo. A cobertura de centro relatou a decisão com foco nos números, no comunicado e na fala do ministro. Veículos de direita, em textos de tom factual, enfatizaram que a deflação de agosto teve forte influência do bônus temporário da usina de Itaipu na conta de luz, o que pede cautela, e detalharam as projeções divergentes do mercado.
O que ainda não se sabe é o próximo passo do Copom, que volta a se reunir em 3 e 4 de novembro. BTG Pactual e Itaú BBA projetam uma pausa nos cortes para observar as expectativas e o cenário pós-eleitoral, com a Selic encerrando 2026 em 13,75%. A XP Investimentos prevê mais dois cortes, que levariam a taxa a 13,25% no fim do ano. Também segue em aberto o efeito do petróleo e do El Niño sobre a inflação nos próximos meses.
Copom reduz juros em 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica ao menor nível desde o início do ciclo

Mesmo com o quinto corte consecutivo, taxa permanece em patamar elevado e é alvo de críticas do setor produtivo, do governo e da sociedade


A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional, servindo de referência para as demais taxas da economia

O ranking dos juros reais foi calculado pela MoneYou e Lev Intelligence, e tem a coordenação do economista-chefe Jason Vieira.
