O Supremo Tribunal Federal realiza nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, uma sessão plenária extraordinária para decidir se existem elementos que justifiquem a abertura de uma investigação criminal contra o ministro Alexandre de Moraes. O julgamento tem origem em um relatório da Polícia Federal produzido a pedido do ministro André Mendonça, que aponta mensagens trocadas entre Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Nas conversas citadas, o banqueiro teria perguntado ao ministro se deveria deixar o Brasil dois dias antes de ser preso e agendado encontros com o magistrado.
A Procuradoria-Geral da República, em parecer assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet, sustenta que André Mendonça não poderia ter determinado apurações sobre um integrante do Supremo sem autorização do plenário e pede a nulidade da medida. Alexandre de Moraes apresentou uma defesa de 44 páginas em que afirma ser vítima de vingança e perseguição de condenados pela trama golpista, defende o contrato do escritório da família com o Banco Master e alega que as mensagens atribuídas ao banqueiro seriam falsas.
Toda a cobertura converge em alguns pontos. A sessão será aberta pelo presidente da Corte, Edson Fachin, com a leitura do relatório que delimita o objeto do julgamento. Dos dez ministros em exercício, Dias Toffoli se declarou impedido por também ser citado nas provas do caso Banco Master, e Alexandre de Moraes, por ser alvo do relatório, provavelmente não votará, embora caiba ao próprio plenário decidir sobre isso.
A cobertura de centro relatou sobretudo o movimento político em torno do julgamento. Na véspera, senadores de oposição se reuniram para pedir a instauração de processo contra o ministro e defender mudança no regimento interno do Senado que facilite o impeachment de magistrados da Corte, além de divulgarem manifesto no qual afirmam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Alexandre de Moraes seriam parte do mesmo sistema. Essa mesma cobertura registrou que o ministro votou contra o habeas corpus apresentado pela defesa do petista em 2018 e que congressistas da base governista temem desgaste eleitoral com o episódio. O senador Flávio Bolsonaro pediu o afastamento do magistrado e voltou a acusá-lo de usar o inquérito das fake news contra adversários políticos.
Veículos de direita enfatizaram dois ângulos. O primeiro é o mapa de votos atribuído a interlocutores da Corte, segundo o qual Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino estariam ao lado de Moraes, enquanto André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques seriam favoráveis à abertura do processo, com Edson Fachin e Cármen Lúcia vistos como inclinados a permitir a apuração, ainda que sem posição declarada. O segundo é a crítica institucional ao rito: exigir que o colegiado autorize o início de um inquérito contra um de seus membros criaria um filtro inédito, sem previsão no regimento, que o próprio tribunal considerou privilégio indevido em 2022, ao declarar inconstitucional lei de Minas Gerais com exigência semelhante para juízes estaduais. Essa cobertura também destacou que Edson Fachin retirou a relatoria de procedimentos das mãos de André Mendonça e do próprio Alexandre de Moraes e determinou que apurações envolvendo integrantes do Supremo sejam enviadas à presidência.
Veículos de esquerda não aparecem entre as fontes desta cobertura, e por isso o ângulo governista chega de forma indireta, relatado pela cobertura de centro, que registrou a preocupação de parlamentares aliados ao governo com o efeito eleitoral do julgamento. Um professor de direito constitucional ouvido pela cobertura de direita ponderou que a sessão não julga o mérito de uma eventual acusação, apenas se há elementos suficientes para iniciar a apuração, decisão que por si só já teria impacto institucional.
O que ainda não se sabe é decisivo para o desfecho. Não está claro se o plenário votará apenas a validade do relatório da Polícia Federal ou também a abertura da investigação, se haverá sustentação oral e como se dará a participação da defesa do ministro. Permanecem em aberto os questionamentos sobre a participação de André Mendonça no julgamento, a presença do procurador-geral, cujo nome teria sido citado no relatório, e a autenticidade das mensagens contestada pela defesa. Também não há informação sobre eventual pedido de vista que adie a conclusão do caso.