O Condomínio Solar Brasília, residencial onde mora o ex-presidente Jair Bolsonaro, acionou a Justiça contra Bernardo Moreira Amado Barros, ex-assessor do deputado André Janones. O motivo é um protesto com megafone realizado nas proximidades da casa do ex-mandatário, em Brasília. A cobertura de centro relatou que a administração do condomínio afirma que Barros entrou no local como visitante de uma moradora, mas teria usado a autorização para circular pelas áreas internas e se dirigir até perto da residência de Bolsonaro.
Segundo os registros apresentados, imagens de câmeras de segurança mostram Barros entrando por volta das 17h do dia 14 de novembro e deixando o condomínio às 18h14, depois de pouco mais de uma hora no local. A administração sustenta ainda que ele entrou usando uma roupa e, durante a permanência, passou a utilizar outra. O ato ocorreu na mesma data em que terminou o julgamento dos embargos de declaração de Bolsonaro, que naquele momento cumpria prisão domiciliar.
Na ação, o condomínio afirma que a conduta comprometeu a convivência interna e provocou constrangimento aos moradores, citando palavras injuriosas que teriam gerado ambiente hostil, sobretudo para famílias com crianças. O pedido à Justiça busca impedir que Barros utilize o acesso para circular por áreas internas ou se dirigir a imóveis sem autorização, com multa de R$ 50 mil em caso de descumprimento.
O caso se conecta a um histórico anterior. Barros foi exonerado do cargo comissionado, no qual recebia R$ 7.960,44 em 2026, após invadir a transmissão de um programa da GloboNews, proferir um xingamento e pedir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A exoneração foi assinada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. O ex-assessor também foi indiciado pela Polícia Legislativa Federal pelo crime de perturbação do trabalho ou do sossego alheio.
Veículos de esquerda destacaram o histórico de Barros como crítico de Bolsonaro e apoiador de Lula, situando o protesto como ato político em um momento simbólico, o fim do julgamento do ex-presidente. Veículos de direita, por sua vez, enfatizaram a violação da segurança e do sossego dos moradores e a responsabilização individual de quem teria usado subterfúgio para acessar um espaço privado. A cobertura de centro manteve o foco nos fatos: os registros de acesso, o teor da petição e o pedido de multa.
O que ainda não se sabe é a versão de defesa de Bernardo Moreira Barros sobre a ação movida pelo condomínio, nem o andamento do processo na Justiça e eventuais desdobramentos do indiciamento pela Polícia Legislativa Federal.